Fica tudo muito confuso quando antes de conhecer somos bombardeados por conceitos prontos, supostamente embasados, amplamente aceitos e prontamente repetidos. Fica pior quando não há espaço para sentir, só para pensar presa na razão e na lógica.
O que é liberdade? Como manifesta-se o machismo?
Mulheres de burca e coberta por panos sempre me deram arrepios. Não é difícil imaginar porque, a primeira vez que tive contato com isso foi pela TV e elas sempre estavam associadas a opressão, sofrimento, violência. Me era mostrado como um costume medieval de sujeição, e narra-se longas histórias de apedrejamento, e costumes cruéis. O discurso defendido era de que as mulheres devem ser livres para se vestirem como quiserem.
Quando cruzava por uma nos bairros comerciais de São Paulo me sentia desconcertada. Precisariam elas de alguma ajuda? Mas elas não estavam de cabeça baixa caminhando atrás de um homem, como a TV narrava ser o costume. Elas pareciam decididas e confiantes, andando sozinhas pelas ruas, administrando lojas. E eu já não sabia como uma adolescente poderia ajuda-las. Já não sabia se devia continuar sentindo pena. Mas ainda insistia em associar tal vestimenta ao símbolo máximo da opressão machista. Nós ocidentais cristãs é que temos sorte de usufruirmos nossa liberdade nata.
Depois de experiências, leituras, conversas, observação, contato com grupos feministas, fui me convencendo que existe machismo, e muito, nas Américas. Vejo como a mulher é usada como objeto decorativo, como somos incentivadas (e cobradas) a sermos bonitas. Como a presença histórica de mulheres importantes é apagada, ignorada, subestimada, e as que restam são subjugadas a papéis secundários, cuja importância se resume ao papel de mãe do cara ou esposa do cara. E eu já não sei o quanto as mulheres exibem seus corpos por liberdade ou por coação. Afinal existe um único tipo de corpo a ser exibido, jovem e torneado, essa suposta liberdade morre na praia. E deveria essa liberdade, de se despir, ser imposta? Estaria lindo a lei francesa que proíbe o uso de burcas e do tal lenço? Seria essa lei uma busca pela liberdade das mulheres ou uma perseguição religiosa?
O que eu aprendi do Islã pela TV é que são sanguinários e pretendem matar todo mundo, em especial aos EUA, pois eles são totalmente contra a liberdade. Demorou muito para eu me dar conta desse espesso véu de ignorância que foi posto sobre mim. Sinto uma necessidade enorme de saber quem somos nós, o que significa nossa vida, se existe e o que é alma. A ciência não é capaz de suprir essa necessidade, busco então na religião, lendo, ouvindo, conversando, meditando e mantendo a mente aberta. Li dois livros, meio fantasiosos como romance que abordavam o Alcorão. Me encantei com "Seu Ibrahin e as Flores do Corão" e "Habibi".
Já nesse processo de amadurecimento, no qual um choque cultural não resultaria em atrito, foi que a conheci. Quando a vi envolta em panos não senti a aversão de outrora. Para minha surpresa uma enorme excitação percorreu todo meu corpo. Milhares de perguntas começaram a se formular na minha cabeça. O que ela pensa que é alma? Acredita em espírito? Porque usa esses panos? Acredita em Jesus? Achei indelicado começar uma entrevista desse modo. "Estamos atrapalhando seu jantar." E para minha sorte ela já entrou no tópico que eu queria. "É que estamos no mês do Ramadã, Fazemos jejum de quando o sol nasce até que se põe." Engatilhei diversas perguntas: o que é Ramadã?, existe uma dieta especial? e por fim, quando ela me disse que faziam 5 orações por dia, em todo o mundo no mesmo horário e no mesmo idioma, iniciando às 6 da manhã eu não pude me segurar. Foi uma vontade arrebatadora, eu precisava participar dessa oração. Pedi para me juntar, ela disse, pelo que consegui entender pois a comunicação não era de todo clara, que essa era uma oração mais íntima, mas às 19:45 havia uma oração na mesquita a qual eu poderia acompanha-la, se quisesse.
"Pai, qual a diferença entre árabe e muçulmano?" "Não sei." Passei pelo google para entender que muçulmano é quem segue o Islã, uma das religiões com mais fiéis no mundo e a que mais se expande, especialmente entre as mulheres! Vesti minha calça mais larga e às 19:30 estava na entrada o hotel esperando por ela.
Fomos caminhando, enquanto eu fazia muitas perguntas, tantas que nem conseguia entender as respostas, tinha receio de ofende-la. E porque usar o pano? Nas imagens católicas também tem. É para se preservar, como pureza? É. E os homens não usam? Vai da fé de cada um. Nesse momento passamos por um carro de onde descia um jovem bonito, envolto em lenços com um turbante. Achei que iriamos parar para cumprimenta-lo, afinal nas religiões em que andei era fácil confundir o rituais com um evento social. Mas qual, apertamos o passo e entramos por uma portinha estreita numa longa escadaria. Nas mesquitas grandes as entradas de homens e mulheres é separada. Preferi deixar para depois meus julgamentos, achei que seria desrespeitoso e me impediria de conhecer. Ela parecia apressada, você tira o sapato rápido e entra com ele na mão. Putz, estava calçando um tênis tipo botina trekking, difícil de descalçar. Fui tomada por uma espécie de desespero, não queria desrespeitar ninguém. Tive que me concentrar para não gargalhar, afinal parecia meio cômico um desespero para não ser vista por homens. Finalmente o tênis saiu, quase arrancando meu pé junto.
As mulheres ficavam juntas atrás de um pano, que as separava dos homens. Elas pareciam a vontade com isso. Só podem frequentar a mesquita no mês do Ramadã, exceto quando menstruada, nessa situação não devem rezar, e ficam devendo as rezas para outra ocasião. As orações eram em árabe. 5 sessões com intervalos. Eu poderia ficar a noite toda, mas minha anfitriã parecia demasiado insistente quando dizia que eu poderia ir, iria ficar cansativo para mim que não entendo. Achei que ela preferia que eu fosse. Gostaria de conversar mais.
