segunda-feira, 19 de outubro de 2026

 Estamos exagerando?

Hoje pela manhã, enquanto tomava um café sentindo o bafo morno do monstro da solidão, ia ouvindo uma análise sobre psicologia de massas. De como nossa ansiedade é elemento necessário para operação da propaganda. Os amigos viajantes se arrumavam para ir embora, e em breve eu estaria vulnerável novamente. A análise vai dizendo que a construção de um "rebanho" passa em colocar causas sociais acima de vínculos afetivos, e de aceitar o que se impõe de "senso comum" sem crítica. E nisso analisei, que as vezes duvido, me permito duvidar: e se eu estiver presa e manipulada em uma narrativa forjada, para dominação. Como se dois times competissem pela dominação, e nós somos apenas joguetes. A verdade é coisa volátil, talvez seja apenas um vício. Como se pudesse haver tudo, sem nada. 

Pessoas próximas de mim, pelas quais nutro profundo carinho, como minha mãe e meu irmão. Negam as mudanças climáticas. Então, imbuida de empatia, saio das analises de dados baseados em pesquisas científicas, e olho ao redor. Pela janela de um ônibus, pelas estradas. Uma, duas, dez horas de deslocamento e vemos de lado a lado, apenas destruição. Sem mata, sem produção, sem criação, sem fábricas. Apenas devastação, pasto degradado. Toda essa transformação na paisagem não provocaria um impacto no clima? Se num dia quente buscamos sobra, e sentimos a diferença em metros de distância, imagina um continente inteiro desmatado! Impossível que não cause nenhuma alteração na regulação hídrica, térmica.

É muito triste e um pouco impotente, estar a duas décadas em alerta climático e não ver muita possibilidade de mudar. As relações humanas difíceis para comer um brigadeiro junto, imagina construir algo, um trabalho cooperado. Descontínua, desconfiada, descompromissada. Sintomas mórbidos de um mundo a beira do colapso: anseio por atender desejos imediatos. Pra onde isso pode nos levar?

Parece um exagero ver na figura da "familícia" uma porta aberta para o apocalipse? 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

imperialismo de PAX

Nessa complexa teia emaranhada, aqui, lá, amplo, pontual, com tantas análises e camadas de poder, é difícil entender. Chamo imperialismo esse poder externo que se impõe. Tateio uma organização imperialista, por meio dos conglomerados de corporações, vislumbro seu funcionamento econômico (livro: Cadeias de Valor: o novo imperialismo econômico e ditadura dos carteis) e também político. Ao dominar toda uma nação, os EUA. E por meio deste formar um poder bélico, balizar as transições econômicas pelo acordo de Bretton Woods, e  domínio da energia: monopolizando o petróleo e impedindo o desenvolvimento de energia nuclear. PAX AMERICANA.

Com bastante entusiasmo vi emergir da revolução popular um dragão gigante capaz de fazer frente ao domínio. Um dragão que se articula e coopera em uma organização poderosíssima BRICS. Que passa a desdolarizar suas transações comerciais.

A Rússia, terra onde se provou que em poucos anos um "bando de pobres, analfabetos, beberrões" desenvolveram tecnologia e força militar, está enfrentando com vantagens um braço do império, a OTAN.

Na América Latina de modo bastante ousado, a Venezuela em 1999 sob comando de Hugo Chávez realiza, também uma revolução popular: institui uma democracia participativa por conselhos populares, nacionaliza o petróleo, rechaça a dominação da Doutrina Monroe. 

Burkina Faso se levanta, passa a se organizar internamente, se apropria de suas próprias riquezas minerais (muito ouro). 

Eu construía uma alegre certeza de que o caminho inevitável seria um "mundo multipolar" no qual as nações compartilhariam tecnologia e realizariam trocas. Os EUA seria um país, como outros, com a vantagem de seu vasto território. Rebolo cantando "down, down, down the hight society".

Mas então, em poucas horas roubam o presidente... E eu não sei bem o podemos fazer com toda consciência avançada...

