Sentadas em roda, a mediadora nos disse que existem várias definições de feminismo, e é algo até muito pessoal. Nos pediu para que disséssemos o que o feminismo representa para cada uma. Eu fico nervosa com essa história de falar em público, não expresso com a clareza que gostaria e é comum achar que falei algo meio besta. Tentei bolar rapidamente um discurso coerente, rápido, que me livrasse logo do desconforto e me garantisse alguma eloquência. A palavra foi rolando. E todas as coisas que eu havia pensado foram sendo ditas: liberdade, empoderamento, autoconhecimento, luta, sobrevivência, emancipação. A cada fala eu me conectava ainda mais comigo mesma, pensando minha história, minha vida, minhas escolhas, meus sentimentos.
Simone de Beavouir me alertou da crença implícita, não dita, mas profundamente arraigada que trazia em mim, a crença na superioridade masculina. Essa crença pesada, que me foi sorrateiramente inculcada nas pequenas falas, nos discursos, no desenho social, me subjugou pesadamente por muitos anos. Eu realmente acreditava que os homens sempre tinham razão, eu me calava para ouvir e prontamente deixava de pensar para atender e servir ao pensamento do outro, sem questionar, sem duvidar. Assim que um homem falava minha mente anuviava, os argumentos se desfaziam no ar, meus pensamentos e sentimentos pareciam bobos demais para serem ditos.
Os meus sentimentos são constantemente menosprezado pelos homens. A mim nunca foi ensinado, se quer oportunizado verbalizar meus sentimentos, por isso tenho muita dificuldade, apesar de reconhecer a importância. Quando com muita dificuldade e enorme esforço me exponho e digo, dou de cara com o muro da defensiva, agressivo e hostil. Preciso de muita força pra destruir esse muro e alcançar o acolhimento. Já ouvi "não, você não está sentindo isso". Em outros tempos ficaria confusa, afinal se ele está dizendo deve ter razão. Essa tendência de negar e oprimir os sentimentos para evitar o conflito, não ofender, como se a responsabilidade do sentimento alheio também fosse minha. Minha obrigação em ser dócil. Agora, com armadura e marreta eu me empodero dos meus próprios sentimento e dou-lhe marretadas, afim de romper o muro que nos distancia e alcançar empatia e conexão. Às vezes a mão me sangra e o muro me engole.
Tomei decisões pouco ortodoxas e bastante radicais em busca de liberdade, felicidade e plenitude. Entrei num mundo novo e desconhecido, a narrativa hegemônica perdeu o sentido e não há caminho traçado. Caoticamente tudo é possível, o caminho agora só se mostra no caminhar. Percebi em olhares conservadores julgamento, hostilidade, como se eu tivesse me tornado uma ofensa. Isso me assustou. É com olhar do outro que vamos construindo nossa visão de nós mesmas. Quem sou eu, agora?
Chegou minha vez de falar. Meu coração parecia querer sair do peito para pulsar no meio da roda, pintando tudo de vermelho. O sangue enchia minhas veias, eu irradiava calor. Mesmo assim, neguei a resposta pronta e fácil.
O feminismo pra mim representa o apoio que necessito para não sucumbir ao que está dado. Me auxilia a me manter firme, me guiar pelos meus sentimentos e ouvir o que pede meu corpo.
A roda se desfez e em grupo, lemos um texto do qual sacamos elementos importantes para pensar o feminismo, trago alguns que nosso grupo identificou:
- Relação de poder;
- A ciência é androcêntrica, heteronormativa, etnocêntrica e classista;
- Simultaneidade da opressão (sexo, raça, classe, cultura);
- A identidade não é estável, nem permanente (aqui sou branca paulistana, na europa sou latina, posso ser hetero hoje, me descobrir homo amanhã...);
A aula seguiu e fui observando o quanto que o modelo hegemônico, capitalista, patriarcal desvaloriza as atividades de cuidado e reprodução, priorizando a produção. Isso afeta como se dão as relações. Raça, sexo, classe social, grupo cultural, origem são elementos que nos ajudam a identificar as tendências de opressão.
