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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Noiva do capital

Essa semana a empresa de transporte público provou que seu lema é "lucra bem para lucrar mais".


Curiosamente, os pontos de descida foram removidos. O ponto em que mais se descia gente, onde formava uma certa muvuca, foi o que mais causou estranhamento. De um dia para o outro o ponto não tava mais lá. "Vai descer" grita a galera do fundão. "Num tem mais ponto" responde o motorista mau humorado, emendando um "parece burro".

Simples assim. Que eu tenha conhecimento, dois pontos de descida foram subtraídos sem aviso, sem explicação. Deixando uma enorme distância a ser percorrida. Passageiro descendo não dá lucro, o lucro é com quem sobe. E afinal, conspiração de minha parte, a região do Guanabara vem investindo fortemente numa limpeza social. Afastando os pobres, tirando da vista. Muda a rodoviária, subtrai um ponto.

Na semana passada descobrimos que o ônibus das 12:50 agora é das 12:55. Ontem, chegamos na rodoviária e às 12:55 nada de ônibus (cassino - furg). Ia saindo um para o centro, perguntamos ao motorista "Deve estar chegando" e foi-se embora. Melhor pedir informação: "Num tem mais esse ônibus porque é férias". Simples assim, na quarta tem ônibus, na quinta não. Entramos no centro, digo o que chama Cassino, mas curiosamente vai para o centro. Ao longo do caminho sobe ao menos 13 estudantes que não sabiam, mas estavam de férias. Estudante já paga meia, para dar (muito) lucro precisa de estudante pra caramba. Com isso todos ficaram sem almoço...

Na volta decidimos nem arriscar esperando o furg-cassino. Fomos na faixa e pegamos o Cassino que aí sim, de fato vai para o cassino... Lo-ta-do. Respirei fundo, e me enfiei tentando achar algum espaço. E o motorista curiosamente segue parando nos pontos e apanhando gente. "Tá lotado motora". Começa a massa amontoada se manifestar. "Só mais cinco" responde o motorista para minha enorme surpresa. E não é que entra mais 5 mesmo? E dos grandes!

Só que é humanamente impossível e extremamente desagradável atravessar o ônibus para descer. E então, as pessoas que estão desconfortavelmente exprimidas na parte da frente se esforçam para alcançar a catraca, pasmem, pagam sua passagem, giram a catraca e descem pela frente, a cobradora grita "girei pra moça"! Essa é uma metodologia que não faz absolutamente nenhum sentido para mim!

E as cinco pessoas grandes que haviam entrado, logo (uns 5 pontos depois) vão descendo. "Eeeeei, mas vocês pagaram a passagem?" silêncio. Gritando para cobradora "Você cobrou desses cinco?" "Só recebi da menina e da senhora". Não me contive "Deixa descer, eles nem entraram no ônibus". Segui argumentando com 2 homens que pareciam concordar "não faz falta, essa empresa já lucra os tubos na nossa costa". Alguém pagou as passagens, possivelmente um cidadão de bem que acredita que a caridade é a salvação...

A cobradora pareceu ficar meio de cara comigo e dava indiretas dizendo que já tinha espaço no fundo, fica na frente porque quer, quer atrapalhar mesmo, resmungava. Não consegui ver o espaço atrás, apesar de ter ouvido bastante gente descer, e nem consegui identificar porque eu deveria passar pra trás. De todo modo eu fui, afinal queria ficar perto do meu companheiro. "Tem que ter mais ônibus, esse horário é sempre cheio, fica ruim até pra vocês, mto estresse" falei no tom mais simpático que consegui achar. "Num sei porque tá cheio, ontem mesmo veio vazio" respondeu mais calma.

Depois de ter passado o dia inteiro desejando que o presidente dessa joça fosse afetado de alguma forma. Imaginar o iate dele naufragando e deixando ele com frio e fome por uma semana. Depois de mentalizar todos os escritórios pegando fogo, graças a molotov. Depois de sentir vontade de tacar fogo naquele ônibus. Depois de desejar ardentemente que cada realzinho de lucro que entrasse no bolso algum tonto trouxesse um desagrado. Enfim, depois de mirar encima comecei a pensar porque razão os motoristas e cobradores fazem tanta questão de assegurar o lucro do patrão?

Imaginei o condicionamento mental que paira pela empresa. "Num dá pra por 'lotado', pensa naquelas pessoas no ponto, elas esperam pelo transporte para chegar nas suas casas." Ou ainda "tem muita gente ignorante e mal educada que pega o ônibus". Só pode de algum modo haver uma coação muito grande que faz com que o trabalhador se identifique mais com o patrão que com os usuários. E comecei a desejar algo muuuito mais interessante do que uma doença maligna num idiota qualquer. Comecei a imaginar os e as motoristas, e os e as cobradoras passando a adquirir consciência de classe. Imaginei eles/elas de alguma forma se apropriando de Marx, pensando de maneira crítica seu papel na sociedade.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Paredes Imaculadas

Objetivamente pretendo dissertar um pouco sobre paredes. Isso é "obra, ger. de alvenaria, que fecha as partes externas de um edifício e estabelece suas divisões internas" segundo Houaiss (2009). Eis que meses atrás as paredes do DCE que eram imaculadamente monocolores e estéreis começaram a exibir palavras, frases, desenhos e coisas do tipo, primeiro por dentro, depois do lado de fora a frase "FURG aristocrática" acabou imersa num mar de reivindicações, protestos e descontentamento. Ideias, por meio de frases e palavras de diversas letras, cores e sentimentos passaram a "decorar" e cobrir as estéreis paredes do prédio do Movimento Estudantil.

Me senti emocionadamente feliz! Quer dizer, na realidade fiquei só um pouquinho frustrada, pois tenho diversas sugestões, e acho que deve ser uma sensação muito tri expor uma ideia numa parede, fiquei triste de não ter participado, ainda dá tempo, quem sabe? Adorei, pela primeira vez, ficar na imensa fila do RU lendo e refletindo sobre cada mensagem exposta. Até que tive contato com o mundo real e acordei:

- Nossa, vc viu o que fizeram com o prédio do DCE?
Abri um sorriso imenso e satisfeito, antes de responder o interlocutor continua:
- Que horrível, não pode isso, pixar é crime, está depredando um bem público...
As queixas continuaram enquanto eu tentava entender o que estava acontecendo. Ao que parece palavras em paredes deixam as pessoas realmente furiosas e indignadas. Será que elas leram o que estava escrito?
- Nossa, que horror, nossa universidade é tão linda, imagina o que as pessoas vão pensar quando vierem aqui e ver esse prédio?
- Se quer reclamar tudo bem, mas que fizessem uma arte, um graffiti, aí sim!
- Foi um grupo pequeno que impôs sua vontade de maneira tirânica.
- Imagina se fosse na sua casa?
- Ninguém gostou.
E a lista de queixas se prolonga. As conversas foram praticamente monopolizadas, sobre o horror da pixação.

Ao que tudo indica a aparência é fundamental, e tudo tem que parecer bonito e comportado, em conformidade com padrões vigentes, não pode fugir a regra, e a regra é clara: tudo muito estéril e controlado como shopping center ou casa de novela.

Um ponto interessante que me informaram é que o DCE (cuja chapa eleita chama-se Contra-Corrente) pretendia fazer um graffiti no prédio, foram se informar sobre como proceder e descobriram uma burocracia do tamanho de um bonde que envolvia apresentação prévia da arte para aprovação do engenheiro (espero que não seja o mesmo indivíduo que nos deixa tomando chuva e cheirando fossa na fila do restaurante, bem como nos obriga a fazer curvas e manobras desnecessárias que aumentam o trajeto...) o que além de autoritário demoraria muito.

Latuff passou pelo ME!
Em uma nota o DCE afirma que as intervenções internas partiram de uma oficina de stencil (ou estêncil, uma arte de pixar com modelos pre-concebidos, tipo carimbo), e que as manifestações explícitas não representam o interesse dos membros dessa gestão, que a principal participação no ato teria sido a não coibição.

É bem interessante como o belo e o feio, a arte e o crime se confundem conforme a posição ideológica. Eu tenho profunda admiração por diversas mensagens pixadas pela cidade. O ciclista voador, "Você já acordou hoje?", "O que estamos fazendo", "Só o capital é livre", "Aqui jaz" (sobre a plaquinha de identificação de uma arvore que foi de maneira inexplicada cortada), "A burguesia fede", "mais amor por favor". Na minha concepção são intervenções que furam o "véu de Ísis" e rompem com o mecanicismo com o qual conduzimos nossa rotina. E o que mais me agrada: ninguém está lucrando!

Pedir que se façam uma arte de protesto é estranho, pq não se pode chamar essa intervenção de arte? Eu confesso que algumas frases me desagradam. Mas não é para mim, não é sobre a minha pessoa, é sobre um coletivo e seus diversos posicionamentos. E isso torna lindo. A capacidade de ver além da aparência. Minha mãe dizia que amava ver aquelas lindas chaminés soltando fumaça, ah sim, ela poderia tirar foto, pois para ela aquilo representava o progresso, uma nova possibilidade de vida, um mundo com trabalho menos duro. Bem, acredito que concordamos sobre o quão repugnante e revoltante é ver uma chaminé tóxica e fedorenta poluindo nossa atmosfera e liberando câncer e doenças diversas em potencial...
A beleza do progresso ou o horror da destruição?