Tenho muita vontade de conhecer mais que julgar. O Islã, em especial sua linha esotérica Sufi, parece ter muitos ensinamentos interessantes. Dizer que separar homens de mulheres, proibi-las de entrar no templo, é errado e machista sem conhecer as razões disso é ignorante e desrespeitoso com outras crenças. Somos sempre levados a julgar o Islã, e o pior, com base em casos estapafúrdios e cruéis. Como se não existisse pedofilia entre cristãos, como se não houvesse entre fiéis cristãos casos de intolerância, opressão, coação, violência. Oportunidade de conhecer o Islã são pouquíssimas. Eu ainda não sei o que penso disso tudo, quer dizer penso que cada um deve ser livre para ter a crença que quiser. Repetidas vezes encontro em literaturas espiritualistas diversas um alerta sobre o ego e sua manifestação primária, a vaidade. Assim me parece razoável que algum profeta tenha chegado a conclusão de que se cobrir toda é uma forma de não alimentar essa vaidade, ou raspar a cabeça e se vestir igual. Se isso é eficaz eu não sei, porque nunca tentei e não conheço intimamente quem tenha tentado.
O que eu não sei é até quando confiar na veracidade da existência de grupos muçulmanos fundamentalistas terroristas violentos contra a liberdade a democracia e os EUA, que atacam pelo simples fato de acreditarem que o mal reside na democracia, a qual os EUA tem o heroísmo de defender...
o questionamento e a reflexão nos tornam mais conscientes, plenas, felizes, questionadoras e reflexivas!
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quinta-feira, 24 de julho de 2014
terça-feira, 6 de maio de 2014
a competição
O que realmente me fere e ofende no capitalismo é a exclusão de tudo o que não gera lucro. Pode parecer pouco e aceitável para quem pouco se importa e se afunda na lógica produtivista vivendo para trabalhar, recebendo para consumir.
Nesse domingo teve provinha de corrida em Rio Grande. Faz alguns anos que o Thiago participa, eu acompanho, já corri em três mas não curto muito. Atualmente, a cidade está crescendo, as provas estão ganhando patrocínio, as equipes estão mais competitivas e consequentemente trazem slogans em sua camiseta, o pódio mostra ao fundo mais slogans de apoiadores e patrocinadores. Dessa vez não pedalei ao lado dele, foram mais de 900 inscritos, fiquei esperando na largada com a máquina armada. Enquanto isso via os primeiros colocados.
Pelo microfone o locutor anunciou, aí vem a primeira colocada do feminino. Legal, quis bater palmas pensando estar exercendo meu feminismo, fiquei esperando mais anúncios, e nada... Passou pela linha de chegada uma moça negra, sem patrocínios, parecia tão bem que fiquei na dúvida se era a primeira dos 10 ou das últimas dos 5 Km. Ué. Não veio ninguém depois dela, perdi o momento de aplaudir. O locutor disse depois de um tempo seu nome, de Pelotas. Grunhi os dentes de raiva. Mas algum tempo depois, o senhor do microfone começa a anunciar contente o nome que já de antes me irrita... Aí vem ela, a doutora Daniela. Está chegando, com toda sua garra e determinação, cruzando a chegada. Doutora Daniela!!!! Parabéns Dani, por seu empenho. Pensei sarcástica, parabéns por parecer um outdoor, e erguer bandeirinha da equipe no pódio.
Eu que tenho aversão a competição. Pode ser algum problema psíquico, pois me atrapalha, não consegui ler o livro "ponto de mutação" encalacrei quando ele defendia o equilíbrio saudável da cooperação com competição. Tendo nós superado algumas necessidades instintivas podendo nos dar ao luxo de pensar e conversar, qual a necessidade da competição? Será que não existe meio de superá-la? Ok, mesmo que acredite-se que essa é uma necessidade para o progresso técnico, e sei lá seleção para cargos muito desejados, é necessário alimentá-la a todo instante? Será que não existe lazer esportivo social cooperativo possível?
Tem duas histórias que gosto de me lembrar, já não me recordo a fonte e em que cultura ocorreu, uma foi ao se ensinar futebol a uma tribo. Não tinha jeito, todos comemoravam em qualquer gol, inclusive o goleiro. O importante era se divertir em grupo e deixar todos se sentirem bem. Quando terminou o tempo da partida eles não concordaram em parar. É muita falta de honra parar agora que estamos ganhando, é vergonhoso. E o jogo prosseguiu até que terminasse empatado para a alegria e contentamento de todos. Mantendo e fortificando a harmonia entre o grupo.
Outro caso foi o do antropólogo que findado seu estudo de campo tinha que ir embora, para se despedir fez uma última experiência, escondeu em uma árvore alguns doces. Quando as crianças chegaram perto dele meio saudosas ele as animou. Olha, eu deixei uma surpresa pra vocês, o primeiro que chegar ganha, está ali naquela árvore. Ele esperava correria, gritaria e (suposta) alegria típica das crianças. Mas, calmamente elas se deram as mãos e foram caminhando até a árvore. Lá chegando dividiram os doces. Ele perguntou, mais direcionado ao reconhecidamente mais rápido da turma, porque vocês vieram juntos? Não tentaram pegar tudo para si? Como podemos nos sentir feliz sabendo que nossos amigos estão tristes?
Essa competição, sistematicamente ensinada e incentivada, extrapola os limites do esporte (mesmo que ficasse nesse limite acho profundamente triste) e expande para relações pessoais, compete-se pela atenção dos pais, dos filhos, dos amigos, do chefe; nas discussões é comum não haver a real intenção da descoberta de uma verdade em conjunto, mas um objetivo egoísta e superficial de ganhar a argumentação, competindo pela razão, pela admiração dos que ouvem. E conquistando poder.
