Esse momento político me deixa num êxtase que ando incapaz de elaborar qualquer texto. Meus nervos a flor da pele me levam a ler avidamente tudo o que está ocorrendo, e um turbilhão de pensamentos e sentimentos me envolvem, fazendo com que consiga no máximo participar de alguns comentários no face, e muuuuitas conversas pessoais!
Hoje haverá manifestação em Rio Grande com mais de 9.000 pessoas confirmadas pelo face. A cada minuto eu pensava em algo para escrever num cartaz. E confesso que passou de relance pela minha cabeça atear fogo na loja de um comerciante que monopoliza os aluguéis da cidade, com valores elevadíssimos e não dá nenhuma contra-partida. Calma, eu me acalmei e conclui que seria uma atitude totalmente estúpida. Enfim, acho que a marcha pacífica já é um grande ato por si. E conclui um cartaz assim:
"É tanta coisa que não cabe no cartaz"
Pois é exatamente isso. Alguns reclamam, essas reivindicações estão muito genéricas, é preciso pauta, e método científico para se alcançar qualquer resultado. Mas o que podemos fazer? As reivindicações pontuais que vem ocorrendo a décadas são sistematicamente ignoradas e abafadas? Sinto muito, mas se nossa indignação se acumulou, nada a fazer. Afinal é por isso que juntamos tantas pessoas, está tudo uma bagunça, em todas as instâncias governamentais pode-se achar sujeira. Começa no nosso pequeno universo universitário, que deveria ser um local público de intelectuais, na realidade é em alguns cursos um RH profissionalizante para empresas estrangeiras, zero capacitação para abrir e gerir empresas próprias (que aliás são supertaxadas, ao passo que megaempresas de capital estrangeiro são recebidas com tapete vermelho, e não é pela geração de empregos), zero inovação, quem não sabe de algum caso de concurso duvidoso?!
Putz grila, eu tinha vindo aqui falar da Copa. Mas, é tanta coisa...
Ok, vejam o que acabei de ler na Lei Geral da Copa, sim, foi aprovada ano passado e sim eu só li agora, e era de se esperar, afinal estava muito ocupada tentando evitar que mais pessoas morressem atropeladas na nossas estradas (que apresentam uma linda média de mais de um por mês, mas não se preocupe, a arrecadação da ECOSUL está ok, a empresa está dando lucro, é o que importa, e olha que linda, tem funcionário que ganha mais de 800 reais ao mês! yuhull). Enfim, observem o seguinte trecho:
Art. 37. É concedido aos jogadores, titulares ou reservas das seleções brasileiras
campeãs das copas mundiais masculinas da Fifa nos anos de 1958, 1962 e 1970:
I – prêmio em dinheiro; e
II – auxílio especial mensal para jogadores sem recursos ou com recursos limitados.
Art. 38. O prêmio será pago, uma única vez, no valor fixo de R$ 100.000,00 (cem mil reais) ao jogador.
Art. 39. Na ocorrência de óbito do jogador, os sucessores previstos na lei civil, indicados em alvará judicial expedido a requerimento dos interessados, independentemente de inventário ou arrolamento, poder-se-ão habilitar para receber os valores proporcionais a sua cota-parte.
Art. 40. Compete ao Ministério do Esporte proceder ao pagamento do prêmio.
Art. 41. O prêmio de que trata esta lei não é sujeito ao pagamento de Imposto de Renda ou contribuição previdenciária.
Calma aí, vamos ver se eu entendi, minha ignorância futebolística é espantosa, mas me parece que são 11 titulares e 11 reservas, 22 x 3 = 66. temos 6.600.000 reais de "prêmio", fora o tal auxílio mensal. e com o detalhe, livre de imposto...