Ademais, estamos falando de um prédio do Movimento Estudantil. Que tinha cara de postinho de saúde do SUS... Houve uma apropriação do espaço, que exibe agora a dinâmica e a irreverência que se propõe o espaço. Os frequentadores que já eram, em sua maioria subversivos, sentem-se mais a vontade no espaço, e consequentemente se expressam de modo mais livre, dando vida ao Movimento. Os que reclamam, pelo menos para mim, nunca entraram e possivelmente nunca entrarão nesse prédio, nem "perderão" seu precioso tempo com discussões sobre direito dos estudantes e questionamentos sobre o papel da universidade na sociedade, ao interesse de quem ela tem servido, pelo menos não de modo engajado e contínuo.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O que estamos fazendo?

Hoje, meu primeiro dia de trabalho (na dissertação) do ano, lendo documentos da ONU, do IBAMA, reportagens, trabalhos e artigos acadêmicos, de economistas, sociólogos, oceanógrafos, entre outros fique um instante paralisada. Quem paga todos esses nobres intelectuais que, como eu (no momento), dedicam sua alma na causa da pesca? Quem sustenta ONGs que se indignam com o declínio dos estoques? Quem trabalha no plano real, e não virtual, afinal?

E porque separar pescadores dos gestores e intelectuais? Pq não usar toda essa verba que sustenta teses, dissertações, infindáveis leis e documentos de ONU, MPA e IBAMA e investir na infraestrutura de vilas pesqueiras? Unidades educacionais agradáveis com temas contextualizados abordando a questão da pesca, estudos de estoque. Investir em saneamento básico, unidades de saúde, píer amplo e seguro, áreas de lazer, esporte, cultura. Existe o dinheiro para isso, ele está sendo usado para fingir que intelectuais e gestores da pesca tem mais importância do que os pescadores. Várias vezes ao longo da dissertação me perguntava, mas o que eu estou fazendo nesse trabalho, eu nunca pesquei, nunca morei numa vila de pescadores, eu sequer compro peixe! Sem dúvidas, era o Loredi (pescador) que deveria estar ganhando essa bolsa e fazendo essa pesquisa, ou que pelo menos deveria ter uma condição de moradia como a minha, possibilidade de viajar com a família nas férias ou optar por tomar, ou não, haagen daz de sobremesa.

Vejo o grande esforço de René, na presidência da ong Terramar para salvar e certificar a lagosta pescada artesanalmente na Prainha do Canto Verde. Um esforço monstro envolvendo ONU (através do PNUMA), ongs europeias com experts em gestão e pesca de lagosta. E enquanto isso o modo de vida dos pescadores continua o mesmo, o acesso a informação ridiculamente limitado. E quem vai pagar o trabalho, e viagens de tantos experts? Me lembro de um trecho do livro Hell em que a autora, socialite francesa, vai ao restaurante e pede lagosta com as amigas, mas elas cheiraram tanta cocaína que não sentem fome, apenas bebiricam sua taça de cristal com champagne (orgânica e familiar, quem sabe?!) e vai embora, sem tocar na lagosta. 

Acho que a maior conclusão do meu trabalho é que é inútil. Esse debate de gabinete, de academia é uma forma de ser sustentada as custas dos trabalhadores braçais que são mantidos na ignorância e miséria para continuar sustentando ministérios, ongs, onu, pesquisadores, acadêmicos, cientistas, cursos, professores, laboratórios, projetos, reportagens, documentários. 

E no final das contas sabemos bem que no fundo, olhando sem medo e buscando a verdade a maioria das ocupações/trabalhos são inúteis mesmo. 

ps.: o título da postagem é uma pichação de Rio Grande, que não tenho paciência de fotografar, mas devo dizer que AMO os pichadores rio grandinos, profundamente!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A limpeza étnica e social

Balneário Cassino... o pouco que sei o balneário foi constituído para ricos usarem da hidroterapia, segundo meu professor de história havia a recomendação de 3 imersões totais pela manhã, às 6 horas da manhã. Havia bonde para trazer a elite, construiu-se nobres hotéis para atender o nobre público.

Atualmente, a estação de trem virou um museu esporádico, que às vezes abre no verão. O bairro, quando me mudei em 2007 era composto basicamente de estudantes e aposentados (alguns dos quais, imagino, com ares de antiga realeza), e tinha algumas lojinhas e restaurantes que em sua maioria abriam apenas no veraneio.

Por essa mesma época, Rio Grande recebeu a "grandessíssima oportunidade" de receber um pólo naval, capaz de sacudir a cidade e trazer a palavra tão querida desenvolvimento. Acontece que ou não sabem ou não querem saber que o que os tomadores de decisão chamam de desenvolvimento é na verdade crescimento. E então, fomos obrigados a assistir um dia após o outro a chegada de ônibus recheados pessoas em busca de uma boa oportunidade de emprego (mas, que na realidade são constrangidos a atuar como mão de obra barata oriunda da periferia de outros estados). Esses camaradas foram obrigados a dividir um quarto entre dez, e nós, pacatos cidadãos pudemos assistir os valores dos alugueis e imóveis triplicarem, obviamente sem nenhuma melhora na infraestrutura. Estrada perigosa, um mísero postinho de saúde, 2 escolas pequenas e precárias, ausência de rede de esgoto, transporte público caro e ineficiente e por aí a fora. Ou seja, um baita desenvolvimento.

Mas o show tem que continuar. E Rio Grande, crescendo como está atraiu para a nossa grande sorte e alegria (sqn) dois shoppings centers. E sabe como é, temos que repensar a cidade. Vista para o mar é algo que cativa. Uma das famílias que explora a cidade, digo que gera empregos, tem um terrenão na beira do mar dando sopa, já foi parque de diversões, já teve aqueles espaços de verão, é usado anualmente para a grande festa de iemanjá que atrai visitantes de todo o estado (uma classe de visitantes não muito bem vista pela elite). Por ali também funciona uma rodoviária que pessoas de baixa renda usam para se locomover. Para "valorização" (puramente econômica)  da região essa rodoviária já está sendo mandada para longe.

E segundo o presidente da ONG Nema, em 2011 o plano diretor do município foi alterado. Veja, havia um grupo de mais de 20 instituições trabalhando nesse plano, quando uma reunião a portas fechadas, composta por alguns membros desse conselho, alterou o plano (sem o consentimento das instituições que vinham trabalhando nele), e qual foi a alteração? Bem, se antes só se permitiam prédios de 4 andares na beira da praia, hoje podem-se erguer grandes edifícios de 16 andares. Mas, calma, apenas na região "polo 2", justamente onde por grande sorte do destino nossa querida família Guanabara tem o seu terreno!

E então, depois de 3 grupos projetarem CINCO PRÉDIOS DE 16 ANDARES NA BEIRA DA PRAIA, e divulgarem em imobiliárias, e colocarem outdoor  no terreno com contato (possivelmente estudando o mercado) houve ontem uma audiência pública, muito mau divulgada. E lá fui eu...

Ouvir que o cassino vai ter a oportunidade de ver um prédio moderno, com estudo paisagístico. E que haverão 600 vagas e mais de 1.000 moradores. Aberto para intervenção, as dúvidas iniciais foram sobre o esgoto, uma vez que o esquema em todo o bairro (com exceção de duas ruas) é por fossas. Segundo o empreendedor haverá ligação com a estação de tratamento, o que muito nos estranha, pois segundo uma moradora contemplada com esse tratamento disse que seu primo que mora a meia quadra da rede procurou a corsan, dizendo que pagaria a instalação necessária e obteve a resposta de que não seria possível ter seu esgoto tratado. Questionou-se também como seria o abastecimento de água e energia, uma vez que é muito comum haver interrupção destes. Num dos comentários o empreendedor disse que não cabe a eles resolverem esse problema. Acontece meu amigo, que se não há a possibilidade de atender o que já está o que dirá enfiar mais 1000 pessoas.

Diria eu que 99% dos presentes estavam extremamente descontentes com o empreendimento. Houve nas manifestações referências ao fato de que, usando um marketing da apresentação, o prédio seria o céu dos moradores e o inferno dos cassinenses. Isso porque quem mora a 40 anos aqui e está acostumado a abrir a janela do segundo piso e ver o mar, vai agora ter a oportunidade de ver uma moderna parede. Quem surfa, caminha, anda ou pedala pela praia vai poder ver de qualquer lugar o belíssimo empreendimento, que vai fazer uma sombra monstruosa na já tão fria praia. Além de canalizar o vento e oprimir os transeuntes, mas segundo o empreendedor, até as árvores estão acostumadas, quando uma cresce mais faz sombra, e elas convivem harmoniosamente, oras.

Os corretores também se manifestaram, quando muitos questionaram o valor dos imóveis que seria para poucos e em nada iria resolver o deficit habitacional da cidade, que está tenebroso, como disse, os aluguéis caríssimos proibitivos para quem vive com um salário mínimo. A resposta foi "não sejamos ingênuos, essa área tem um valor maior", a corretora ainda disse que estávamos (nós que nos opomos ao empreendimento) sendo egoístas, pois já temos nossa residência e tem muito estudante que a procura para comprar algum imóvel (possivelmente não no valor de 400.000 reais, mas enfim). E uma sra megablaster reacionária ainda disse que esse empreendimento traria oportunidade de emprego para os que não tem educação para serem mais do que faxineiros mesmo. Bem, a oposição não é exatamente de que se construa novas moradias (embora esse inchaço não esteja sendo nada positivo), que se fizessem prédios menores, como os que já pululam no bairro, ou afastados do mar. Mas, se apropriar da praia, da vista dessa forma?! Qual o ponto mais positivo do Cassino que não sua atmosfera tranquila? Agora um alô para reacionaríssima amiga do HU...