Isso me incomoda, não sei se é porque nunca ganhei alguma competição ou se nunca ganhei uma competição por não ver sentido e propósito, por achar um pouco cruel com quem perde e principalmente por em essência acreditar que ganho mais quando perco. Deve haver aqui uma diferença fundamental. Por alguma razão eu valorizo a porção espiritual do ser, quero dizer sentimentos e pensamentos, reconheço a importância da matéria, mas como uma manifestação dos valores menos palpáveis. Nesse sentido hierarquia de chegada, e aquisição de medalha perdem o valor para mim, somado ao interesse econômico que coisifica o ser em objeto de propaganda e lucro aí complica ainda mais.
Nesse domingo teve provinha de corrida em Rio Grande. Faz alguns anos que o Thiago participa, eu acompanho, já corri em três mas não curto muito. Atualmente, a cidade está crescendo, as provas estão ganhando patrocínio, as equipes estão mais competitivas e consequentemente trazem slogans em sua camiseta, o pódio mostra ao fundo mais slogans de apoiadores e patrocinadores. Dessa vez não pedalei ao lado dele, foram mais de 900 inscritos, fiquei esperando na largada com a máquina armada. Enquanto isso via os primeiros colocados.
Pelo microfone o locutor anunciou, aí vem a primeira colocada do feminino. Legal, quis bater palmas pensando estar exercendo meu feminismo, fiquei esperando mais anúncios, e nada... Passou pela linha de chegada uma moça negra, sem patrocínios, parecia tão bem que fiquei na dúvida se era a primeira dos 10 ou das últimas dos 5 Km. Ué. Não veio ninguém depois dela, perdi o momento de aplaudir. O locutor disse depois de um tempo seu nome, de Pelotas. Grunhi os dentes de raiva. Mas algum tempo depois, o senhor do microfone começa a anunciar contente o nome que já de antes me irrita... Aí vem ela, a doutora Daniela. Está chegando, com toda sua garra e determinação, cruzando a chegada. Doutora Daniela!!!! Parabéns Dani, por seu empenho. Pensei sarcástica, parabéns por parecer um outdoor, e erguer bandeirinha da equipe no pódio.
Eu que tenho aversão a competição. Pode ser algum problema psíquico, pois me atrapalha, não consegui ler o livro "ponto de mutação" encalacrei quando ele defendia o equilíbrio saudável da cooperação com competição. Tendo nós superado algumas necessidades instintivas podendo nos dar ao luxo de pensar e conversar, qual a necessidade da competição? Será que não existe meio de superá-la? Ok, mesmo que acredite-se que essa é uma necessidade para o progresso técnico, e sei lá seleção para cargos muito desejados, é necessário alimentá-la a todo instante? Será que não existe lazer esportivo social cooperativo possível?
Tem duas histórias que gosto de me lembrar, já não me recordo a fonte e em que cultura ocorreu, uma foi ao se ensinar futebol a uma tribo. Não tinha jeito, todos comemoravam em qualquer gol, inclusive o goleiro. O importante era se divertir em grupo e deixar todos se sentirem bem. Quando terminou o tempo da partida eles não concordaram em parar. É muita falta de honra parar agora que estamos ganhando, é vergonhoso. E o jogo prosseguiu até que terminasse empatado para a alegria e contentamento de todos. Mantendo e fortificando a harmonia entre o grupo.
Outro caso foi o do antropólogo que findado seu estudo de campo tinha que ir embora, para se despedir fez uma última experiência, escondeu em uma árvore alguns doces. Quando as crianças chegaram perto dele meio saudosas ele as animou. Olha, eu deixei uma surpresa pra vocês, o primeiro que chegar ganha, está ali naquela árvore. Ele esperava correria, gritaria e (suposta) alegria típica das crianças. Mas, calmamente elas se deram as mãos e foram caminhando até a árvore. Lá chegando dividiram os doces. Ele perguntou, mais direcionado ao reconhecidamente mais rápido da turma, porque vocês vieram juntos? Não tentaram pegar tudo para si? Como podemos nos sentir feliz sabendo que nossos amigos estão tristes?
Essa competição, sistematicamente ensinada e incentivada, extrapola os limites do esporte (mesmo que ficasse nesse limite acho profundamente triste) e expande para relações pessoais, compete-se pela atenção dos pais, dos filhos, dos amigos, do chefe; nas discussões é comum não haver a real intenção da descoberta de uma verdade em conjunto, mas um objetivo egoísta e superficial de ganhar a argumentação, competindo pela razão, pela admiração dos que ouvem. E conquistando poder.
Isso me incomoda, não sei se é porque nunca ganhei alguma competição ou se nunca ganhei uma competição por não ver sentido e propósito, por achar um pouco cruel com quem perde e principalmente por em essência acreditar que ganho mais quando perco. Deve haver aqui uma diferença fundamental. Por alguma razão eu valorizo a porção espiritual do ser, quero dizer sentimentos e pensamentos, reconheço a importância da matéria, mas como uma manifestação dos valores menos palpáveis. Nesse sentido hierarquia de chegada, e aquisição de medalha perdem o valor para mim, somado ao interesse econômico que coisifica o ser em objeto de propaganda e lucro aí complica ainda mais.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Feliz Natal e breve retrospectiva
Cá estamos nós. Nessa louca e conturbada época do ano. Apesar de se confundir com um frenesi de consumo a data deveria na realidade exercer a função exatamente oposta. Uma vez que o foco é relembrar que Jesus mandou bem pra caramba em diversas ocasiões de sua vida. A ponto de inspirar os melhores sentimentos em seres humanos mesmo milênios depois de sua morte, ou nascimento no caso.
É sobre esse paralelo complexo que pretendo falar. Consumo frenético vs amor crístico. Não sei bem quem, ou como, me passou os primeiros ensinamentos morais, ou se foi algo inato. Mas, me faz muito sentido amar e respeitar o próximo como a si mesmo. Interessante é que em algum momento associei esse amor à pessoas pacíficas, de falar tranquilo, cheirosas e bem vestidas. E consequentemente, a desordem, a agressividade, a insubordinação me remetia à uma oposição a esse amor e justiça cristãos. Porque, como e quando aconteceu essa associação? Difícil saber.