A lei e repleta de motivos para indignação, responsabiliza a União contra danos à copa (das confederações e do mundo) e isenta a Fifa de despesas judiciais. Isso são apenas os artigos que a Procuradoria Geral da República questionou (só agora que o bicho tá pegando). Mas tem aqueles ainda, lembra que o pessoal da
Bahia reclamou por causa do acarajé?! O artigo continua na lei, dando exclusividade para a fifa num raio de 2 Km dos locais do evento...
Novamente, só sobre essa copa é tanto para se reclamar que num cabe nem no post, o que dirá no meu cartaz. E não "senso comum acrítico", não questionem "se já sabiam disso, pq só agora se manifestaram" pq não foi só agora! Deveriam se questionar "pq só agora a mídia não conseguiu abafar?". e eu respondo, pq as reivindicações transbordaram e se juntaram, afinal no fundo é uma coisa só: que o estado exerça sua função de regular o privado beneficiando o público, não o oposto.
o questionamento e a reflexão nos tornam mais conscientes, plenas, felizes, questionadoras e reflexivas!
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quinta-feira, 20 de junho de 2013
sábado, 8 de junho de 2013
opressão do capital
Estou simplesmente embasbacada! Ano passado, quando houve a morte de um ciclista na rodovia da minha cidade, essa um com uma quantidade absurda de mortes por atropelamento, eu participei de uma manifestação. Fechamos a estrada, com a presença suave da polícia rodoviária, e entregamos panfletos, informando a razão do nosso protesto. Alguns motoristas ficaram chateados, mas a maioria compreendeu. Acendemos velas, mentalizei uma prece. Penduramos a tenebrosa bicicleta-fantasma.
A partir de então passei a me envolver mais com o movimento. Entrei na página do facebook, e fui nas passeatas. Nessas passeatas não fechávamos de todo a pista, simplesmente nos reuníamos e pedalávamos por um trecho da estrada. Claro, o transito ficava lento, e alguns motorista buzinavam e reclamavam, são desses que tenho profunda pena. A maioria dos motoristas apoiavam, alguns não conseguiam entender que se tratava de um protesto.
Há três semanas morreu mais um ciclista, da minha idade. Foi atropelamento às 18hs de um dia extremamente frio, por um ônibus. A pancada foi tão forte que demoraram para achar o corpo. Fiquei sabendo que ele recém tinha comprado a bicicleta e usava para ir ao trabalho.
Nossa estrada não tem acostamento calçado, no trecho que aconteceu o acidente, não existe a possibilidade de trafegar fora da pista. É um absurdo. A estrada sempre (desde 2007 quando a conheci) foi usada por carroceiros, que não tem mais a possibilidade de andar nela. A duplicação foi feita claramente visando unica e exclusivamente (acrescentaria porcamente) aos carros. O ponto de ônibus é na verdade uma vaga, curta, e tem um telhadinho de alumínio. Não existem passarelas mesmo em trechos muito atravessados, existem no máximo faixas de pedestres e um sinal piscante (num bairro que muito cobra).
Quando propuseram fazer mais uma passeata e prender a bike-fantasma, eu questionei "mas, não tem adiantado nada isso", afinal, os motoristas que são os mais afetados já estão cientes do problema e não podem (ou sabem como) fazer muita coisa. Foi quando surgiu a ideia de nos juntarmos com o pessoal da outra rodovia, que corta essa e em média ceifa uma vida por mês, para fazermos um megaprotesto, começaríamos abrindo as catracas do pedágio, e depois fechando vários pontos das estradas e terminaríamos por pendurar a bike-fantasma. Beleza. Espalhamos cartazes pelo facebook e pela cidade.
Até que hoje, fiquei sabendo que a empresa de pedágio, ECOSUL, mandou uma intimação para os que ela julgava serem líderes do movimento, impedindo-os de realizar qualquer atividade na rodovia ou praça de pedágio, e inclusive responderiam por seus liderados, com um multa de 10.000 reais por cada líder, para cada infração!!!!