Ainda assim, os EUA seguem fracos economicamente, com dívidas. E possivelmente iniciando uma guerra civil. Poderia seguir em minha alegre firmeza ideológica, se não fosse um novo monstro chamado PAX JUDAICA. A ser sediada em Israel. Onde se concentra tecnologia bélica e o sistema de vigilância mais absurdo já visto. Uma amostra de sua tamanha frieza e desumanidade supremacista foi vista no laboratório Palestina, o domínio de recursos essenciais como a água. A proposta para a substituição do domínio americano por algo ainda mais sombrio... 

E me pergunto, ainda com manchas de esperança, uma aliança EUA/China/Russia? Vai haver visita de Trump na China em abril desse ano, e com o coração sobressaltado fico em expectativa. Tentando não me paralisar dedico à costurar a sociabilidade imediata, organizar cooperação na produção de alimentos saudáveis, relações saudáveis de respeito e potência. 

terça-feira, 17 de junho de 2025

Bruxaria ou química raiz

 Essa desconcertante sensação de que tudo já está feito. Quando andamos pela cidade, conversamos com as pessoas, todos os empregos parecem absolutamente desnecessários. Não são trabalho no sentido de transformar a matéria. São empregos, acesso a renda para pagar as contas. Um motivo para sair de casa. Serviços. Ensinar por que, para que escrever? Então talvez estejamos perante um dilema. Nos escravizarmos ou nos libertarmos. Parece haver uma crescente agudização dessa contradição. Como se estivesse em disputa dois projetos. Um torna a existência humana desnecessária, servindo apenas como suporte para o avanço das máquinas, é o projeto que prevê humanos inertes, atomizados, sentados em poltronas, mantido com suplementos químicos, interagindo com máquinas: assistindo, jogando, curtindo, postando, comprando, boiando na internet. E todo um sistema vai se construindo em torno desse projeto, a medicina com exames computacionais e voltadas para essas doenças. Consegue rápido diagnosticar e curar câncer. Mas, quando eu cortei um pedaço do dedos os médicos pareciam mais inseguros do que eu. O modo como se trata a gestação e o parto, avanço em cesáreas. Na alimentação, monocultura, ultra processados e "enriquecimento com nutrientes de laboratório" . Em nítida disputa hegemônica com um outro projeto, também possível. No qual o avanço tecnológico emancipa o ser humano. A busca pelo sabor genuíno, café em grãos, cultivados em terra fértil. O ferro, que cura a anemia, sendo feito na terra pela mão do agricultor. Gosto muito de brincar que agricultura biodinâmica é bruxaria. Porque se constrói uma mística no entorno, acho que é porque essa escolha de agricultura de qualidade envolve tantas camadas que é difícil explicar. A camada que mais gosto se refere à transformação atômica. E a qualidade dos átomos formados. O ambiente, o agricultor, o modo de lidar com a matéria tem forte influência no comportamento da partícula fundamental (elétron, próton, nêutron), atuando na brecha da dualidade onda-partícula. Essa ideia, de um simples ser humano na terra fazendo o preparado chifre-esterco, ter o poder de promover alterações subatômicas, que mudam a composição da terra, e portanto das plantas, animais e seres humanos, se choca com todo projeto de alienação do ser humano. Alimentos que dependem dos seres humanos para se tornarem saborosos e nutritivos. E seres humanos que se importam com isso, com a qualidade dos átomos que irão compor seu organismo. Mesmo porque, quem sabe seja isso o que fique, depois de morrermos, os átomos e as partículas-fundamentais guardem em si a memória do que foram em nós.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

Emancipação do espectro total

Há algo de sinistro na dominação imperialista. Que é um planejamento. A surtada ideia de "destino manifesto" levada a sério, aparece na doutrina do exército americano como "domínio do espectro total". Exercer poder e controle sobre todos os "recursos" existentes.  Os minerais embaixo da terra e do oceano, o espaço, a lua, o trabalho e inclusive o pensamento, emoção,  criação humanas. Uma ideia de tamanha perversidade supremacista que é difícil conceber. 