Pressinto que nesse domingo não é só o rumo da política econômica que está em jogo. É também a pressão para sucumbir aos padrões hegemônicos, à superioridade masculina. Em uma narrativa reconheço o fortalecimento na desvalorização do cuidado, percebo o olhar que me oprime, uma valorização da coisa, da posse, os altos e robustos muros sendo erguidos com a força do ódio e da exclusão. Em outra percebo que o diálogo se destaca, e com isso o respeito aos sentimentos, ao feminino, à liberdade de ser e a felicidade terão mais voz. É da ordem da percepção, da intuição, dos sentimentos. O que sinto nas falas, na condução das campanhas, nas conversas com eleitores. E o que sinto tem tanta importância quanto os argumentos racionais.
o questionamento e a reflexão nos tornam mais conscientes, plenas, felizes, questionadoras e reflexivas!
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quarta-feira, 24 de outubro de 2018
quarta-feira, 22 de novembro de 2017
Cento e vinte dias
A distância me fere
O seio cheio
Leite suor e lágrima
Você grita pela casa
o amor que quero dar
Nosso querer recíproco
Olhar, tocar, beijar, cheirar, mamar
Você busca, chama
Chama que arde minha alma
Quem é capaz de escutar
De ver a magia no nosso encontro
A distopia da separação
Uma só alma
Rachada, quebrada, partida
Que se recompõe a cada fim de tarde
Para se destroçar na manhã seguinte
Ilhabela, 23 de janeiro de 2017.
Meu bebê iria completar seus nove meses, e desde que ele tinha cinco e meio eu o abandonava diariamente à 7:30 da manhã. Ele aos berros, eu sustentando um sorriso falso. Ficava com o pai desempregado. E eu ia "bater o dedo" e cumprir horário num emprego em que eu me sentia constantemente subjugada. Me machuca saber que isso foi uma opção, é verdade que pagar o aluguel e as contas é uma demanda real, mas eu poderia abandonar o emprego e ir morar com meus pais. Mas eu optei por sofrer diariamente a violência de deixar o bebê sem a mãe todos os dias, muitas horas no dia.
As leituras sobre como bebês são fusionados com a mãe, a gestação externa, a importância de um ambiente tranquilo e amoroso, a formação do cérebro, a construção do vínculo, o efeito tóxico do estresse etc me deixam muito mais insegura e frustrada.
QUATRO MESES
Desde que o bebê nasceu, não antes disso, eu sofria com esse prazo. E não era a toa. Não consegui relaxar, o fim da licença maternidade foi um fantasma constante deixando meu puerpério ainda mais sombrio. E pode ter sido isso que o bebê manifestava em choros estridentes. É como aquele sentimento esquisito que acompanha um calafrio subindo pela nossa coluna, quando no silêncio do quarto, deitada na cama pensamos "eu vou morrer" e essa morte é tão real que nosso coração dispara para provar que ainda vive. "Vai acabar a licença" e o bebê não ergue o pescoço, não fica mais de uma hora sem me solicitar. Como vai ser pra ele esse sumiço brusco?
CENTO E VINTE DIAS
É o período que as instituições acreditam ser suficiente para um ser humano conseguir viver sem a mãe. Que a mãe depois de parir já consegue voltar à suas atribuições. Assim como se nada tivesse acontecido. Como se sua alma não tivesse em frangalhos, como se seu corpo físico não tivesse modificado, o seio vazando leite. Me senti bem insegura: será que nunca mais vou conseguir ler e escrever como fazia antes do parto? O raciocínio lógico, linear, lincar textos, notícias, fatos me escapava pelos dedos. Fiquei até um pouco feliz, só conseguia expressar sentimentos pela poesia, mas insegura, por não saber quem eu seria sem a habilidade ler textos complexos. Me surgiu a oportunidade de trabalhar com uma chefe que eu tenho muito mais afinidade. Uma pessoa humana, que valoriza o diálogo e olha no olho quando fala. Me lembro exatamente o dia que consegui ler um texto até o fim e compreendê-lo e falar sobre ele. 15 de março, o Gabriel tinha 10 meses e meio.