Minha senhora, se tu e uns tantos pensam que remover a rodoviária e criar uma atmosfera hostil vai fazer com que os não herdeiros (ou pobres) fiquem afastados, quietinhos em suas casas, que aceitem pacificamente sua exclusão, e venham apenas para trabalhar, em péssimas condições como já ouvi inúmeras queixas, nos caixas do super guanabara, ou fazer a faxina no prédio guanabara, ou recolher o coco do cachorro da sra e de suas amigas, me desculpe, mas acredito que a sra vive num mundo que não existe.
Favelização semelhante marca a história de toda nossa costa, tendo morado no Rio de Janeiro a sra deveria saber. E o resultado é apenas o óbvio aumento da violência. E pode erguer muro, colocar cerca elétrica, câmaras, segurança particular, chamar o diabo, nada adianta. Porque é um cenário de exclusão construído para isso. Pensar num bairro zoneado entre ricos com acesso a infraestrutura e pobres (que, meu deus, vocês que reclamam das ruas do cassino, já andaram no querência depois de chuva?!) e pensar que a única relação pacífica será o agradecimento pela oportunidade de servir de mão de obra é NOJENTO.

ps.: a audiência pública foi de caráter consultivo. ou seja, cerveja!

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Respeitável público

O que pensar da prestação de serviço realizada pelos professores usando a universidade pública?

Eu nunca me preocupei em pensar sobre esse assunto. Afinal, me pareceria "picuinha" ficar me intrometendo na vida dos professores que eu tanto admiro. Cabe a mim julgar se o salário é suficiente? E afinal, existe a demanda por parte do empreendedor, existe o conhecimento do professor e existe o equipamento e espaço da universidade. Melhor para nós enquanto sociedade que esse trabalho seja feito por profissionais competentes do que por um picareta qualquer.

Pois bem, acontece que me formei. E ou eu me aventuro numa metrópole, ou azar o meu, o mercado de trabalho na minha área na amada Rio Grande não está fácil. Nesse momento passei a refletir no primeiro impacto de se ter professores prestando serviço de consultoria. Quem seria capaz de competir com a FURG? Que empresa pode competir com essa prestadora de serviço que não paga imposto, não paga salário, usa mão de obra qualificada de mestres e doutores pagos como bolsista sem carga tributária, não paga aluguel e tem modernos equipamentos?

E então, juntando o útil com o interessante, deixei a consultoria para os doutos e ingressei no mestrado. Fugindo um pouco da ciência dura, entrei num mestrado mais soft, e tive a oportunidade de aprender um pouco sobre a atual crise social, mais chamada de ambiental. Assim, fui formando um olhar mais crítico da sociedade, basicamente me assumindo com uma libertária de extrema-esquerda. E então meus amigos, quem se propõe a abrir os olhos é obrigado a ver muita dor e sofrimento. Nossa sociedade está doente e a universidade sorri como uma ilha de conhecimento científico formando um abismo entre si e o conhecimento popular a sua volta. E esse abismo é cúmplice na expropriação social.

Por isso toda universidade tem a política de promover ações de extensão. É só dar uma pesquisadinha onde relaciona extensão e universidade para ter acesso a informações lindas, como:

"políticas acadêmicas de extensão, comprometido com a transformação social para o pleno exercício da cidadania e o fortalecimento da democracia" (site RENEX)
ou
"um processo educativo, cultural e científico que articula o Ensino e a Pesquisa de forma indissociável e viabiliza a relação transformadora entre Universidade e Sociedade...
fluxo que promove a troca de saberes acadêmicos e populares, tendo como conseqüência a produção do conhecimento resultante do confronto com a realidade, a democratização do conhecimento acadêmico e a participação efetiva da comunidade na atuação da Universidade" (site da FURG, na aba extensão)

Assim fica claro a intensão e a necessidade da extensão. Que consiste em estudar, entender e propor melhorias à comunidade, que venha a se apropriar do conhecimento a ponto de caminharem rumo seu empoderamento e emancipação. E exige um retorno à sociedade.

Mas, não é o que costuma ocorrer em muitos projetos de extensão. Essa semana pude ler um que se constituía numa prestação de serviço à um empreendedor local, o Porto (SUPRG). E outros 2 denominados "projeto de pesquisa" o qual também se constitui numa prestação de serviço, à SUPRG e à Leal Santos.

Como eu disse, me recuso entrar no mérito de quanto os professores vão ganhar nesses projetos, pois isso de fato não me incomoda nenhum pouco. O problema é que na mesma reunião em que esses projetos foram aprovados discutia-se sobre uma disciplina que não tinha nenhum professor disponível para administrar. O problema é que é comum que professores não tenham tempo e energia suficiente de orientar alunos. O problema é que a sociedade segue a margem do conhecimento concentrado na universidade, tão perto e tão longe da Vila Maria.

Existem lindos projetos de extensão sendo realizados pela FURG, o NUDESE é um ótimo exemplo. Mas no caso da reunião que presenciei do IO como representante dos alunos do mestrado me senti decepcionada em ver todo o potencial de intervenção social que tem esse instituto resumido a prestações de serviço tão básicas. Como monitoramento e auditoria interna.

É consideravelmente diferente um projeto de pesquisa, onde o pesquisador com base em leituras e teorias busca um empreendimento para realizar um estudo, adquirindo um caráter inovador e visando o bem da comunidade, de uma prestação de serviço, quando esse empreendedor tem a necessidade de cumprir certas normas ambientais e procura o professor. O qual consequentemente, diminui seu esforço na pesquisa e ensino, para realizar esse trabalho (que poderia ser realizado pelos graduados e mestres que são constrangidos a trabalhar como bolsistas quando poderiam estar conquistando mais autonomia).

Resta saber se não existem empresas e laboratórios capazes de oferecer esse serviço na cidade porque a FURG monopolizou o mercado, ou se a FURG presta esse serviço porque não existe empresa do seu nível. E se, quem tem a faca e o queijo na mão está disposto abrir mão e assumir seu papel PÚBLICO. Outro detalhe é que existe na universidade a empresa júnior de consultoria ECOSERVICE, que é absolutamente desconsiderada por todos os professores que poderiam encaminhar à ela os trabalhos de consultoria que lhes são solicitados. Se os defensores da prestação de serviço pela universidade pública alegam que essa seria uma maneira de o estudantes terem contato com o mercado de trabalho creio que outros modos seriam mais adequados.

Segue abaixo breve descrição dos três "projetos" citados. E cabe o detalhe de que muitos "projetos" são picotados em valores menores. Pois valores que ultrapassam 1.000.000 são retidos e a burocracia aumenta. Mas, ainda não tenho nenhuma comprovação de que algum deles seja o caso.

2.1 – PE: Monitoramento do ciclo de dragagem no canal Miguel da Cunha e do canal de acesso ao Porto do Rio Grande
Relatório: O Diretor do Instituto emitiu carta de aprovação para o PE: Monitoramento do ciclo de
dragagem no canal Miguel da Cunha e do canal de acesso ao Porto do Rio Grande, de responsabilidade
da interessada. O projeto tem por objetivo o monitoramento da qualidade da água na área a ser dragada e ao longo do canal de acesso ao Porto, além de monitorar a geoquímica do sedimento e macroinvertebrados bentônicos, além de executar testes ecotoxicológicos. Além da interessada, que dispensará o total de 48 (quarenta e oito) ao projeto, participam também, os Profs.... Todos dispensarão o total de 96 (noventa e seis) horas ao projeto que está orçado em R$ 253.103,32 (duzentos e cinqüenta e três mil, cento e três reais e trinta e dois centavos), financiados pela SUPRG – Superintendência do Porto do Rio Grande. Teve início em OUT2013 e término previsto para ABR2014 e está cadastrado no SIGProj sob o número
162355.711.156046.18092013.

2.2 – PP: Auditoria ambiental e implementação do Sistema de Avaliação de Monitoramento do Desempenho da Gestão Ambiental portuária no Porto do Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brasil
Relatório: O Diretor do Instituto recebeu da interessada o PP: Auditoria ambiental e implementação do
Sistema de Avaliação de Monitoramento do Desempenho da Gestão Ambiental portuária no Porto do
Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brasil, de responsabilidade da interessada. O projeto tem por objetivo
realizar a auditoria ambiental de caráter interno no Porto Velho e Porto Novo e implementar um Sistema
de Avaliação e Monitoramento do Desempenho da Gestão Ambiental para área do porto organizado
do Rio Grande. Além da interessada, participam também as Profas.... Todas dispensarão 4 (quatro) horas semanais ao projeto, que está orçado em R$ 952.486,04 (novecentos e cinqüenta e dois mil, quatrocentos e oitenta e seis reais e quatro centavos), financiados pela SUPRG – Superintendência do Porto do Rio Grande. Os docentes serão remunerados pelo projeto que terá início em NOV2013 e término previsto para OUT2015.

2.3 – PP: O bonito listrado (Katsuwonus pelamis) e as condicionantes ambientais: Uma nova abordagem
Relatório: O Diretor do Instituto recebeu o PP: O bonito listrado (Katsuwonus pelamis) e as condicionantes ambientais: Uma nova abordagem, de responsabilidade do interessado. O projeto tem por objetivo a aquisição, interpretação e disponibilização de dados relativos à distribuição e abundância do bonito listrado (Katsuwonus pelamis) e de variáveis ambientais que condicionam os deslocamentos deste espécie no Atlântico Sul Ocidental e o monitoramento das operações de iscagem dos atuneiros com anchoita, no intuito de quantificar a demanda por isca, a disponibilidade e distribuição da frequência de comprimento das anchoitas em diferentes épocas do ano. Além do interessado, que disponibilizará 4 (quatro) horas semanais ao projeto, participam também, o Prof..., o Ocean.... e o Acad. ... O primeiro disponibilizará 4 (quatro) horas semanais ao projetos e os demais 6 (seis). Todos serão remunerados pelo projeto, que está orçado em R$ 312.000,00 (trezentos e doze mil reais), financiados por Indústrias Alimentícias Leal Santos Ltda. e terá início em OUT2013 e término previsto para SET2015. Está cadastrado na ProPesP sob o número 295.944/2013.