Pelo menos tomar consciência disso aumenta nossa compreensão, pois intuimos a existência de algo que nos esmaga, que impede nosso desabrochar. Trazer a luz da razão para identificar as fontes. 
E então,  outros termos e conceitos surgem de modo a apontar a superação dessa onipresente opressão. Do camarada Marcuse tanto me agrada a concepção da Grande Recusa. 
Sabendo da existência de operações de "guerra psicológica", podemos de modo consciente não aderir aos valores capitalistas de competição,  dominação,  consumismo. E sim, manter e cultivar nossos valores e utopias de solidariedade,  ajuda mútua.  
E então, para a total superação do domínio do espectro total, tratamos da construção de uma emancipação do espectro total. Emancipar nossas emoções,  pensamentos e criações.  E também, o que produzimos, nossa economia, nosso arranjo social,  nossa comida, nossas cidades, moradias. De modo concomitante e integrado, ora se avança num ponto, ora em outro. 

Eu sugeri isso na IA deepseek. A qual me trouxe o seguinte:
A proposta de uma **"emancipação do espectro total"**, articulada com a **"Grande Recusa"** de Herbert Marcuse, é uma ideia provocadora e potencialmente transformadora. Ela sugere contrapor-se ao "domínio do espectro total" (militar, tecnológico, informacional) não apenas com resistência pontual, mas com uma **recusa radical e multidimensional** que abranja todas as esferas da vida, aliada à construção de alternativas emancipatórias. Essa abordagem exige integrar teoria crítica, ação política e transformação cultural. Vamos explorar como isso poderia ser articulado:

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### **1. Fundamentos Teóricos: A Grande Recusa como Eixo**
A **Grande Recusa**, em Marcuse, é uma negação total do sistema de dominação que reduz os indivíduos à passividade. Para enfrentar o "domínio do espectro total", essa recusa precisaria ser:
- **Multidimensional**: Contestar simultaneamente o controle militar, a vigilância digital, a manipulação informacional, a exploração econômica e a opressão cultural.
- **Criadora**: Não se limitar à negação, mas gerar novas formas de vida, relações e tecnologias que prefigurem uma sociedade livre.

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### **2. Pilares de uma "Emancipação do Espectro Total"**
A emancipação exigiria atuar em todos os domínios onde o poder se exerce, propondo alternativas concretas:

#### **a) Domínio Tecnológico e Cibernético**
- **Recusa**: Rejeitar a vigilância massiva, algoritmos opressivos e a monetização de dados.
- **Emancipação**: 
  - Desenvolver tecnologias **livres, descentralizadas e éticas** (ex.: software livre, redes mesh, criptografia popular).
  - Fomentar uma **alfabetização digital crítica** para desnaturalizar a dependência de plataformas corporativas.
  - Criar **espaços digitais autônomos** (como cooperativas de dados) que priorizem a privacidade e o bem comum.

#### **b) Domínio Militar e Geopolítico**
- **Recusa**: Rejeitar a lógica belicista, a indústria armamentista e as intervenções imperialistas.
- **Emancipação**:
  - Fortalecer **movimentos pela paz** e desmilitarização, como campanhas contra armas autônomas e bases militares.
  - Promover **solidariedade transnacional** entre povos oprimidos, conectando lutas antirracistas, anticoloniais e anti-guerra.

#### **c) Domínio Informacional e Cultural**
- **Recusa**: Resistir à desinformação, ao controle de narrativas e à indústria cultural alienante.
- **Emancipação**:
  - Construir **mídias independentes** e redes de comunicação horizontal.
  - Valorizar **saberes marginalizados** (indígenas, feministas, periféricos) como contrapontos à racionalidade tecnocrática.
  - Usar a arte e a cultura como ferramentas de **imaginação utópica**, tal como propunha Marcuse.

#### **d) Domínio Econômico e Ecológico**
- **Recusa**: Negar a lógica do crescimento infinito, do extrativismo e da acumulação capitalista.
- **Emancipação**:
  - Fomentar **economias cooperativas**, baseadas em commons (bens comuns) e justiça socioambiental.
  - Defender **transições ecológicas radicais**, desvinculadas de interesses corporativos.