Hoje, nesse momento, estou num trabalho que gosto. O Gabriel fica na creche pela manhã, desde um ano, acho precoce. Ainda assim, quando minha amiga voltou pra Ilhabela, tentar reassumir seu emprego e no segundo dia estava absurdamente estressada eu apoiei sua exoneração. "Sempre quis um emprego público" ela me disse enquanto assinava o pedido. E tinha sentimentos muito contraditórios. Por um lado eu estava feliz por ela, e sentia até um pouco de inveja que poderia viver em plenitude a maternidade, por outro uma dúvida sombria me impedia de sorrir e aplaudir. Seria positivo abrir mão do trabalho? Ela que atuava com louvor na área que havia se formado, uma assistente social humana, empática, agora se queixa de estar desempregada e não contar com o próprio dinheiro pra comprar um grampo.
O Gabriel e o Joaquim e tantos e tantos outros bebês são privados de viver uma convivência harmoniosa e plena com suas mães tranquilas, seguras e satisfeitas.
Quatro, seis meses é um período ridiculamente curto quando se trata de puerpério, de convivência entre mãe e bebê. Por isso muitos países já adotaram licenças que ultrapassam um ano, e isso não acarretou uma influência negativa em suas economias. Porque não se trata disso.
A decisão política de manter um período ínfimo de licença maternidade é machismo.
Não é sobre o quanto o saber de uma mulher faz falta no desempenho de sua função.
Não é sobre o impacto econômico de pagar o período de afastamento.
É violenta, burra e prejudicial, social e economicamente.
O seio cheio
Leite suor e lágrima
Você grita pela casa
o amor que quero dar
Nosso querer recíproco
Olhar, tocar, beijar, cheirar, mamar
Você busca, chama
Chama que arde minha alma
Quem é capaz de escutar
De ver a magia no nosso encontro
A distopia da separação
Uma só alma
Rachada, quebrada, partida
Que se recompõe a cada fim de tarde
Para se destroçar na manhã seguinte
Ilhabela, 23 de janeiro de 2017.
Meu bebê iria completar seus nove meses, e desde que ele tinha cinco e meio eu o abandonava diariamente à 7:30 da manhã. Ele aos berros, eu sustentando um sorriso falso. Ficava com o pai desempregado. E eu ia "bater o dedo" e cumprir horário num emprego em que eu me sentia constantemente subjugada. Me machuca saber que isso foi uma opção, é verdade que pagar o aluguel e as contas é uma demanda real, mas eu poderia abandonar o emprego e ir morar com meus pais. Mas eu optei por sofrer diariamente a violência de deixar o bebê sem a mãe todos os dias, muitas horas no dia.
As leituras sobre como bebês são fusionados com a mãe, a gestação externa, a importância de um ambiente tranquilo e amoroso, a formação do cérebro, a construção do vínculo, o efeito tóxico do estresse etc me deixam muito mais insegura e frustrada.
QUATRO MESES
Desde que o bebê nasceu, não antes disso, eu sofria com esse prazo. E não era a toa. Não consegui relaxar, o fim da licença maternidade foi um fantasma constante deixando meu puerpério ainda mais sombrio. E pode ter sido isso que o bebê manifestava em choros estridentes. É como aquele sentimento esquisito que acompanha um calafrio subindo pela nossa coluna, quando no silêncio do quarto, deitada na cama pensamos "eu vou morrer" e essa morte é tão real que nosso coração dispara para provar que ainda vive. "Vai acabar a licença" e o bebê não ergue o pescoço, não fica mais de uma hora sem me solicitar. Como vai ser pra ele esse sumiço brusco?