Mas foi tão forte, que mesmo com meu irmão ouvindo Garotos Podres, e cantando a letra, ainda assim eu tinha certeza que ele estava fazendo algo errado, e não concordava que ele ofendesse o "bom velhinho", ele era velhinho, e tão bom, se alguém é mau e cospe nos outros só podia ser o meu irmão. Afinal, é fácil se chegar a essa conclusão quando seu irmão não é chegado em leituras, fala palavrão, é explosivo e boêmio.
O problema é que nesses nossos tempos tem sido cada vez mais difícil se manter na alienação. E no mestrado escorreguei para temas políticos e sociais, e depois de umas leituras e reflexões, passei a questionar conceitos arraigados. Muitas das pessoas que se encaixavam no meu padrão "exemplo a seguir" na realidade não se preocupam realmente com problemas sociais, não além da superficialidade confortável, exigida socialmente. Seu senso de justiça são normalmente fracos e deturpados. Falam de amor e compaixão ao próximo, mas ao serem questionadas sobre o elevado padrão de consumo atual baseado em trabalho escravo, apropriação dos recursos naturais e poluição (que prejudica muito mais os pobres), se esquivam e buscam argumentos inimagináveis com a finalidade de te desacreditar. Se questiona-se a propriedade privada então... ai o assunto fica tenso. Ainda que Jesus tenha posto esses questionamentos na mesa.
Por contrapartida, certos rebeldes, Rage Against the Machine, composições de RAP que eu outrora classificaria como perturbadoras da paz e harmonia (assim como meu irmão), trazem um profundo senso de justiça, que se revolta perante as barbáries sociais. Não barbáries produzidas de modo fútil para a manutenção da sociedade do espetáculo, mas a barbárie sistêmica. Ainda me incomodo com o som agressivo do metal ou RAP, mas as letras comumente (sem generalização) agregam mais, espiritualmente, do que cânticos religiosos.
Esse ano meu natal foi profundamente ressignificado. Graças a essas manifestações espontâneas e indignadas ao redor de todo mundo, foi impossível não questionar o que eu chamo de vandalismo, o que penso de destruição, violência e justiça. Eu que tive uma educação totalmente conservadora, que ainda me considero cristã me vi simpatizando com jovens que enfiaram estátuas sacras no cu (questionando a opressão sexual religiosa), que queimaram manequins (questionando a justiça - social e ambiental - dessa sociedade baseada no consumo), que queimaram bancos (esse sistema financeiro é o melhor que conseguimos? é bom pra quem?), que gritaram não vai ter copa (pessoas, a quem historicamente se tem negado, foram despejadas, agredidas para a construção de estádios de futebol de primeiro mundo, com verba pública capaz de revolucionar o SUS), que ocuparam espaços teoricamente públicos (causando "transtorno" para os que não foram despejados).
De fato, o mundo acabou em dezembro de 2012. Isso, que vemos iniciando nesse ano não é "normal". Isso é um convite explícito para que te dispas de certos paradigmas que, no momento, só serão capaz de promover desgraça. Pare de pensar como se crescimento econômico ilimitado fosse uma possibilidade porque não é. Ainda agora temos barbáries acontecendo, como a expulsão de indígenas em nome do crescimento econômico sem fim, e os condena ao suicídio coletivo. Como o caso do projeto de irrigação em Apodi. E inúmeras outras. Mas, para quem traz um pouquinho de altruísmo no peito, desejo
É sobre esse paralelo complexo que pretendo falar. Consumo frenético vs amor crístico. Não sei bem quem, ou como, me passou os primeiros ensinamentos morais, ou se foi algo inato. Mas, me faz muito sentido amar e respeitar o próximo como a si mesmo. Interessante é que em algum momento associei esse amor à pessoas pacíficas, de falar tranquilo, cheirosas e bem vestidas. E consequentemente, a desordem, a agressividade, a insubordinação me remetia à uma oposição a esse amor e justiça cristãos. Porque, como e quando aconteceu essa associação? Difícil saber.
O problema é que nesses nossos tempos tem sido cada vez mais difícil se manter na alienação. E no mestrado escorreguei para temas políticos e sociais, e depois de umas leituras e reflexões, passei a questionar conceitos arraigados. Muitas das pessoas que se encaixavam no meu padrão "exemplo a seguir" na realidade não se preocupam realmente com problemas sociais, não além da superficialidade confortável, exigida socialmente. Seu senso de justiça são normalmente fracos e deturpados. Falam de amor e compaixão ao próximo, mas ao serem questionadas sobre o elevado padrão de consumo atual baseado em trabalho escravo, apropriação dos recursos naturais e poluição (que prejudica muito mais os pobres), se esquivam e buscam argumentos inimagináveis com a finalidade de te desacreditar. Se questiona-se a propriedade privada então... ai o assunto fica tenso. Ainda que Jesus tenha posto esses questionamentos na mesa.
Por contrapartida, certos rebeldes, Rage Against the Machine, composições de RAP que eu outrora classificaria como perturbadoras da paz e harmonia (assim como meu irmão), trazem um profundo senso de justiça, que se revolta perante as barbáries sociais. Não barbáries produzidas de modo fútil para a manutenção da sociedade do espetáculo, mas a barbárie sistêmica. Ainda me incomodo com o som agressivo do metal ou RAP, mas as letras comumente (sem generalização) agregam mais, espiritualmente, do que cânticos religiosos.
Esse ano meu natal foi profundamente ressignificado. Graças a essas manifestações espontâneas e indignadas ao redor de todo mundo, foi impossível não questionar o que eu chamo de vandalismo, o que penso de destruição, violência e justiça. Eu que tive uma educação totalmente conservadora, que ainda me considero cristã me vi simpatizando com jovens que enfiaram estátuas sacras no cu (questionando a opressão sexual religiosa), que queimaram manequins (questionando a justiça - social e ambiental - dessa sociedade baseada no consumo), que queimaram bancos (esse sistema financeiro é o melhor que conseguimos? é bom pra quem?), que gritaram não vai ter copa (pessoas, a quem historicamente se tem negado, foram despejadas, agredidas para a construção de estádios de futebol de primeiro mundo, com verba pública capaz de revolucionar o SUS), que ocuparam espaços teoricamente públicos (causando "transtorno" para os que não foram despejados).