Proposta: Como os projetos têm financiamento externo, o Diretor propõe que o projeto seja homologado nesta reunião e que conste do plano de atividades do Instituto e dos participantes.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

o preço de tudo

Eu simplesmente me choco ao ler matérias assim:

Estadão, 02 de setembro de 2013.

Não sei se sou a única, se vivo numa realidade paralela... Se deveria achar normal e não ver problema algum. Mas, para mim essa matéria deixa claro o porque de termos universidades. Lucro! Totalmente desumano, cagando para evolução da humanidade, se lixando para qualidade de vida real.
E adivinha só para onde vai esse lucro? Gringa! 
Acesse os Financial Reports da Anahnguera.
Peraí, então para podermos viver (pagar impostos de casa, ou aluguel, comprarmos alimento, roupa, lazer, cultura, documentos) temos que ter um emprego, e tem várias empresas de capital estrangeiro "investindo" no Brasil, pois nosso país tem muita sorte e fez vários acordos para ter a divina dádiva de ter essas empresas instaladas aqui! Só que para vc trabalhar na Bunge (ou onde quer que seja) tens que ter um curso superior, porque é impossível identificar um problema e resolve-lo ou analisar e melhor algo sem dominar os termos técnicos. 

Então, tu te matricula na Anhanguera, financiado pelo governo. E esse dinheiro evapora do país, sem deixar NENHUMA melhoria... Ele se materializa na forma de um Iate no Catar (isso é o ápice da insustentabilidade)

Mas, parte dos alimentos e fertilizantes produzidos na Bunge são exportados! Eba, todos ficamos muito felizes pelo Brasil crescer tanto como exportador e deixar uma balança comercial favorável! 

O país está melhorando, o sistema é maravilhoso, pois permite que todos tenham acesso a ensino "superior", e "melhorem" de vida. Ah, o capitalismo e a globalização, em plena democracia, o que seria de nós sem vocês?!

Todos com uma televisão, muitos com um carrinho na garagem, emprego, e curso superior! É um sucesso! não poderíamos querer mais nada. 

E o bom, quando você tiver câncer, graças a poluição da água, ar, solo, alimento industrializado (preciso dizer que a matriz da industria de alimento não é aqui, e nem nos oferece contrapartida?), estresse, sedentarismo, o tratamento vai ser pago pelo convênio (ou governo), e o lucro do tratamento também é calculado. Quanto mais tempo doente sem morrer, melhor para os negócios (não seu, claro). E esse lucro vai para onde e se transforma em que? Algo me diz que vai para o mesmo ralo das outras atividades.

E essa é a situação dos que tem sorte, muita sorte, e por isso todos os dias fazem uma prece para agradecer sua condição... Por isso temos a "sorte" de termos a Bunge, entre outros, aqui, para gerar emprego (ou criar problemas para vender soluções).

Pra resumir:
Subversão anárquica, a luz no fim do túnel.

ps.: não estou conseguindo comentar. mas olha o que soube hoje (27/11) esse grupo comprou a FMU... link aqui, bom assim, heim?! um monopólio educacional... ah, é claro que o maior interesse é formar cidadãos críticos e conscientes... óbvio. o lucro é apenas o resultado de se fazer o que gosta com amor e dedicação... (sqn)

Fonte: Página World Riot no face.



quarta-feira, 24 de julho de 2013

Péssimo e ultrapassado Paradigma

Algo me deixou bastante reflexiva na noite fria dessa segunda-feira.

Fui à pré-conferência do meio ambiente de minha cidade. O tema era Unidade de Conservação e uso do território. Não sei porque motivo sou bastante simpática a atual secretária de meio ambiente, acho que é porque trabalhei com o secretário adjunto e nutro bons sentimentos em relação à ele. mas

Logo na abertura do diálogo a secretária informou que este é um assunto de extrema importância, pois, sem o plano das unidades de conservação o município não pode receber a compensação dos grandes empreendimentos que estão a ocorrer na cidade...

Parece que recebi um certeiro e deprimente soco na boca do estômago.

Quer dizer que numa sala que reunia mais ou menos informalmente pessoas simpáticas a causa ambiental, a secretária do meio ambiente precisa desse argumento?
É só para isso que existimos? Garantir o interesse econômico? Todas nossas conversas e valores se pautam em quanto isso vai ser bom para os negócios. Esse é o único argumento lógico e plausível de qualquer discussão que se preste? Temos desesperadamente que aproveitar a oportunidade de recebermos a tal compensação?!

Bem, eu entendo que deve-se usar esse argumento numa conversa com um governador ignorante e alienado (ambientalmente falando). Mas, num evento de cunho ambiental?! Me parece um triste retrocesso. E me fez questionar a validade de tudo aquilo. Porque eu estava me sentindo tão idiota, e pq me parecia tudo tão inútil e desnecessário?! Acho que talvez seja porque quem tem o poder mesmo de decidir onde, como e porque serão as unidades de conservação e como será o uso do território não iria nem tomar conhecimento de tudo o que disséssemos. Ou porque é tudo inútil mesmo.

Cada vez mais tenho a sensação de que quanto mais se regula mais se atrapalha e se puxa pro lado do mais forte. E que se envolver nisso é alimentar esse processo. Afinal "a boa intenção é o pavimento da estrada para o inferno". Cada vez mais desacredito em toda e qualquer forma institucional de organizar uma sociedade. Não encontro em NENHUMA instituição algo que me faça acreditar.

Agências reguladoras, fiscais, investigação, ministério público, tantas e tantas coisas vamos criando para rotacionar envolta dos grandes empreendimentos. Os quais se tornaram nossa razão de existir. A razão do Estado e da população. Vivemos ao redor deles, para regulamentá-los, para controlá-los, para servirmos à eles e deles. Nisso se resume nossa rica existência. Os que não tem emprego morrem de fome, os que tem assistem sua degradação moral e espiritual porque são impelidos a trabalhar alucinadamente e acreditar que nisso reside toda sua dignidade, e há ainda o medo de não ter a sorte de ter esse emprego.

E não tem limites. Penso que agora que os ecossistemas marinhos estão detonados, isso é o estoque pesqueiro é cada vez menos viável, vai haver fim. Que nada, cria-se a aquacultura e privatiza-se os peixes. O mesmo com o sol, dado que a Espanha pretende multar os indivíduos que se aproveitarem do sol para diminuir sua conta elétrica. Quem se lembra que na Bolívia houve revolta quando o governo proibiu o uso de água da chuva? E quem sabe que o governo de São Paulo cobra a mais de quem usa água da chuva? É por causa do tratamento de esgoto! Mas, eu uso para regar o jardim... =/ Os solos ricos tem dono, aqueles que nunca pisaram em solo nenhum e estão se empenhando arduamente em deixá-los pobre. Tudo privatizado (mesmo que seja para o Estado, se não é público é privado) e quem não puder pagar vai ter o privilégio de viver de caridade, - ai que lindo, como são boas as almas que doam e não questionam, - ou farão o favor de morrer de fome. E claro, lembrando que os que morrem de fome, nesse minuto que eu escrevo, são vagabundos que só ficaram reclamando do sistema porque tem preguiça de trabalhar, e só reclamam porque tem inveja dos ricos... sim, eu li isso hoje...
Meus amigos, pelo amor de Cristo. olha e vê. que bosta de vida estamos levando? Queria que uma criatura me dissesse que está perfeitamente feliz fazendo o que faz e como faz! E vivendo na sociedade como está.

Não, não precisamos de unidades de conservação para ganharmos compensação das empresas. Precisamos porque se não passam por cima de tudo, aterram e impermeabilizam todos os banhados, e quando a cidade inundar varrendo barracos, virão oferecer um lindo sistema inovador de drenagem, com tecnologia alemã, para um problema que não teríamos! E esse sistema vai custar o dobro do preço devido desvios realizado por pessoas que são pagas para não desviar, e que são vigiadas por todo um intrincado esquema de agências e órgãos que buscam garantir que não se desvie e que haja processo caso desviem. E tudo isso com impostos?!

Para onde estamos caminhando? Para onde esse caminho está nos levando? Onde estão as árvores frutíferas que alimentam de graça, sem inflação?

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Da Copa eu abro mão

Esse momento político me deixa num êxtase que ando incapaz de elaborar qualquer texto. Meus nervos a flor da pele me levam a ler avidamente tudo o que está ocorrendo, e um turbilhão de pensamentos e sentimentos me envolvem, fazendo com que consiga no máximo participar de alguns comentários no face, e muuuuitas conversas pessoais!