Acho que cabe um abre aspas para dizer que essa querida empresa prorrogou sua licitação por mais vinte anos de maneira ainda não muito clara...
Alguns dos membros deram razão à empresa, uma vez que estaríamos interferindo no patrimônio de terceiros, e que causaríamos transtorno aos motoristas e a liberdade de um termina quando começa a do outro. Imagino que o juiz que assinou essa intimação devesse estar preocupado com o livre fluir dos caminhões de soja que transitam nessa época do ano.
Bem, esse "patrimônio de terceiros" na minha opinião não merece o menor respeito. É uma estrada perigosa, que o estado está duplicando, e a empresa de pedágio só fica com o lucro. Quanto essa parada da liberdade que termina aqui ou ali, eu fico com a posição do sr Freire de que liberdade se constrói juntos.
Ainda assim, haverá manifestação, a princípio sem "ocupar o leito da rodovia". Uma manifestação dupla, implorando por segurança na estrada e opção de um método realmente público de locomoção, e repudiando qualquer forma de censura sobre um povo historicamente calado e nada participativo.
Esse caso nos diz muita coisa. Para começar a obra de duplicação, que ao explicitamente favorecer apenas automóveis aponta nossa submissão às montadoras, e descaso total com pessoas que não possam (ou queiram) usar carro, o ônibus é desagradável muitas vezes lotado, os pontos são totalmente desabrigados, atravessar a rodovia é um risco considerável, e não existe a menor possibilidade de se locomover com outro meio de transporte e esperar chegar vivo.
Outro ponto, a maior repercussão foi ter ameaçado parte do lucro de uma empresa privada. A qual, endossada pelo estado, basicamente proibiu e censurou a manifestação. Prevendo inclusive as multas (!)
Não sei se conseguem sentir tanta indignação quanto eu. Pessoas morrem CONSTANTEMENTE nessa rodovia. E as ações são sempre no sentido de aumentar o fluxo para caber mais carros. Justamente nesses tempos, que estamos exaustos de clamar por novas fontes de energia, novos padrões de consumo, ambientalmente sustentáveis e socialmente justos.
A partir de então passei a me envolver mais com o movimento. Entrei na página do facebook, e fui nas passeatas. Nessas passeatas não fechávamos de todo a pista, simplesmente nos reuníamos e pedalávamos por um trecho da estrada. Claro, o transito ficava lento, e alguns motorista buzinavam e reclamavam, são desses que tenho profunda pena. A maioria dos motoristas apoiavam, alguns não conseguiam entender que se tratava de um protesto.
Há três semanas morreu mais um ciclista, da minha idade. Foi atropelamento às 18hs de um dia extremamente frio, por um ônibus. A pancada foi tão forte que demoraram para achar o corpo. Fiquei sabendo que ele recém tinha comprado a bicicleta e usava para ir ao trabalho.
Nossa estrada não tem acostamento calçado, no trecho que aconteceu o acidente, não existe a possibilidade de trafegar fora da pista. É um absurdo. A estrada sempre (desde 2007 quando a conheci) foi usada por carroceiros, que não tem mais a possibilidade de andar nela. A duplicação foi feita claramente visando unica e exclusivamente (acrescentaria porcamente) aos carros. O ponto de ônibus é na verdade uma vaga, curta, e tem um telhadinho de alumínio. Não existem passarelas mesmo em trechos muito atravessados, existem no máximo faixas de pedestres e um sinal piscante (num bairro que muito cobra).
Quando propuseram fazer mais uma passeata e prender a bike-fantasma, eu questionei "mas, não tem adiantado nada isso", afinal, os motoristas que são os mais afetados já estão cientes do problema e não podem (ou sabem como) fazer muita coisa. Foi quando surgiu a ideia de nos juntarmos com o pessoal da outra rodovia, que corta essa e em média ceifa uma vida por mês, para fazermos um megaprotesto, começaríamos abrindo as catracas do pedágio, e depois fechando vários pontos das estradas e terminaríamos por pendurar a bike-fantasma. Beleza. Espalhamos cartazes pelo facebook e pela cidade.