CENTO E VINTE DIAS
É o período que as instituições acreditam ser suficiente para um ser humano conseguir viver sem a mãe. Que a mãe depois de parir já consegue voltar à suas atribuições. Assim como se nada tivesse acontecido. Como se sua alma não tivesse em frangalhos, como se seu corpo físico não tivesse modificado, o seio vazando leite. Me senti bem insegura: será que nunca mais vou conseguir ler e escrever como fazia antes do parto? O raciocínio lógico, linear, lincar textos, notícias, fatos me escapava pelos dedos. Fiquei até um pouco feliz, só conseguia expressar sentimentos pela poesia, mas insegura, por não saber quem eu seria sem a habilidade ler textos complexos. Me surgiu a oportunidade de trabalhar com uma chefe que eu tenho muito mais afinidade. Uma pessoa humana, que valoriza o diálogo e olha no olho quando fala. Me lembro exatamente o dia que consegui ler um texto até o fim e compreendê-lo e falar sobre ele. 15 de março, o Gabriel tinha 10 meses e meio.
Hoje, nesse momento, estou num trabalho que gosto. O Gabriel fica na creche pela manhã, desde um ano, acho precoce. Ainda assim, quando minha amiga voltou pra Ilhabela, tentar reassumir seu emprego e no segundo dia estava absurdamente estressada eu apoiei sua exoneração. "Sempre quis um emprego público" ela me disse enquanto assinava o pedido. E tinha sentimentos muito contraditórios. Por um lado eu estava feliz por ela, e sentia até um pouco de inveja que poderia viver em plenitude a maternidade, por outro uma dúvida sombria me impedia de sorrir e aplaudir. Seria positivo abrir mão do trabalho? Ela que atuava com louvor na área que havia se formado, uma assistente social humana, empática, agora se queixa de estar desempregada e não contar com o próprio dinheiro pra comprar um grampo.
O Gabriel e o Joaquim e tantos e tantos outros bebês são privados de viver uma convivência harmoniosa e plena com suas mães tranquilas, seguras e satisfeitas.
Quatro, seis meses é um período ridiculamente curto quando se trata de puerpério, de convivência entre mãe e bebê. Por isso muitos países já adotaram licenças que ultrapassam um ano, e isso não acarretou uma influência negativa em suas economias. Porque não se trata disso.
A decisão política de manter um período ínfimo de licença maternidade é machismo.
Não é sobre o quanto o saber de uma mulher faz falta no desempenho de sua função.
Não é sobre o impacto econômico de pagar o período de afastamento.
É violenta, burra e prejudicial, social e economicamente.
sexta-feira, 4 de março de 2016
Frutas Anárquicas
Entro no
mercado comprar frutas e verduras, de terça que tem maior variedade. Sempre
sinto um certo incomodo por estar naquele lugar, não sei dizer o que exatamente.
Seriam as embalagens coloridas, plásticas, contendo produtos artificiais,
“comestíveis”, que além de não fazerem bem (isso é nutrirem) ainda fazem mal?
Passo cada vez mais determinada e ilesa pelas prateleiras centrais, recheadas
de açúcar. Quem busca um incentivo para isso aconselho assistir ao documentário
That Sugar.
Acontece que
mesmo na parte saudável do mercado o incomodo permanece. É como uma frustração,
na minha lista de compras mental sempre tem:
- frutas
- legumes
- verduras
Não
especifico, vou buscando variedade, de preços, qualidade e oferta, conforme a
época e o tempo natural de cada espécie. Mas, encontro sempre tudo igual. O
mamão no lugar do mamão, as bananas penduradas, maçã, manga, e as outras de
mais de 10 reais o kilo que variam pouco. Legumes também, batata, cenoura,
abobrinha, berinjela, tomate, cebola. O máximo da variação é se vai ter bons
xuxus ou pepino, mas nada tão surpreendente. Saio quase sempre com o mesmo, me
perguntando como fazer pratos variados com mais do mesmo. Me sinto um tanto
frustrada quando desejo um abacaxi que custa 8 reais a unidade. Aperta a
saudade das poucas bancas de produtores genuínos da feira do produtor, sábado
de manhã, no Cassino.
Mas, nem tudo
é saudade. Muito bom morar uma ilha tropical extremamente fértil!!! Assim que
cheguei o que me chamou atenção foi o exorbitante tamanho das árvores.