Hoje haverá manifestação em Rio Grande com mais de 9.000 pessoas confirmadas pelo face. A cada minuto eu pensava em algo para escrever num cartaz. E confesso que passou de relance pela minha cabeça atear fogo na loja de um comerciante que monopoliza os aluguéis da cidade, com valores elevadíssimos e não dá nenhuma contra-partida. Calma, eu me acalmei e conclui que seria uma atitude totalmente estúpida. Enfim, acho que a marcha pacífica já é um grande ato por si. E conclui um cartaz assim:

"É tanta coisa que não cabe no cartaz"

Pois é exatamente isso. Alguns reclamam, essas reivindicações estão muito genéricas, é preciso pauta, e método científico para se alcançar qualquer resultado. Mas o que podemos fazer? As reivindicações pontuais que vem ocorrendo a décadas são sistematicamente ignoradas e abafadas? Sinto muito, mas se nossa indignação se acumulou, nada a fazer. Afinal é por isso que juntamos tantas pessoas, está tudo uma bagunça, em todas as instâncias governamentais pode-se achar sujeira. Começa no nosso pequeno universo universitário, que deveria ser um local público de intelectuais, na realidade é em alguns cursos um RH profissionalizante para empresas estrangeiras, zero capacitação para abrir e gerir empresas próprias (que aliás são supertaxadas, ao passo que megaempresas de capital estrangeiro são recebidas com tapete vermelho, e não é pela geração de empregos), zero inovação, quem não sabe de algum caso de concurso duvidoso?!

Putz grila, eu tinha vindo aqui falar da Copa. Mas, é tanta coisa...

Ok, vejam o que acabei de ler na Lei Geral da Copa, sim, foi aprovada ano passado e sim eu só li agora, e era de se esperar, afinal estava muito ocupada tentando evitar que mais pessoas morressem atropeladas na nossas estradas (que apresentam uma linda média de mais de um por mês, mas não se preocupe, a arrecadação da ECOSUL está ok, a empresa está dando lucro, é o que importa, e olha que linda, tem funcionário que ganha mais de 800 reais ao mês! yuhull). Enfim, observem o seguinte trecho:

Art. 37. É concedido aos jogadores, titulares ou reservas das seleções brasileiras
campeãs das copas mundiais masculinas da Fifa nos anos de 1958, 1962 e 1970:
I – prêmio em dinheiro; e
II – auxílio especial mensal para jogadores sem recursos ou com recursos limitados.
Art. 38. O prêmio será pago, uma única vez, no valor fixo de R$ 100.000,00 (cem mil reais) ao jogador.
Art. 39. Na ocorrência de óbito do jogador, os sucessores previstos na lei civil, indicados em alvará judicial expedido a requerimento dos interessados, independentemente de inventário ou arrolamento, poder-se-ão habilitar para receber os valores proporcionais a sua cota-parte.
Art. 40. Compete ao Ministério do Esporte proceder ao pagamento do prêmio.
Art. 41. O prêmio de que trata esta lei não é sujeito ao pagamento de Imposto de Renda ou contribuição previdenciária.

Calma aí, vamos ver se eu entendi, minha ignorância futebolística é espantosa, mas me parece que são 11 titulares e 11 reservas, 22 x 3 = 66. temos 6.600.000 reais de "prêmio", fora o tal auxílio mensal. e com o detalhe, livre de imposto...
A lei e repleta de motivos para indignação, responsabiliza a União contra danos à copa (das confederações e do mundo) e isenta a Fifa de despesas judiciais. Isso são apenas os artigos que a Procuradoria Geral da República questionou (só agora que o bicho tá pegando). Mas tem aqueles ainda, lembra que o pessoal da
Bahia reclamou por causa do acarajé?! O artigo continua na lei, dando exclusividade para a fifa num raio de 2 Km dos locais do evento...

Novamente, só sobre essa copa é tanto para se reclamar que num cabe nem no post, o que dirá no meu cartaz. E não "senso comum acrítico", não questionem "se já sabiam disso, pq só agora se manifestaram" pq não foi só agora! Deveriam se questionar "pq só agora a mídia não conseguiu abafar?". e eu respondo, pq as reivindicações transbordaram e se juntaram, afinal no fundo é uma coisa só: que o estado exerça sua função de regular o privado beneficiando o público, não o oposto.

domingo, 9 de junho de 2013

opressão do capital - parte 2

Na parede da biblioteca da FURG está escrito “nessa sociedade, só o capital é livre”. De início me pareceu algo bobo, sem fundamento, escrito por um filinho de papai que se julga socialista, rebelde sem causa. Hoje, minha percepção é outra.

Depois do breve histórico relatado no post de ontem, hoje compareci na manifestação. Tinha umas 30 pessoas. Eu imaginei que haveriam muito mais. Mas, tudo bem, talvez as pessoas tenham se assustado com a intimação, ou talvez seja simplesmente o mal da apatia, a única coisa que levo disso é jamais me calar quando alguém disser “o brasileiro é um povo acomodado”. Juro, que no auge da minha timidez doentia juntarei forças para dizer “que povo? Fale por você.” Pois eu a-pos-to que qualquer um que diga isso jamais participou de uma manifestação, sequer gastou um neurônio ou dois tentando organizar uma, e só repete esse senso comum sem refletir, como um papagaio.

A Polícia Rodoviária Federal se fez presente, representada por meia dúzia de indivíduos fardados. Nos questionamos o que eles faziam em uma rodovia estadual. Na verdade não questionamos, confirmamos que o interesse principal era a garantia dos lucros da ECOSUL, que está na outra rodovia, naquela que fomos limitados a protestar sem incomodar nadie. Pelo que pareceu eles queriam, a princípio, falar com o “líder” do movimento, que seria simplesmente a pessoa que mais “fez barulho”. Mas, acabaram conversando com todos.

O interessante do diálogo foi que... não sei como explicar. Parecia um teatro, só que com pessoas de verdade, o big brother, exatamente isso. Os policiais sustentaram um discurso de que vinham para que entrássemos em acordo, acontece que não existe essa possibilidade, digo em termos legais. Aí passaram para o discurso de que, eles queriam o mesmo que nós, e que precisava de educação, o problema era a falta de conscientização no trânsito, e eles vinham trabalhando nisso. Logo argumentamos, ainda mais diante do fiasco da ECOSUL, o problema estava muito claro.

Temos um problema estrutural. Essa estrada foi duplicada com o objetivo de esvaziar os pátios das montadoras e aumentar a produção. E se eles estavam lá, não era para fazerem acordos, ou garantir nossa segurança na manifestação (pois eles representam a esfera federal e estávamos em uma via estadual, reintero), era unicamente para nos oprimir em nome de uma empresa privada, que trabalha muito mal, diga-se de passagem. Mas, aparentemente nem eles haviam se dado conta disso, de que na realidade, naquele exato instante não estavam trabalhando para o governo federal, mas sim para uma empresa privada que lucra os tubos, valores que nem temos o direito de saber!

Mas, apesar dos pesares, isso é, mesmo tendo claro que o capital domina o estado, e que de público nesse mundo só banco de praça (com alguma ressalva), o encontro foi positivo! Concluímos que o melhor mesmo seria nos aliarmos à prefeitura, isso porque está mais próxima e aparentemente, como nós, tem buscado trabalhar em nome do bem estar público. Embora mesmo para a prefeitura não seja lá muito fácil, afinal como já dizia o pixador supracitado “só o capital é livre”.


Enfim, acertou-se que haverá uma reunião no IFRS na terça-feira às 14 horas, para elaboração de uma proposta de ciclovias na cidade, para ser levada na imperdível audiência pública de quinta. E que será proposto oficinas para a distribuição de refletores, afinal o objetivo máximo é que as pessoas possam ao menos não morrer atropeladas. Normalmente quem morre atropelado são pessoas mais simples, que foram marginalizadas e constrangidas a viver de maneira precária o bastante para não se indagarem quanto à necessidade do uso de refletores em bicicletas (que deveriam vir de fábrica). Aliás, percebi que 100% dos cidadãos que morrem atropelados se tornam alcoólatras, ou será que isso foi depois do incidente com o Thor Batista?

sábado, 8 de junho de 2013

opressão do capital

Estou simplesmente embasbacada! Ano passado, quando houve a morte de um ciclista na rodovia da minha cidade, essa um com uma quantidade absurda de mortes por atropelamento, eu participei de uma manifestação. Fechamos a estrada, com a presença suave da polícia rodoviária, e entregamos panfletos, informando a razão do nosso protesto. Alguns motoristas ficaram chateados, mas a maioria compreendeu. Acendemos velas, mentalizei uma prece. Penduramos a tenebrosa bicicleta-fantasma.

A partir de então passei a me envolver mais com o movimento. Entrei na página do facebook, e fui nas passeatas. Nessas passeatas não fechávamos de todo a pista, simplesmente nos reuníamos e pedalávamos por um trecho da estrada. Claro, o transito ficava lento, e alguns motorista buzinavam e reclamavam, são desses que tenho profunda pena. A maioria dos motoristas apoiavam, alguns não conseguiam entender que se tratava de um protesto.

Há três semanas morreu mais um ciclista, da minha idade. Foi atropelamento às 18hs de um dia extremamente frio, por um ônibus. A pancada foi tão forte que demoraram para achar o corpo. Fiquei sabendo que ele recém tinha comprado a bicicleta e usava para ir ao trabalho.

Nossa estrada não tem acostamento calçado, no trecho que aconteceu o acidente, não existe a possibilidade de trafegar fora da pista. É um absurdo. A estrada sempre (desde 2007 quando a conheci) foi usada por carroceiros, que não tem mais a possibilidade de andar nela. A duplicação foi feita claramente visando unica e exclusivamente (acrescentaria porcamente) aos carros. O ponto de ônibus é na verdade uma vaga, curta, e tem um telhadinho de alumínio. Não existem passarelas mesmo em trechos muito atravessados, existem no máximo faixas de pedestres e um sinal piscante (num bairro que muito cobra).