Até que hoje, fiquei sabendo que a empresa de pedágio, ECOSUL, mandou uma intimação para os que ela julgava serem líderes do movimento, impedindo-os de realizar qualquer atividade na rodovia ou praça de pedágio, e inclusive responderiam por seus liderados, com um multa de 10.000 reais por cada líder, para cada infração!!!!
Acho que cabe um abre aspas para dizer que essa querida empresa prorrogou sua licitação por mais vinte anos de maneira ainda não muito clara...
Alguns dos membros deram razão à empresa, uma vez que estaríamos interferindo no patrimônio de terceiros, e que causaríamos transtorno aos motoristas e a liberdade de um termina quando começa a do outro. Imagino que o juiz que assinou essa intimação devesse estar preocupado com o livre fluir dos caminhões de soja que transitam nessa época do ano.
Bem, esse "patrimônio de terceiros" na minha opinião não merece o menor respeito. É uma estrada perigosa, que o estado está duplicando, e a empresa de pedágio só fica com o lucro. Quanto essa parada da liberdade que termina aqui ou ali, eu fico com a posição do sr Freire de que liberdade se constrói juntos.
Ainda assim, haverá manifestação, a princípio sem "ocupar o leito da rodovia". Uma manifestação dupla, implorando por segurança na estrada e opção de um método realmente público de locomoção, e repudiando qualquer forma de censura sobre um povo historicamente calado e nada participativo.
Esse caso nos diz muita coisa. Para começar a obra de duplicação, que ao explicitamente favorecer apenas automóveis aponta nossa submissão às montadoras, e descaso total com pessoas que não possam (ou queiram) usar carro, o ônibus é desagradável muitas vezes lotado, os pontos são totalmente desabrigados, atravessar a rodovia é um risco considerável, e não existe a menor possibilidade de se locomover com outro meio de transporte e esperar chegar vivo.
Outro ponto, a maior repercussão foi ter ameaçado parte do lucro de uma empresa privada. A qual, endossada pelo estado, basicamente proibiu e censurou a manifestação. Prevendo inclusive as multas (!)
Não sei se conseguem sentir tanta indignação quanto eu. Pessoas morrem CONSTANTEMENTE nessa rodovia. E as ações são sempre no sentido de aumentar o fluxo para caber mais carros. Justamente nesses tempos, que estamos exaustos de clamar por novas fontes de energia, novos padrões de consumo, ambientalmente sustentáveis e socialmente justos.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Montadoras opressoras, motoristas oprimidos.
Eis que sai no jornal de hoje que um Termo Aditivo duvidoso prorroga o contrato da empresa que administra o pedágio Rio Grande - Pelotas (ecosul, não sei a que se refere o termo "eco" aqui empregado). O contrato que venceria nesse 24 de julho foi prorrogado para 2026 (link da matéria). É o absurdo dos absurdos. Alguns vereadores estão se mobilizando para redigirem um texto-denuncia (não tenho ideia do que seria isso, legalmente) para mandar para a presidente, pautado no fato de a medida ser contrária à Lei de Licitações.
Para ser extremamente sincera. Eu sou a favor da taxação sobre veículos, sou a favor de pedágios, inclusive intramunicipais, sou a favor de um taxação alta na gasolina, sou a favor de sabermos o valor real das coisas e arcarmos com ele, Desde que, esse capital seja investido em alternativas, em trens, ciclovias, "ciclopontos", transporte coletivo, desenvolvimento de novos motores, etc. e desde que as indústrias internalizem seus custos.