Mangueiras astronômicas! E em novembro elas estavam carregadas, e jogavam seus
frutos numa abundância desconcertante. O asfalto de modo implacável fazia com
que cada uma se estraçalhasse no chão. De modo que um fruto tão nutritivo se
transformasse num estorvo, melecado e fedorento. O asfalto a impedir a vida.
Acontece que
algumas mangas caem na terra. Sempre haverá a terra para as sementes brotarem!
Pudemos comer manga por todo dezembro. Para cada pé em terra ou grama uma
sacola, e depois de chupar todas quanto desejávamos, congelávamos a poupa.
Pura, ou em sucos, frapes, e mousses, refrescantes, doces, nutritivas,
amarelas. Menores e mais saborosas que as do mercado!
Até que
aquela árvore altona, que já havia me chamado a atenção por seus frutos
engraçados, passa a me oferecer a oportunidade de provar mais um sabor. A Jaca.
Não sei qual
sua origem. Indonesia ou India, me disseram uma vez. Sei que se adaptou muito
bem no clima tropical brasileiro. É muito abundante a quantidade de pés, da
dura e da mole. A quantidade de frutas por pé é de uma generosidade
impressionante. Como se não bastasse, cada fruta é impossível de ser consumida
por uma pessoa só, mesmo pelas mais avarentas. Foi assim que muito feliz fui
introduzida no mundo da Jaca. Aprendi a comer refogada com cebola e azeite,
usei o miolo da mole e a poupa da dura, aprendi a tirar o grude com óleo. Fiz
receitas doces, bolo do caroço, torta de massa podre, conserva. Além de comê-la
crua, pura. Ganhei muitas, pois descobrimos que tantas vitaminas e nutrientes
eram especialmente benéficos para gestantes. Não parei mais de ganhar jacas!
Além das que colhia por aí.
É tão livre,
o modo como elas crescem nas ruas, ao alcance de todos, é tanto nutriente
disponível sem cobrar sequer um centavo em troca, é simplesmente uma ofensa ao
individualismo capitalista. É o anarquismo vivo saindo das entranhas da terra
para nos alimentar!
Mas, já não
podemos mais encontrar aquele raro saquinho espinhudo grudado nos troncos. E
quando chego no emprego não encontro mais um peculiar geóide sobre a mesa. As
jacas discretamente vão saindo de cena. Mas, assim como foi com as mangas, uma
delicia nutritiva dá lugar a outra. E já não é só um aroma no ar, as goiabeiras
estão ofertando os mais deliciosos frutos, nutritivos, seriam as vitaminas
adequadas para o fim de verão e inicio de inverno? Os pés carregam, sem fertilizante
nem defensivo.
E como forma
de retribuição, vou me dedicando a guardar sementes, e com um esforço desmedido
produzir mudas que darão árvores para nutrir outras gerações!!! Provando a
todos que não existe inflação. O custo dos alimentos é exatamente o mesmo de 5
mil anos atrás, uma porção de Sol, solo fértil e um bocado de água. Todos tem
acesso e podem colher, desempregados desesperados ou por malandragem, o mocinho
e o vilão, a virgem e a puta, criança e idoso, nutridos e saudáveis só esticar
o braço e morder.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
A família, habitação e drogas.
Foram momentos intensos esses de capacitação profissional! Adoro assistir alguns conceitos firmemente consolidados se encher de dúvidas.
Em um dos dias o tema foi Família...
Inicialmente cada um deveria escrever a palavra que lhe viesse a mente quando se falava em família. Pensei conflito. Mas ouvindo os colegas comentando amor, amizade, proteção, preferi mudar para convivência. Comentei com uma amiga que por sorte me disse: eu tinha pensado em ilusão, mas preferi escrever aprendizado. E assim não destoamos muito da opinião pública.
E então a outra etapa foi fazer um desenho do que nos representa a família, e explicar para todos o porque. Lá estava eu, com meus quatro meses de gestação, olhando uma folha em branco, lembrando de meus pais e tentando identificar algum sentimento passível de ser desenhado. O tempo correndo. "Fiz uma casa por ser o espaço onde se materializa a relação familiar", que ficou meio perdida em meio a tantos corações e elos de corrente. Puxa, já estava me sentindo uma bandida sem coração, sendo tão crítica de uma instituição tão indiscutivelmente amada.