Quando propuseram fazer mais uma passeata e prender a bike-fantasma, eu questionei "mas, não tem adiantado nada isso", afinal, os motoristas que são os mais afetados já estão cientes do problema e não podem (ou sabem como) fazer muita coisa. Foi quando surgiu a ideia de nos juntarmos com o pessoal da outra rodovia, que corta essa e em média ceifa uma vida por mês, para fazermos um megaprotesto, começaríamos abrindo as catracas do pedágio, e depois fechando vários pontos das estradas e terminaríamos por pendurar a bike-fantasma. Beleza. Espalhamos cartazes pelo facebook e pela cidade.

Até que hoje, fiquei sabendo que a empresa de pedágio, ECOSUL, mandou uma intimação para os que ela julgava serem líderes do movimento, impedindo-os de realizar qualquer atividade na rodovia ou praça de pedágio, e inclusive responderiam por seus liderados, com um multa de 10.000 reais por cada líder, para cada infração!!!!

Acho que cabe um abre aspas para dizer que essa querida empresa prorrogou sua licitação por mais vinte anos de maneira ainda não muito clara...

Alguns dos membros deram razão à empresa, uma vez que estaríamos interferindo no patrimônio de terceiros, e que causaríamos transtorno aos motoristas e a liberdade de um termina quando começa a do outro. Imagino que o juiz que assinou essa intimação devesse estar preocupado com o livre fluir dos caminhões de soja que transitam nessa época do ano.

Bem, esse "patrimônio de terceiros" na minha opinião não merece o menor respeito. É uma estrada perigosa, que o estado está duplicando, e a empresa de pedágio só fica com o lucro. Quanto essa parada da liberdade que termina aqui ou ali, eu fico com a posição do sr Freire de que liberdade se constrói juntos.

Ainda assim, haverá manifestação, a princípio sem "ocupar o leito da rodovia". Uma manifestação dupla, implorando por segurança na estrada e opção de um método realmente público de locomoção, e repudiando qualquer forma de censura sobre um povo historicamente calado e nada participativo.

Esse caso nos diz muita coisa. Para começar a obra de duplicação, que ao explicitamente favorecer apenas automóveis aponta nossa submissão às montadoras, e descaso total com pessoas que não possam (ou queiram) usar carro, o ônibus é desagradável muitas vezes lotado, os pontos são totalmente desabrigados, atravessar a rodovia é um risco considerável, e não existe a menor possibilidade de se locomover com outro meio de transporte e esperar chegar vivo.
Outro ponto, a maior repercussão foi ter ameaçado parte do lucro de uma empresa privada. A qual, endossada pelo estado, basicamente proibiu e censurou a manifestação. Prevendo inclusive as multas (!)

Não sei se conseguem sentir tanta indignação quanto eu. Pessoas morrem CONSTANTEMENTE nessa rodovia. E as ações são sempre no sentido de aumentar o fluxo para caber mais carros. Justamente nesses tempos, que estamos exaustos de clamar por novas fontes de energia, novos padrões de consumo, ambientalmente sustentáveis e socialmente justos.

domingo, 2 de junho de 2013

Casca Grossa

Esses dias conversando com um amigo ele falou que foi tão estranho ver um catador de latinhas, ninguém sabia muito o que fazer, se olhava, se oferecia ajuda, se chamava a polícia... Isso porque Rio Grande é uma cidade pequena, que muito embora tenha (tido sempre) graves problemas sociais, mendicância não fazia parte de seu cenário urbano. Mas, agora é uma cidade "desenvolvida".
Nas metrópoles é comum ver mendigos dormindo nas ruas, crianças pedindo esmolas. E as pessoas acabam por se acostumar com isso. Eu não sei muito bem como funciona, eu penso que é tão doloroso encarar a realidade que o cérebro cria diversas formas de distanciar de nós esse sofrimento.
Em mau discurso religioso se torna motivo para que agradeças, “veja todos os pobres e desprovidos, e você, que tem tanto, tem que agradecer tudo o que tem”. Meio desagradável a gratidão baseada na desgraça alheia. Uma gratidão desesperada, movida pelo medo de se tornar pobre. Como se aquele tivesse sido ingrato, e por isso punido.
Então, o cidadão metropolitano segue trabalhando, agradecido. Aliás, foi devido ao trabalho duro que seus avós vindos da Europa conseguiram enriquecer. O trabalho dignifica e quem inventa qualquer desculpa para não trabalhar não passa de um preguiçoso encostado. Trabalhar e pagar imposto é a única coisa que faz de um homem importante. Tem esse senso comum de que os pobres são preguiçosos. Nem cogitam a possibilidade de que a pobreza seja “produto de processos sociais precisos de despossessão, disciplinamento e exploração, para a produção de bens e riquezas que são apropriados por outrem”*.
Afinal, mesmo que o trabalhador venha a sentir alguma compaixão por um mendigo, ele não teria tempo de ajudar. São muitos mendigos e ele tem um trabalho muito importante. Eu não sei, as vezes me sinto meio inútil no meu mestrado, penso que eu deveria fazer outra coisa, sabe, mas aí quando vou à São Paulo e converso com pessoas que tem um ar de importância fico desconcertada... Uma está num importantíssimo “case”, é de uma megaempresa que tem vários produtos em diversos países, e no caso da pasta de dentes as fábricas passaram a fabricar tampinhas diferentes em cada país. Então, ela está à semanas debatendo com um grupo um modo de padronizar as tampinhas de pasta de dentes. Imagino que a coordenadora do case deve ter viajado para diversos países e estudado suas tampinhas de pasta de dentes. É claro que quem tem algo tão importante para se preocupar não pode perder tempo com os milhares de mendigos que morrem de frio pelas ruas da cidade.
Eu acredito que talvez, inconscientemente, a impotência diante do atual cenário parece tão desesperador que passemos a engrossar nossa casca. A nos protegermos detrás de uma indiferença que nos distancia dos outros seres humanos e nos impede de sentir suas dores. Aparentemente essa é uma medida inteligente. Acontece que pelo que tenho visto não funciona. Uma hora ou outra estoura uma crise interna. Não tem para onde fugir, se fechar em si próprio não é a solução que vai resolver os problemas sociais, isso só agrava, o torna conivente com essa situação, e o pior nos distancia mais e mais da sonhada felicidade.
Tenho a sensação de que estamos sempre nos distraindo, com trabalho, com lazer, consumo, família, dramas pessoais e nos distanciando do que realmente importa.

*trecho do livro O que é Justiça Ambiental.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Montadoras opressoras, motoristas oprimidos.

Eis que sai no jornal de hoje que um Termo Aditivo duvidoso prorroga o contrato da empresa que administra o pedágio Rio Grande - Pelotas (ecosul, não sei a que se refere o termo "eco" aqui empregado). O contrato que venceria nesse 24 de julho foi prorrogado para 2026 (link da matéria). É o absurdo dos absurdos. Alguns vereadores estão se mobilizando para redigirem um texto-denuncia (não tenho ideia do que seria isso, legalmente) para mandar para a presidente, pautado no fato de a medida ser contrária à Lei de Licitações.

Para ser extremamente sincera. Eu sou a favor da taxação sobre veículos, sou a favor de pedágios, inclusive intramunicipais, sou a favor de um taxação alta na gasolina, sou a favor de sabermos o valor real das coisas e arcarmos com ele, Desde que, esse capital seja investido em alternativas, em trens, ciclovias, "ciclopontos", transporte coletivo, desenvolvimento de novos motores, etc. e desde que as indústrias internalizem seus custos.

Congestionamento de 10 vias em S. Paulo

Não há sentido na duplicação, triplicação (etc) de vias, nunca se dará conta do fluxo, uma vez que as vendas de carro só aumentam. Nada me revolta mais do que essa redução ridícula do IPI (prorrogada até junho de 2013 - link). É óbvio que esse dinheiro faz falta no orçamento público. As montadoras (veja, montadoras, porque a sede que fica com o dinheiro não está aqui) já tem inúmeros subsídios ao externalizarem para o poder público seus gastos mais pesados. Fazem carros potentes para andar em estradas de limite de velocidade máximo de 110 Km/h. Estradas essas construídas e mantidas pelo poder público, apesar de pedageadas. Quando há um acidente, um entre os 1.000.000 que ocorrem ao ano, quem arca com o prejuízo é a população e o estado, não é dona de pedágio nem montadora (no ano de 2010 ocorreram mais de 30.000 mortes registradas oficialmente, em até 72 hs depois do acidente - link). Aliás, é claro que o responsável é o motorista inconsequente, mal educado...

Transferência direta do capital (população > montadoras)
E as montadoras seguem prosperando, se bem que parece que as vendas aumentaram menos, estão pressionando o governo para liberar mais créditos, tipo "minha casa minha vida". E os deputados misteriosamente concordam! Afinal, grandes empresas representam a prosperidade do país devem ser estimuladas a continuarem na pátria amada, correto? Elas criam emprego, fazem circular o capital, deveríamos agradecer pela generosidade de elas se instalarem aqui, é o progresso.

A qualidade do ar em São Paulo, e em grandes cidades é nojenta. Mas, existe uma solução mágica na cartola, olha só que legal, um sistema de inspeção veicular para que nenhum carro polua mais que o necessário, o "control.ar". Colegas, não houve 1 nem 2, mas inúmeros casos de carro zero ser reprovado na inspeção, que por sinal é paga pelo cidadão. Esse control-ar não é uma política que visa a diminuição da compra de carros, uma vez que o IPI está reduzido e os créditos facilitados, e o transporte público caro, lotado, demorado, fedido, perigoso e não há ciclovias, e especula-se redução de imposto sobre combustíveis. Sem entrar no mérito de que a empresa Controlar seja mais suja e nojenta do que o próprio ar (link 1 e 2) e voltando à responsabilização das montadoras, convenhamos, se o carro polui mais do que o aceitável,  poque deixou ser produzido e vendido? É um carro zero! Não foi desleixo do proprietário na hora da revisão.