Não há sentido na duplicação, triplicação (etc) de vias, nunca se dará conta do fluxo, uma vez que as vendas de carro só aumentam. Nada me revolta mais do que essa redução ridícula do IPI (prorrogada até junho de 2013 - link). É óbvio que esse dinheiro faz falta no orçamento público. As montadoras (veja, montadoras, porque a sede que fica com o dinheiro não está aqui) já tem inúmeros subsídios ao externalizarem para o poder público seus gastos mais pesados. Fazem carros potentes para andar em estradas de limite de velocidade máximo de 110 Km/h. Estradas essas construídas e mantidas pelo poder público, apesar de pedageadas. Quando há um acidente, um entre os 1.000.000 que ocorrem ao ano, quem arca com o prejuízo é a população e o estado, não é dona de pedágio nem montadora (no ano de 2010 ocorreram mais de 30.000 mortes registradas oficialmente, em até 72 hs depois do acidente - link). Aliás, é claro que o responsável é o motorista inconsequente, mal educado...
E as montadoras seguem prosperando, se bem que parece que as vendas aumentaram menos, estão pressionando o governo para liberar mais créditos, tipo "minha casa minha vida". E os deputados misteriosamente concordam! Afinal, grandes empresas representam a prosperidade do país devem ser estimuladas a continuarem na pátria amada, correto? Elas criam emprego, fazem circular o capital, deveríamos agradecer pela generosidade de elas se instalarem aqui, é o progresso.
A qualidade do ar em São Paulo, e em grandes cidades é nojenta. Mas, existe uma solução mágica na cartola, olha só que legal, um sistema de inspeção veicular para que nenhum carro polua mais que o necessário, o "control.ar". Colegas, não houve 1 nem 2, mas inúmeros casos de carro zero ser reprovado na inspeção, que por sinal é paga pelo cidadão. Esse control-ar não é uma política que visa a diminuição da compra de carros, uma vez que o IPI está reduzido e os créditos facilitados, e o transporte público caro, lotado, demorado, fedido, perigoso e não há ciclovias, e especula-se redução de imposto sobre combustíveis. Sem entrar no mérito de que a empresa Controlar seja mais suja e nojenta do que o próprio ar (link 1 e 2) e voltando à responsabilização das montadoras, convenhamos, se o carro polui mais do que o aceitável, poque deixou ser produzido e vendido? É um carro zero! Não foi desleixo do proprietário na hora da revisão.
Até quando haverá esse protecionismo à mega empresas?! Elas ficam com o bônus, o estado fica se comendo internamente, e a população com o ônus, e o pior, com a "culpa" do ônus. Ao meu ver o lobby é a pior forma de corrupção, e a mais arraigada em todos os sistemas políticos.
E é algo extremamente complexo e difícil de modificar.
Ao que parece Marina Silva tem tentado arranjar um modo de alterar esse sistema, por meio de seu partido denominado #rede (link). Eu não li o estatuto, embora esteja morrendo de vontade. Pelo que vi na entrevista dela no Roda Viva (link) uma das inovações é proibir que os candidatos recebam grandes montantes para sua campanha eleitoral, onde via de regra nasce o futuro lobista, ao contrário deverão haver diversos contribuidores com pequeno montante. E também assegurar que os eleitores acompanhem seus candidatos e participem de suas ações, usando o artifício da internet! Me encantei com a proposta, embora confesse estar um pouquinho cética, pois parece que sempre se encontra uma brecha para corromper o sistema, e é fácil torcer o nariz quando se fala em criar mais partidos do que já temo. No entanto, é complicado uma revolução total, acho que esse é o caminho, o PT quando sua criação objetivava grandes aspirações e conquistou muita coisa, o Brasil está mais humanista e menos elitista, mas parece que o PT já fez sua parte e começa a se acomodar e encostar, parece já estar meio enrolado e desgastado. O que foi aprendido com o PT pela M. Silva, e a sua experiência de como este se corrompeu, a identificação de suas fragilidades e tal pode ser incorporado nessa nova proposta, difícil garantir, mas é tentando que se consegue!