De fato, o mundo acabou em dezembro de 2012. Isso, que vemos iniciando nesse ano não é "normal". Isso é um convite explícito para que te dispas de certos paradigmas que, no momento, só serão capaz de promover desgraça. Pare de pensar como se crescimento econômico ilimitado fosse uma possibilidade porque não é. Ainda agora temos barbáries acontecendo, como a expulsão de indígenas em nome do crescimento econômico sem fim, e os condena ao suicídio coletivo. Como o caso do projeto de irrigação em Apodi. E inúmeras outras. Mas, para quem traz um pouquinho de altruísmo no peito, desejo
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| Árvore da coca-cola no México repaginada. |
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Considerações sobre o Fim do Mundo!
Recebi uma ligação que me deixou um pouco desconfortável, num conversa informal, meu interlocutor reascendeu a possibilidade dos "três dias de escuridão". Eu, tentando fugir das minhas obrigações rotineiras, me desviei do meu foco e fui "googlear" a cerca do tal acontecimento.
Bem, li alguns blogs, que traziam mensagens ditas do mestre Ramatis. Algo realmente perturbador, começando por escancarar o "caos" em que nos encontramos, o materialismo exacerbado, a maldade, etc. seguiam nos precavendo para catástrofes e tudo o mais.
Buenas, apesar da pressão tecno-científica de se evitar crenças, eu penso que a ciência em si é um crença, ou temos alguma certeza absoluta? Como tivemos durante séculos da geração espontânea?
Ok, então, partindo do pressuposto que eu possa crer, sem provas concretas. Eu acredito que o planeta possa mesmo estar passando por uma transição. Mas acredito que seja algo muito mais suave e menos dramático do que os tais três dias de caos, ondas gigantes, fome e suicídios generalizados. Na minha humildíssima opinião, espírita, ambientalista e acadêmica, o melhor livro de predições é "Os Limites do Crescimento".
Vou lhes descrever o apocalipse que deslumbro: os recursos renováveis e não renováveis se tornarão escassos e economicamente inviáveis, o que irá causar uma pequena perturbação no sistema capitalista, a produção de alimentos em escala local terá que ser incentivada como melhor alternativa para segurança alimentar, o que ocasionará a emancipação das localidades. Cada uma das localidades se sentirá empoderada de maneira a decidir como se autogerir, e perceberão que um sistema de competição não favorece o bem estar social, sendo assim a derradeira ruína dos conceitos capitalistas que incentivam a competição e individualismo.
Dizendo assim não parece muito apocalíptico. Mas, certamente já estamos passando por uma profunda transição, por sorte não estamos nos dando conta, e eu espero mesmo que não haja quedas bruscas de produção. Eu espero que os que gostam de dinheiro e status consigam se transformar e apreciar o novo mundo. Os sinais dessa mudança na minha opinião são latentes, MUITAS pessoas abrindo mão
espontaneamente de buscar e acumular bens materiais, cultivando hortas, desenvolvendo projetos, agroecologia, horta comunitária, ecovilas. Essas ações são menos perceptíveis em grandes centro urbanos, mas pululam pequenas cidades, como a qual tenho o privilégio de morar. Nesse novo mundo poderemos finalmente nos dar conta de que o amor importa mais do que moda, roupas, carro, luxo. Perceberemos que o prazer de viver não reside em bens materiais.
Essa é minha visão apocalíptica particular a qual divido com vocês, e a qual espero que se concretize, pois, pode ser que eu também esteja sendo dramática e o sistema atual se aprimore, como vem ocorrendo desde que eu adquiri consciência. Nesse cenário, teremos inovações tecnológicas, que possibilitarão que a produção continue aumentando sem detonar o planeta. Isso é, poluindo menos, reaproveitando matéria prima, utilizando energia renovável, etc. Seguirá havendo desigualdade social e privilegiados, os que adquirirão os produtos mais modernos e tals. E seguirão havendo excluídos socialmente, com "programas de inclusão" ligeiramente mais sofisticados e assim a de eterno.
Bem, li alguns blogs, que traziam mensagens ditas do mestre Ramatis. Algo realmente perturbador, começando por escancarar o "caos" em que nos encontramos, o materialismo exacerbado, a maldade, etc. seguiam nos precavendo para catástrofes e tudo o mais.
Buenas, apesar da pressão tecno-científica de se evitar crenças, eu penso que a ciência em si é um crença, ou temos alguma certeza absoluta? Como tivemos durante séculos da geração espontânea?
Ok, então, partindo do pressuposto que eu possa crer, sem provas concretas. Eu acredito que o planeta possa mesmo estar passando por uma transição. Mas acredito que seja algo muito mais suave e menos dramático do que os tais três dias de caos, ondas gigantes, fome e suicídios generalizados. Na minha humildíssima opinião, espírita, ambientalista e acadêmica, o melhor livro de predições é "Os Limites do Crescimento".
Vou lhes descrever o apocalipse que deslumbro: os recursos renováveis e não renováveis se tornarão escassos e economicamente inviáveis, o que irá causar uma pequena perturbação no sistema capitalista, a produção de alimentos em escala local terá que ser incentivada como melhor alternativa para segurança alimentar, o que ocasionará a emancipação das localidades. Cada uma das localidades se sentirá empoderada de maneira a decidir como se autogerir, e perceberão que um sistema de competição não favorece o bem estar social, sendo assim a derradeira ruína dos conceitos capitalistas que incentivam a competição e individualismo.