Lobismo presente em todos os governos.
Até quando haverá esse protecionismo à mega empresas?! Elas ficam com o bônus, o estado fica se comendo internamente, e a população com o ônus, e o pior, com a "culpa" do ônus. Ao meu ver o lobby é a pior forma de corrupção, e a mais arraigada em todos os sistemas políticos.
E é algo extremamente complexo e difícil de modificar.


Ao que parece Marina Silva tem tentado arranjar um modo de alterar esse sistema, por meio de seu partido denominado #rede (link). Eu não li o estatuto, embora esteja morrendo de vontade. Pelo que vi na entrevista dela no Roda Viva (link) uma das inovações é proibir que os candidatos recebam grandes montantes para sua campanha eleitoral, onde via de regra nasce o futuro lobista, ao contrário deverão haver diversos contribuidores com pequeno montante. E também assegurar que os eleitores acompanhem seus candidatos e participem de suas ações, usando o artifício da internet! Me encantei com a proposta, embora confesse estar um pouquinho cética, pois parece que sempre se encontra uma brecha para corromper o sistema, e é fácil torcer o nariz quando se fala em criar mais partidos do que já temo. No entanto, é complicado uma revolução total, acho que esse é o caminho, o PT quando sua criação objetivava grandes aspirações e conquistou muita coisa, o Brasil está mais humanista e menos elitista, mas parece que o PT já fez sua parte e começa a se acomodar e encostar, parece já estar meio enrolado e desgastado. O que foi aprendido com o PT pela M. Silva, e a sua experiência de como este se corrompeu, a identificação de suas fragilidades e tal pode ser incorporado nessa nova proposta, difícil garantir, mas é tentando que se consegue!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Artigo: Por que querer uma ciclovia?

Foi com muita emoção que na segunda feira vi meu nome escrito no jornal! Não na página policial, claro. Foi um artigo que enviei ao jornal local. Vou dizer um pouco da "história" do artigo:

Em 2007 quando nos mudamos para Rio Grande eu e meu namo ficamos impressionados com o potencial da cidade para a utilização de bicicleta como meio de transporte. É tudo plano! Claro, viemos a descobrir que por vezes o vento forte exerce o papel de "subida". De nosso bairro até a faculdade existe apenas 15Km de uma enorme estrada. Fizemos o trajeto de bicicleta e apesar de demorar tanto quanto de ônibus, a aventura pareceu meio arriscada, isso porque não existe acostamento em diversos trechos e nos trechos em que existe não é calçado, o movimento de carro e ônibus é intenso. Apesar de o art. 201 do código de trânsito exigir que os carros ultrapassem ciclistas à uma distância mínima de 1,5 m  (link) nunca vi alguém obedecer.

 A coisa ficou ainda pior quando duplicaram a rodovia. Sim, pior (!) Pois, não houve a menor consideração com qualquer outro meio de transporte que não os carros particulares. Imaginem que ao lado da estrada colocaram guias, como em ruas!!! E os pontos de ônibus tem um recuo menor do que uma vaga, assim estes tem que usar a rodovia para frear e acelerar. O símbolo máximo do absurdo é representado pela placa do "ciclista voador". Colocaram uma placa pedindo para que o ciclista se mantivesse à direita... sobre a guia ou no mato, não conseguimos entender muito bem (ps.: a placa foi sorrateiramente retirarada para a temporada de veraneio).

Acidente fatal na RS-734 provoca manifestação.
Em agosto de 2012 o inevitável aconteceu e um ciclista foi atropelado e faleceu. Organizou-se através das redes sociais uma manifestação (link 1link 2), da qual eu e meu namorado participamos. Paramos a rodovia, acendemos velas, pintou-se o asfalto, distribuiu-se folhetos (link) e prendeu-se a "bike fantasma" triste. Alguns dos motoristas se mostraram impacientes, mas a maioria apoiou a manifestação.

A partir de então, o movimento ganhou força. Embora a petição não tenha alcançado 2.000 assinaturas. E a partir de então, no último domingo do mês, cidadãos simpáticos a causa se reúnem e fecham uma faixa da rodovia para fazer uma manifestação pacífica na forma de passeio. Na primeira manifestação muitas pessoas se reuniram, mas o retorno obtido pelas autoridades foi pouco e o movimento foi perdendo um pouco a força. Vou ressaltar que em todas as manifestações a polícia rodoviária esteve presente, podando um pouco o alcance do impacto, e sempre se mostrando bastante confusa quando a resposta para a pergunta "quem é o responsável, quem está liderando o movimento?" era um simples, e as vezes seco "ninguém!".

Primeira pedalada Massa Crítica e placa do "ciclista voador"
Ao ler um post no blog do Wagner Passos (RS-734 A estrada do ciclista voador - link) me empolguei e mandei diveeersos e-mails. A um deles obtive resposta, o deputado Adilson Troca ligou no meu celular dizendo que estava lutando por essa causa, que ele havia se articulado e conseguido o financiamento com o Banco Mundial para ciclovia do Cassino até o Bolaxa e que estava buscando meios e contatos de conquistar uma ciclovia por toda a estrada.

Eu não consegui dizer muita coisa, uma vez que ele falava bastante e eu ainda estava tentando realizar o fato de ter recebido uma ligação de um deputado. Mas, quando desliguei o telefone, pensei que o texto estava convincente e decidi mandá-lo para o jornal. Alterei algumas coisas, no e-mail eu citava votos e apelava para o ocorrido em Sta Maria, numa tentativa de dizer "ei, também somos universitários, podem nos dar atenção e prevenir que morramos atropelados". Achei que para o jornal não precisaria dessa parte, uma vez que o mais preocupante para mim são os trabalhadores que não tem outra opção de meio de transporte, e a intenção era despertar a comunidade para a necessária "revolução da sustentabilidade" (citando o livro Limites do Crescimento).

Por fim, me concentrei em 3 argumentos que considero o mais importante ao sair de casa e reivindicar por ciclovia:
1º) justiça social (é um meio de transporte barato);
2º) meio ambiente (o impacto ambiental é muito baixo, se concentra na extração de matéria prima e descarte de peças, que possuem longa vida) e;
3º) saúde e bem estar (exercício físico consiste em medicina preventiva).
No final o texto ficou assim:

Por que querer uma ciclovia?

 Évellin Keith*

A reivindicação por uma ciclovia na rodovia RS-734 já culminou em diversas manifestações, muitas das quais eu participei. No entanto, muitas pessoas não conseguiram entender porque consideramos tão necessária uma ciclovia (embora um acostamento já ajudaria). Bom, cada um dos manifestantes possui sua própria necessidade e argumentação, tentarei nesse breve espaço trazer o que me motiva.
 Apesar do crescente movimento na rodovia, poucos são os que podem (ou querem) possuir um veículo próprio. O transporte público além de desagradável, demorado e limitado, não pode ser pago por certos cidadãos. Eu me sinto muito mal em realizar alguma atividade sabendo que outras pessoas não podem contar com a mesma sorte. Ademais, a indústria automobilística, e mesmo o funcionamento de empresa de ônibus, são atividades concentradoras de renda. Aqui temos uma motivação referente à justiça social.
 Já se torna consenso de todos a preocupação com o meio ambiente. Combustíveis fósseis é uma fonte de energia limitada e não renovável, deveríamos utilizá-lo com muita cautela em atividades mais nobres, além de causarem poluição atmosférica em sua combustão, que por sua vez passa ao solo e à água, e outros impactos ao longo de sua cadeia produtiva (extração, refino, transporte). A fabricação de veículos também gera enorme impacto ambiental, como através da mineração, e produção de efluentes químicos.
 Gostaria de acrescentar mais um argumento, que se refere à saúde, não apenas na diminuição da poluição atmosférica, mas em relação à atividade física. Sabemos o benefício do esporte na prevenção de diversas doenças físicas (principalmente relacionadas ao sistema circulatório) e psicológicas (através da liberação de endorfina, sentimento de liberdade, independência e empoderamento). Muitos não podem pagar academia, dos que podem tantos não querem ou não tem tempo, a educação (no que diz respeito a acesso a informação e capacidade cognitiva) não chega a todos, e muitas pessoas carentes não reconhecem a importância da atividade física na saúde, mas, estes reconhecem a praticidade e economia de se locomover de bicicleta!
No entanto, atualmente, pedalar em uma estrada (ou seria avenida?) como a RS-734 é praticamente impossível. Já houve acidentes fatais sem que nenhuma medida fosse tomada. Muitos universitários se arriscam diariamente na rodovia, e inúmeros anseiam pela possibilidade de se locomoverem como exige sua consciência.
 Abraçar a causa e brigar por uma ciclovia vai muito além de proporcionar bem estar e lazer a população. Tal causa vai de encontro à sustentabilidade ambiental, inclusão social, melhora a saúde pública de maneira preventiva. A bicicleta representa de maneira simples e humilde essa revolução da sustentabilidade, não apenas por vontade, mas por necessidade de uma geração que atinge os limites da capacidade de suporte do planeta. Prepare sua magrela e venha fazer parte desse grupo de pessoas que acredita em um Rio Grande mais humano. Maiores informações: massacriticarg.wordpress.com
*Integrante do Massa Crítica Rio Grande

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Políticas públicas, mais políticas do que públicas

É engraçado essa história de política. Quanto mais eu sei menos me faz sentido, exatamente como com a economia...
Me lembro que quando fazia estágio no porto surgiu um papo de revitalizar os molhes (uma vez que é jurisdição do porto), então bolou-se estratégias, estudou a disposição de lixeiras em intervalos adequados, placas, etc. O tempo foi passando e o assunto ficou por isso mesmo.
Até que ontem, numa conversa informal um amigo comentou:
- Nós fomos nos molhes esses dias, está limpíssimo, tem lixeiras, os vagoneteiros estão com velas iguais, está ótimo, afinal é o principal ponto turístico da cidade. Pra tu ver, né, esse prefeito mal entrou e já fez essa renovação.
Eu expliquei a ele que trata-se de uma ação de nível estadual, o qual esperou para que a prefeitura fosse do mesmo partido para então realizar essa ação. Imagino quantos outros projetos bons e importantes não são engavetados de maneira oportunista. Esse tipo de ação não é particular deste partido, certamente ocorre com todos. E mostra como é falho nosso sistema político.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Bairrismo gaúcho.