Para ser extremamente sincera. Eu sou a favor da taxação sobre veículos, sou a favor de pedágios, inclusive intramunicipais, sou a favor de um taxação alta na gasolina, sou a favor de sabermos o valor real das coisas e arcarmos com ele, Desde que, esse capital seja investido em alternativas, em trens, ciclovias, "ciclopontos", transporte coletivo, desenvolvimento de novos motores, etc. e desde que as indústrias internalizem seus custos.
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| Congestionamento de 10 vias em S. Paulo |
Não há sentido na duplicação, triplicação (etc) de vias, nunca se dará conta do fluxo, uma vez que as vendas de carro só aumentam. Nada me revolta mais do que essa redução ridícula do IPI (prorrogada até junho de 2013 - link). É óbvio que esse dinheiro faz falta no orçamento público. As montadoras (veja, montadoras, porque a sede que fica com o dinheiro não está aqui) já tem inúmeros subsídios ao externalizarem para o poder público seus gastos mais pesados. Fazem carros potentes para andar em estradas de limite de velocidade máximo de 110 Km/h. Estradas essas construídas e mantidas pelo poder público, apesar de pedageadas. Quando há um acidente, um entre os 1.000.000 que ocorrem ao ano, quem arca com o prejuízo é a população e o estado, não é dona de pedágio nem montadora (no ano de 2010 ocorreram mais de 30.000 mortes registradas oficialmente, em até 72 hs depois do acidente - link). Aliás, é claro que o responsável é o motorista inconsequente, mal educado...
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| Transferência direta do capital (população > montadoras) |
A qualidade do ar em São Paulo, e em grandes cidades é nojenta. Mas, existe uma solução mágica na cartola, olha só que legal, um sistema de inspeção veicular para que nenhum carro polua mais que o necessário, o "control.ar". Colegas, não houve 1 nem 2, mas inúmeros casos de carro zero ser reprovado na inspeção, que por sinal é paga pelo cidadão. Esse control-ar não é uma política que visa a diminuição da compra de carros, uma vez que o IPI está reduzido e os créditos facilitados, e o transporte público caro, lotado, demorado, fedido, perigoso e não há ciclovias, e especula-se redução de imposto sobre combustíveis. Sem entrar no mérito de que a empresa Controlar seja mais suja e nojenta do que o próprio ar (link 1 e 2) e voltando à responsabilização das montadoras, convenhamos, se o carro polui mais do que o aceitável, poque deixou ser produzido e vendido? É um carro zero! Não foi desleixo do proprietário na hora da revisão.
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| Lobismo presente em todos os governos. |
E é algo extremamente complexo e difícil de modificar.
Ao que parece Marina Silva tem tentado arranjar um modo de alterar esse sistema, por meio de seu partido denominado #rede (link). Eu não li o estatuto, embora esteja morrendo de vontade. Pelo que vi na entrevista dela no Roda Viva (link) uma das inovações é proibir que os candidatos recebam grandes montantes para sua campanha eleitoral, onde via de regra nasce o futuro lobista, ao contrário deverão haver diversos contribuidores com pequeno montante. E também assegurar que os eleitores acompanhem seus candidatos e participem de suas ações, usando o artifício da internet! Me encantei com a proposta, embora confesse estar um pouquinho cética, pois parece que sempre se encontra uma brecha para corromper o sistema, e é fácil torcer o nariz quando se fala em criar mais partidos do que já temo. No entanto, é complicado uma revolução total, acho que esse é o caminho, o PT quando sua criação objetivava grandes aspirações e conquistou muita coisa, o Brasil está mais humanista e menos elitista, mas parece que o PT já fez sua parte e começa a se acomodar e encostar, parece já estar meio enrolado e desgastado. O que foi aprendido com o PT pela M. Silva, e a sua experiência de como este se corrompeu, a identificação de suas fragilidades e tal pode ser incorporado nessa nova proposta, difícil garantir, mas é tentando que se consegue!
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