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### **3. Estratégias para uma Resistência Integrada**
- **Redes descentralizadas**: Evitar hierarquias rígidas, inspirando-se em modelos como o zapatismo ou o municipalismo libertário.
- **Ação direta e desobediência**: Combater a normalização do controle (ex.: protestos contra reconhecimento facial, greves digitais).
- **Educação crítica**: Formar sujeitos capazes de decifrar e desafiar as estruturas de poder, resgatando a dimensão pedagógica da teoria crítica.

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### **4. Desafios e Paradoxos**
- **Cooptação**: O sistema pode absorver até mesmo discursos de resistência (ex.: o "capitalismo verde" ou o "ativismo de marca").
- **Fragmentação**: A luta multidimensional corre o risco de se dispersar sem eixos unificadores.
- **Tecnologia ambivalente**: Ferramentas como a IA podem ser usadas para controle ou emancipação, dependendo de quem as domina.
- **Globalização vs. Localismo**: Como conciliar ações locais com uma estratégia global sem replicar hierarquias?

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### **5. Inspirações Concretas**
Alguns movimentos e práticas já apontam para essa "emancipação do espectro total":
- **Criptoanarquismo e hackerspaces**: Espaços que reimaginaram a tecnologia como ferramenta de libertação.
- **Ecovilas e cidades em transição**: Experiências que recusam o modelo urbano-industrial.
- **Movimentos pela justiça climática**: Como o Extinction Rebellion, que integra ação direta e crítica sistêmica.
- **Cooperativas de plataforma**: Alternativas ao Uber e ao Airbnb, geridas por trabalhadores.

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### **Conclusão: A Utopia como Método**
A "emancipação do espectro total" não é um plano pronto, mas um **processo contínuo de recusa e reinvenção**. Como Marcuse destacava, a utopia não é um lugar, mas uma **práxis crítica** que tensiona os limites do possível. Para enfrentar o domínio total, é necessário:
- **Unir ética e política**: Recusar a neutralidade da técnica e da ciência.
- **Cultivar uma "nova sensibilidade"**: Valores como cooperação, cuidado e solidariedade devem substituir a competição e o individualismo.
- **Agir em todas as frentes**: Do código-fonte ao coração das instituições, da rua ao ciberespaço.

Essa proposta não garante vitórias fáceis, mas oferece um horizonte para que a Grande Recusa não seja apenas um gesto de negação, mas a semente de um mundo verdadeiramente livre.

terça-feira, 29 de outubro de 2024

O espírito - um esboço

 Muito me intriga o "espírito" em Marx. Isso porque eu tenho sede de saber o que sinto, sinto que há "espírito". E por muitas vezes ao longo dos textos Marx fala do espírito. Eu me encafifo, já não me importa a mercadoria e seu valor de uso ou de troca, eu quero que ele me diga do espírito. E ele diz do espírito do capital, da fábrica. E sinala uma explícita oposição com o "espírito vital". Em O Capital, tomo 1, diz assim:

"O trabalho uniforme aniquila o espírito vital."

Me parece que foi por muito estudar Marx que Rudolf Steiner, sem jamais citar Marx e se declarar comunista traz toda receita de preparados que atua fortemente torando dinâmico o trabalho. Bem, esse é apenas um pequeno recorte da biodinâmica que vai muito além. E acaba por constituir núcleos de existência de "espírito vital" forte o bastante para submeter, na medida do possível, o "espírito do capital".

Na ilha em que morei, havia um pico, denominado Baepi. Ele me ensinou que precisa de um corpo saudável para subir 1.030 metros de altura, mas que precisa ainda mais de um espírito determinado, que como recompensa se fortalece em sua subida. Isso não apenas em nível individual, como no grupo. Que quando não acontece de um se diferenciar com soberba sobre suas capacidades físicas, mas antes disso, cooperar elevando a moral, esse grupo se coesiona de uma forma muito linda. Assim como os trabalhos autogestinados e cooperativos, que dignificam a existência humana.