Esse é um tema polemico, delicado e controverso. Sobre o qual vou dissertar considerando apenas minha experiência pessoal e restrita ao contexto da cidade do Rio Grande.

Vim de São Paulo em 2007, para cursar oceanologia na FURG. Me estabeleci em um balneário quieto e tranquilo. Fui relativamente bem tratada e bem recebida. Entre os colegas de faculdade eu sabidamente me escapulia quando a conversa adquiria um tom bairrista. Ouvia frases como "antes de ser brasileiro, sou gaúcho" a qual dita em tom prepotente me arrepiava inteira, tamanho era o mal estar que me proporcionava que não conseguia aprofundar o tema. Imagino que grande parte dessas frases são sem fundamento algum, são senso comum encucado e repetido aos sete ventos.

Ainda é possível desfrutar da harmonia natural na praia. 
Entretanto, os anos foram passando, os invernos se tornaram mais amenos, e eu comecei a gostar do bairro, passei a me preocupar com a cidade. Ia para São Paulo todas as férias, e reparava nas pessoas, no modo de vida em cada lugar. Passei então a amar o bairro, já me identificava com o modo de vida tranquilo. Aos poucos fui reparando uma cultura gaúcha meio socialista, o que me agradou muito, aqui parece normal ser mais apegado a natureza do que às indústrias. Sem que me desse conta minha alma se tornava gaúcha. Não li nada sobre a história ou cultura regional, apenas observei, senti e ouvi.



Nascer do sol no mar. colhida do google.

Nesse meio tempo começou um papo esquisito de petróleo, pré-sal, plataformas e estaleiros. Sem que nos déssemos conta começaram notícias no jornal de investimentos milionários na cidade, geração de emprego, e plataformas saindo pelos molhes. Era um papo meio esquisito, mas eu não me aprofundava muito, preferia me focar nos estudos e no lazer, velejava pela lagoa, acampava no mato, começava a identificar estrelas e aves locais ia me tornando mais e mais pertencente. Mas, o trem seguiu andando, passei a notar rapazes de macacão fazendo compra no "super" e andando pelo bairro, ouvir reclamação dos colegas a respeito do preço do aluguel. Na minha formatura fui pesquisar uma pousadinha perto de casa, descobri que havia se tornado um superlotado alojamento. Enquanto isso o número de carros passando em minha rua aumentava em PG, muitos destes com som alto, invariavelmente funk. Pode parecer meio conservador, mas me preocupo com a falta de conteúdo dessas músicas da moda, elas não passam nenhuma mensagem.

Enfim, a coisa foi indo e mesmo assim resisti em sair do bairro na minha formatura, e como a oferta de emprego na cidade para minha área é de 1 vaga a cada 7 anos, engatei num mestrado. Foi um novo universo, apesar de ainda ser acadêmico não é alienado, e passei a me inteirar mais de diversos processos políticos e humanos. É como se acendessem a luz da razão num sentimento que crescia dentro de mim. Compreendi que crescimento econômico quase nada tem a ver com desenvolvimento social, até poderia vir a ter, mas não é o que acontece. E compreendi que questionar o sistema não faz de mim uma subversiva, vagabunda ou bagunceira (como parece pensar minha família - de militares paulista), compreendi que pelo contrário, não questionar faz de mim uma alienada que favorece a perpetuação dessa inversão de valores que temos visto, desse modo excludente e opressor de desenvolvimento.

Alojamento adaptado em antiga delegacia. Fonte ZH.
E foi depois de toda essa profunda transformação que abri um site do Zero Hora - Rio Grande transformada e fui compreendendo mais o tal bairrismo gaúcho, agora atende também por "choque cultural". Gera muito mal estar ver sua qualidade de vida escoando entre seus dedos, ver locais de lazer transformados em desajeitados dormitórios, ter trânsito, ter fila em mercado e restaurante, ser abordada por olhares indiscretos e desconfortáveis, começar a ter medo de andar sozinha a noite pela rua. E todo esse incômodo sem nenhum bônus, sem investimento em hospitais, sem melhoria de ensino, sem qualidade de transporte, e o pior com a construção de 2 shoppings centers, totalmente desconfigurados das aspirações da população tradicional. É de se esperar que os locais (e agregados) resistam em abrir um sorriso aos novos integrantes.

Embora seja ligeiramente injusto e enfraquecedor esse acolhimento pouco caloroso e essa gritante segregação cultural. Afinal, me colocando na posição desses trabalhadores, não é fácil sair de sua cidade, deixar sua família, os amigos do colégio, do bairro e vir para uma cidade ventosa, com um mar marrom e com hábitos esquisitos, sem samba, sem funk, sem mulher semi-nua se insinuando por aí, talvez eles tenham a necessidade de um CTC (centro de tradições cariocas, ou baianas conforme o caso). Nossos novos colegas foram constrangidos a deixar seus estados de origem, eles vem sendo historicamente marginalizados, culminando nessa migração inconsciente. E nossa fria recepção vai auxiliar no aumento de sua revolta, não contra os megaemprendedores que bolam estratégias mirabolantes para acumular mais riqueza.

A situação nessa cidade está caótica, mas a segregação não auxilia em nada. Devemos parar de nos referirmos aos de "macacão" de forma pejorativa, parar de olhar com desconfiança. Precisamos de alguma forma (nem imagino como) integrá-los na sociedade a ponto de passarem a amar o Cassino, como eu, e aspirar melhor qualidade de vida no bairro e na cidade. Para juntos, reivindicarmos melhores condições de trabalho, de alojamento, mais investimento em educação, saúde e transporte, e menos concentração de renda.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

14 parques eólicos chegam de pára-quedas!

Ontem tive a oportunidade de participar de uma reunião do COMDEMA - Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente. Pelo pouco que pude entender, a discussão era acerca da instalação da linha de transmissão dos parques eólicos.

A coisa começa esquisita. A licença para esses parques coube inteiramente a FEPAM, que exigiu um RAS (tipo de rima, mas mais simplificado) e como esse procedimento não prevê audiências, a participação pública foi NULA. Imaginem vocês que me sinto parte do Cassino, eu amo esse bairro, essa cidade, pela qualidade de vida, eu ando de bicicleta e meu estresse beira a zero (eu digo beira porque ainda não aprendi a lidar totalmente com as exigências do mestrado). Mas então, cai do céu um tal de pólo naval, e faz o maior furdunzo na cidade, esse polo naval se consolida por parte de uma demanda crescente por petróleo, não de minha parte, que tenho trabalhado em diminuir minha demanda pessoal... eu não sei bem de quem e para que é essa demanda. Talvez seja da energia que esse mesmo setor utiliza, pois, voltamos aos parques eólicos...

Para atender a demanda, certamente não minha e nem dos moradores, mas do tal pólo naval serão instalados 14 parques eólicos!!! Não tenho dúvidas que seja uma fonte energética menos agressiva do que outras opções. Mas, vejamos como se dá essa materialização! O órgão ambiental estadual não dialoga sequer com o municipal, que dirá com a comunidade. Os engenheiros são de outros estados, acredito que os projetos sejam de outros países, mas possivelmente o dinheiro para apoio financeiro do BNDES. A licença da instalação da linha de transmissão, pelo que pude notar, foi (ou está sendo) concedida individualmente, libera-se para uma pequena quantidade de kV passar no meio da cidade, então existe outro parque com mais kV e já existe uma linha de transmissão...

O relatório ambiental exibido beirou o ridículo: nossa equipe de biólogos (provavelmente nenhum rio grandino, apesar de existir uma universidade aqui) reconheceram x espécies de anfíbios das quais y estão em extinção (idem para aves, mamíferos, roedores etc), por conta disso o nosso parque tomou a seguinte configuração...

Houveram 2 manifestações que eu considerei importantes, um morador do bolaxa questionando a falta de inclusão dos moradores no processo, da questão social (inclusive ele questionou que os empreendedores não sabiam sequer a quantidade de casas no bolaxa, ao passo que um respondeu entre dentes, 500, e ele rebateu, suavemente, são 940 casas!)
Outra consideração de um professor da FURG quanto ao estudo ambiental, ele considerou a importância de se saber o comportamento das aves, as rotas de migração, os ninhos, o local de reprodução... esses estudos são caros e os orçamentos previstos pelos órgãos de fomento a pesquisa não cobrem, o órgão licenciador não cobra esses estudos e o empreendedor não se interessa.

Essa foi a primeira reunião de que participei, e me deixou um pouco desanimada e descontente. O encaminhamento da reunião mais importante foi o de pedir à FEPAM uma audiência pública, outro detalhe é que o COMDEMA já havia solicitado maiores informações do processo, ao passo que o representante do órgão estadual nos informou com essas palavras "mas não adianta mandar cartinhas, elas se perdem dentro da FEPAM"... =O oh my god...

Espero participar dos próximos capítulos!