Dizendo assim não parece muito apocalíptico. Mas, certamente já estamos passando por uma profunda transição, por sorte não estamos nos dando conta, e eu espero mesmo que não haja quedas bruscas de produção. Eu espero que os que gostam de dinheiro e status consigam se transformar e apreciar o novo mundo. Os sinais dessa mudança na minha opinião são latentes, MUITAS pessoas abrindo mão
espontaneamente de buscar e acumular bens materiais, cultivando hortas, desenvolvendo projetos, agroecologia, horta comunitária, ecovilas. Essas ações são menos perceptíveis em grandes centro urbanos, mas pululam pequenas cidades, como a qual tenho o privilégio de morar. Nesse novo mundo poderemos finalmente nos dar conta de que o amor importa mais do que moda, roupas, carro, luxo. Perceberemos que o prazer de viver não reside em bens materiais.
Essa é minha visão apocalíptica particular a qual divido com vocês, e a qual espero que se concretize, pois, pode ser que eu também esteja sendo dramática e o sistema atual se aprimore, como vem ocorrendo desde que eu adquiri consciência. Nesse cenário, teremos inovações tecnológicas, que possibilitarão que a produção continue aumentando sem detonar o planeta. Isso é, poluindo menos, reaproveitando matéria prima, utilizando energia renovável, etc. Seguirá havendo desigualdade social e privilegiados, os que adquirirão os produtos mais modernos e tals. E seguirão havendo excluídos socialmente, com "programas de inclusão" ligeiramente mais sofisticados e assim a de eterno.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Los Mensajes de Los Sabios
Eis que decidimos fazer uma grande viagem, meus pais, meu amor e eu. Para minha satisfação pessoal teríamos que ver os Andes e o Pacífico, meu pai fazia questão de conhecer o sul do Chile. Assim, partimos a bordo de um peugeot por um caminho de 8.000 Km... Sim, é km pra caramba, e para me distrair levei o livro que estava lendo: Férias... é uma leitura simples e logo terminei. Em Santiago minha mãe me mostrou muito contente o livro que havia comprado, em espanhol para treinar: Los Mensajes de Los Sabios, de Brian Weiss. Como esse é o autor de Muitas vidas, muitos mestres que minha sogra adora, resolvi folhá-lo para me distrair da paisagem monótona e desértica das estradas Argentinas.
O autor é um psiquiatra adepto da regressão para curar as pessoas por meio do reconhecimento de que somos almas divinas e imortais, assim, não há razão para temer ou entristecer nessa vida. Vida essa que nada mais é que um exercício, uma disciplina como tantas que cursamos na universidade.
Estamos aqui para aprender e não para sofrer, a lição principal é o amor incondicional. Assim, a forma de tratarmos os demais é infinitamente importante, muito mais do que acumulo material. Podemos estar sujeitos a influencias hormonais ou padrões comportamentais, mas essas tendências podem ser superadas com a tomada de consciência. Devemos dedicar tempo e energia a outra pessoa, dedicar toda nossa atenção e consciência à relação e seus problemas, a relação é mais importante que a televisão, que essa revista, que esse artigo. É extremamente importante respeitar a felicidade do próximo, nunca dizer nada que possa diminuir essa felicidade, comunicar-se sem julgar, sem criticar.
Temos que nos livrar do medo, todo e qualquer medo. O medo faz com que nos isolemos, ergamos um muro ao nosso redor. Normalmente, temos medo do que os outros podem pensar a nosso respeito, de como nos julgarão, medo de fracassar. Não há porque ter medo se nos abrirmos ao amor incondicional e anularmos nosso ego.
Numa tradução livre segue um trecho:
“Seja mais espiritual. Dedique mais tempo a rezar, a dar, a ajudar aos demais, a amar. Expresse generosidade e amor. Livre-se do orgulho, do ego, do egoísmo, da raiva, da culpa, da vaidade e da ambição. Passe menos tempo acumulando coisas, preocupando-se, pensando no passado ou no futuro, causando dano aos demais ou demonstrando qualquer tipo de violência.
Não aceite nenhuma idéia antes de questioná-la com sua intuição. É algo que fomenta o amor, a bondade, a paz e a união? Ou algo que promove a separação o ódio, o egocentrismo e a violência?
Você é imortal e está aqui para aprender, para saber mais, para ser divino. O que aprender aqui seguirá com você após a morte, não poderá levar nada mais. O reino do céu está em nosso interior. Deixe de buscar gurus, em vez disso busque a si mesmo. Não tardará a encontrar seu próprio lugar.”
Eu tenho muita dificuldade em saber o que é Deus, mas acho que é o amor, essa poderosa energia que flui por tudo. Está dentro de nós, e quando dizem as características de deus eu encaro como sendo minhas próprias, e que eu só preciso manifestá-las. Todos podemos ser misericordiosos, bons, etc...
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Mesquinhez!
Nessa segunda-feira no estudo espírita nosso instrutor causou polêmica:
- Todo ser humano é mesquinho, os motivos que nos movem são extremamente egoístas.
Bem, é óbvio que por mais que saibamos o quanto estamos longe da perfeição, todos nos esforçamos pra fazermos o melhor possível e não gostamos de ouvir que somos mesquinhos.
Diante de tanto contestamento ele continuou:
- Vocês estão aqui por se preocuparem com a vida após a morte, não querem sofrer, e temem por isso, pelo bem estar próprio.
Bom, eu fiquei muito feliz pois não foi por isso que busquei um centro espírita. Uma colega, muito contrariada falou com um tom de revolta:
- Então muito melhor ser ateu, eu conheço ateus que fazem bondade e não é pensando na outra vida.
Ele respondeu que ateus não aceitam algo que esteja acima deles, eu não acho isso bem verdade. E como ele insitia em afirmar que todo motivo é mesquinho, sai da minha zona de conforto e comecei me questionar onde estaria minha mesquinhez.
Bem, eu não busquei um centro espirita aspirando vantagens extraterrenas, pra mim minha morte está tão distante que não consigo me planejar tanto assim. Mas, tão pouco fui esperando ajudar as pessoas e fazer caridade. Eu fui por sentir uma inquietação insuportável, aí reside minha mesquinhez, só me preocupo comigo antes de tomar qualquer atitude. Não me orgulho disso, mas reconheço a dificuldade em alterar esse quadro.
- Todo ser humano é mesquinho, os motivos que nos movem são extremamente egoístas.
Bem, é óbvio que por mais que saibamos o quanto estamos longe da perfeição, todos nos esforçamos pra fazermos o melhor possível e não gostamos de ouvir que somos mesquinhos.
Diante de tanto contestamento ele continuou:
- Vocês estão aqui por se preocuparem com a vida após a morte, não querem sofrer, e temem por isso, pelo bem estar próprio.
Bom, eu fiquei muito feliz pois não foi por isso que busquei um centro espírita. Uma colega, muito contrariada falou com um tom de revolta:
- Então muito melhor ser ateu, eu conheço ateus que fazem bondade e não é pensando na outra vida.
Ele respondeu que ateus não aceitam algo que esteja acima deles, eu não acho isso bem verdade. E como ele insitia em afirmar que todo motivo é mesquinho, sai da minha zona de conforto e comecei me questionar onde estaria minha mesquinhez.
Bem, eu não busquei um centro espirita aspirando vantagens extraterrenas, pra mim minha morte está tão distante que não consigo me planejar tanto assim. Mas, tão pouco fui esperando ajudar as pessoas e fazer caridade. Eu fui por sentir uma inquietação insuportável, aí reside minha mesquinhez, só me preocupo comigo antes de tomar qualquer atitude. Não me orgulho disso, mas reconheço a dificuldade em alterar esse quadro.
sábado, 7 de maio de 2011
Graus de Consciência
"Não podemos dizer que possuímos três cérebros simultâneamente. Temos apenas um que, porém se divide em três regiões distintas. Tome-lo como se fosse um castelo de três andares: no primeiro situamos a "residência de nossos impulsos automáticos", simbolizando o sumário vivo dos impulsos realizados; no segundo localizamos o "domicílio das conquistas atuais", onde se erguem e se consolidam as qualidades nobres que estamos edificando; no terceiro, temos "a casa das noções superiores", indicando as eminências que nos cumpre atingir. Num deles moram o hábito e o automatismo; no outro residem o esforço e a vontade; e no último demoram o ideal e meta superior a ser alcançada. Distribuímos, desse modo, nos três andares, o subconsciente, o consciente e o superconsciente. Como vemos, possuímos, em nós mesmos, o passado, o presente e o futuro."
Do livro: No Mundo Maior
de Francisco C. Xavier.
ditado por André Luiz
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Deus.

Eis um tema delicado, que eu muito preferiria deixar apenas para minha caixola... Entretanto, fiquei sabendo da história de um rapaz: ele foi criado como católico e achava um absurdo as pessoas não acreditarem em Deus, acontece que ele cresceu, passou por experiências que todos passamos, começou a trabalhar e não pensou mais no assunto, até que sua mãe apresentou um câncer. Bom, essa é uma doença de fato muito da desagradável, tanto que o fez desacreditar em Deus, afinal uma mulher tão boa quanto a sua própria mãe não poderia passar por aquilo.
Tá, na hora eu pensei, faz sentido, ele pensou, minha mãe é boa e não é justo que passe por isso, ou Deus não é justo ou Ele não existe. Tudo bem coitado, acho que essa revolta interna e silenciosa deve acontecer com muitas pessoas... Mas aquilo ficou em mim, algo estava errado, tinha de estar, e eu fiquei remoendo a situação.
Ei, espera aí... o cara era católico, ele conhecia a história de Jesus e mesmo assim acreditava num Deus justo, então quer dizer que o filho de Deus, exemplo máximo de ser humano pode sofrer horrores que tudo bem, mas a mãezinha dele, aí não... interessante...
Isso sem contar que nos muitos livros espíritas que li a doença pode ter várias causas, e aparentemente nenhuma delas é injusta ou descabida. É óbvio que passar por uma provação dessa não deve ser nada fácil, mas temos que enfrentar os problemas com resignação.
Eu pensei ainda, se você fosse Deus, seja lá Isso o que for, e você quisesse ensinar a uma pessoa a virtude da paciência, por um acaso você a colocaria num mosteiro isolado nas montanhas indianas? Onde ela jamais teria a oportunidade de usar de sua paciência? Ou colocarias ela no centro de São Paulo como atendente do SUS, ou como ouvinte de reclamações no telemarketing?
Sei lá, prefiro pensar que estamos aqui para aprender e evoluir, e todo problema é uma oportunidade de praticar nosso aprendizado.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
O Vôo da Gaivota.

Eu me descobri uma espiritualista espírita! rs... Minha mãe sempre me contou 1000 histórias espíritas, portanto eu, que prestava particular atenção ao que era dito, sempre tive uma inclinação à tal filosofia.
Minhas experiências particulares foram poucas, talvez pela minha ignorância e imenso medo. Eu não lembro qual veio primeiro, mas, certa vez dormindo no quarto que minha falecida avó costumava dormir, eu acordei de repente (o que é mto raro, uma vez que meu tipo de sono é o pesado/profundo), eu fiquei deitada de lado, tentando imaginar o que fazia eu de olhos abertos, então eu ouvi, uma respiração, alta e forte, de alguém que dormia de boca aberta,como a de minha avó, quando ela dormia. Eu pulei da cama e sai correndo do quarto, na sala a respiração era igual, como se viesse de todos os lugares, prestei atenção pra ver se não estava confundindo com a do meu pai, mas não, o ronco dele estava lá, competindo com a respiração misteriosa... rs... Me afastei até a janela, onde não podia ouvir nada e rezei um pai-nosso (minha oração mor) e então, não ouvia mais a respiração, só o ronco do meu pai.
A outra experiência, não foi exatamente minha, mas foi para mim, bom veja você. Eu estava no segundo colegial e resolvi por as “asinhas de fora”, eu não sabia o que eu era (ainda não sei exatamente o que sou, mas sei o que não sou) e saia com umas amigas em busca de... bem, em busca de mim mesma, talvez. Meu papo com a minha mãe não era exatamente uma beleza, mas certo dia ela chegou assustada perto de mim e me disse:
- Keith, eu estava orando, quando algo dentro de mim disse para pegar uma caneta e um papel, e então, eu escrevi isso.
No papel dizia: Lídia, fala pra Keith que o fim pra quem usa drogas é a morte morte MORTE. E as letras iam ficando maiores e mais fortes. Nunca me esqueço, guardei o papel, mas já não sei onde está.
Enfim, gosto de ler, descobri isso no vestibular e desde então sempre ando com um romance na mochila, fuço a biblioteca da facul de cabo a rabo, e os livros se candidatam para serem lidos por mim, tenho uma quedinha por psicologia e estava nessa estante quando esbarrei no livro Violetas na Janela, adorei, achei fantástico ler um livro de alguém que já tinha passado pelo que eu mais temia na vida. Passei a ler livros desse tipo e quando estava com algum conhecimento minha tia “desencarnou”, penso como seria mais difícil se eu não tivesse esse conhecimento.
Às vezes me considero realmente sortuda. Fiquei muito grata por como as pessoas estão reagindo a essa minha nova filosofia, ninguém ainda me chamou de esquisita ou maluca por isso, e inclusive acho que pude, de alguma forma, ajudar meu pai. Ele realmente gostava dessa irmã, mas eu não sei como é o relacionamento dele com Deus, expus minha opinião, acho que ele gostou, acho que se acalmou. Ninguém na família leva mto a serio a religiosidade exagerada da minha mãe, e ninguém expressa nenhum outro tipo de espiritualidade.
O que eu gosto no espiritismo é, além de tudo, o novo conceito de bondade. Já expressei aqui o que eu acho sobre ser bom. Mas, esse livro (O Voo da Gaivota) vai além e eu fiquei realmente surpresa. Em um ponto do livro em que ela conta a história de um médico nazista que fazia experiências em um campo de concentração, as experiências eram realmente cruéis e eu nem consegui ler, quando ele desencarnou, claro, muitos dos que ele havia afetado ficaram esperando por ele no umbral e passaram anos o atormentando, até que ele pediu ajuda. Simplesmente isso, você está me entendendo? Ele pediu sinceramente ajuda, e foi respondido. É um conceito novo, as suas vítimas sofreram, mas não evoluíram, quiseram vingança. É bom saber que tem um Deus,pelo menos o meu Deus, que não tem regras lineares, não tem o fazer isso pra receber aquilo, o assunto aqui é bem mais amplo. É disso que eu gosto.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
O Bem Sem Olhar Aquém.
A sociedade tem como dever a educação das crianças, ensinar-lhes valores e tudo o mais . No assunto que quero tratar, acertaram na minha educação: TEM-SE QUE FAZER O BEM. Porém, acredito não terem sido felizes na argumentação utilizada. Me alegaram que se eu fosse uma pessoa boa Deus ficaria feliz e eu seria recompensada. Justo!
Aceitei a idéia e assim continuei crescendo e questionando. Observei que a vida em muito se difere das novelas globais, vi “mocinhas” se darem mal e “vilãs” bem. Claro, não é possível rotular as pessoas, mas, grosso modo ser bom não é receita infalível ao sucesso. Vide Jesus e Barrabás (Deus et al, 0 absoluto). Aqui se faz, aqui se paga? Sinceramente? Duvido muito.
Continuei questionando, e sem peso na consciência, agia como bem entendia, mas, algo em mim me impelia a fazer boas ações. Cheguei na juventude e meus conflitos internos começaram a se resolver. Sim, deveria fazer o bem; sim, Deus (seja lá o que for isso) ficará feliz; mas, não, não vou ganhar na loteria por causa disso. Não acredito que tenha alguém no alem responsável por distribuir dádivas conforme nossa contribuição em boas ações. Não acho que o bem deva ser usado como instrumento de barganha: ajude o meio ambiente e conquiste a saúde plena. Esse pensamento pode ser perigoso, pois, se alguém faz o bem e se defronta com problemas (o que é muito comum) se rebela e critica a justiça divina, que nada tem a ver com isso.
Acredito que haja benefícios nas boas atitudes, não recebendo algo em troca, mas, na sensação de bem estar, aquela leveza, alegria e satisfação que se instala depois. É por isso que se tem que ser bom, só por isso! Acredito que haja algo que transcende nossa realidade, um Deus que seja, mas, se Ele não bate a nossa porta para nos esclarecer as coisas e se nos deixa a deriva num mundo dominado por sensações é para as usarmos.
Então, sinta-se bem, faça o bem!
Aceitei a idéia e assim continuei crescendo e questionando. Observei que a vida em muito se difere das novelas globais, vi “mocinhas” se darem mal e “vilãs” bem. Claro, não é possível rotular as pessoas, mas, grosso modo ser bom não é receita infalível ao sucesso. Vide Jesus e Barrabás (Deus et al, 0 absoluto). Aqui se faz, aqui se paga? Sinceramente? Duvido muito.
Continuei questionando, e sem peso na consciência, agia como bem entendia, mas, algo em mim me impelia a fazer boas ações. Cheguei na juventude e meus conflitos internos começaram a se resolver. Sim, deveria fazer o bem; sim, Deus (seja lá o que for isso) ficará feliz; mas, não, não vou ganhar na loteria por causa disso. Não acredito que tenha alguém no alem responsável por distribuir dádivas conforme nossa contribuição em boas ações. Não acho que o bem deva ser usado como instrumento de barganha: ajude o meio ambiente e conquiste a saúde plena. Esse pensamento pode ser perigoso, pois, se alguém faz o bem e se defronta com problemas (o que é muito comum) se rebela e critica a justiça divina, que nada tem a ver com isso.
Acredito que haja benefícios nas boas atitudes, não recebendo algo em troca, mas, na sensação de bem estar, aquela leveza, alegria e satisfação que se instala depois. É por isso que se tem que ser bom, só por isso! Acredito que haja algo que transcende nossa realidade, um Deus que seja, mas, se Ele não bate a nossa porta para nos esclarecer as coisas e se nos deixa a deriva num mundo dominado por sensações é para as usarmos.
Então, sinta-se bem, faça o bem!
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