Só que dentro de um CRAS, as famílias atendidas são bastante diferentes de um comercial de margarina. E esse era justamente o pulo do gato. Nosso querido facilitador nos divide em subgrupos, entrega cartolinas e diz, em uma metade desenha a família ideal, na outra a real. O grupo começou discutindo como representar o amor, respeito, confiança, seria um coração com luzinha? E então nossa mestre Yoda, lançou o cutucão: e vocês acham que não precisa de papai, mamãe e filhinho? Se não fosse ela eu provavelmente pensaria "lógico que não" e fim de papo. Uma do grupo defendeu firmemente que não. Dizia ela, dos casos de filhos que são bem tratados por pais viúvos. E perguntei meio assustada: e isso é o ideal?! Que a mãe morra? Passaram a dizer das crianças que são adotadas por gays amorosos. E novamente é esse o ideal? A criança ser afastada dos pais por algum fator bastante negativo para depois entrar num lar harmonioso? Mas então, nesse caso estaria eu defendendo a família tradicional brasileira? Talvez fosse melhor ter ficado nos termos abstratos e indiscutíveis, a família ideal é aquela que fornece proteção, amor, carinho, respeito, diálogo. A Yoda interveio novamente: não digo de gênero, mas com dois adultos fica muito mais leve dividir as responsabilidades e somatizar as alegrias. A outra colega, que não contou com auxilio presencial do companheiro na criação de seus dois filhos confirmou que é muito difícil formar a família sozinha, ter que organizar a casa, cuidar da saúde, alimentação, educação, tomar todas as decisões, etc. Então desenhamos duas silhuetas grandes e uma pequena, envolta por um coração com aberturas para o mundo exterior, com setas de acesso à unidades de saúde, lazer, educação, cultura, esporte, ambiente saudável. Do lado real ficou uma mulher com diversos filhos, sendo uma gestante, casinha de palafita no alto do morro, sem acesso a transporte, educação, saúde, com lixo e esgoto nas ruas, e violência verbal. Um pouco estereotipada, seria como a soma das vulnerabilidades das famílias atendidas.
Acontece que a capacitação continuou e os temas foram mudando e numa certa manhã falou-se de adolescência. E do fato de o Brasil ser um dos países com maior índice de homicídio entre meninos. Isso sendo permitido e incentivado pela guerra contra o tráfico. Aliás essa é a principal ocupação dos casos de trabalho infantil. Isso me deixou incomodada. Não é uma informação inédita, mas sempre incomoda.
Logo em seguida, não sei bem como entramos no tema da habitação. Na Ilhabela os aluguéis são exorbitantes e me revolto toda vez que estou nos cafundéu de uma viela escura e fedorenta, preenchendo um cadastro e a pessoa diz que paga 500/700 reais de aluguel. Isso é quase um salário mínimo!!!
E então me veio uma conclusão óbvia na cabeça.
Seria melhor legalizar e regulamentar a venda de drogas e proibir a cobrança de aluguel para moradia.
Enquanto isso seguiremos enxugando gelo...
Em um dos dias o tema foi Família...
Inicialmente cada um deveria escrever a palavra que lhe viesse a mente quando se falava em família. Pensei conflito. Mas ouvindo os colegas comentando amor, amizade, proteção, preferi mudar para convivência. Comentei com uma amiga que por sorte me disse: eu tinha pensado em ilusão, mas preferi escrever aprendizado. E assim não destoamos muito da opinião pública.
E então a outra etapa foi fazer um desenho do que nos representa a família, e explicar para todos o porque. Lá estava eu, com meus quatro meses de gestação, olhando uma folha em branco, lembrando de meus pais e tentando identificar algum sentimento passível de ser desenhado. O tempo correndo. "Fiz uma casa por ser o espaço onde se materializa a relação familiar", que ficou meio perdida em meio a tantos corações e elos de corrente. Puxa, já estava me sentindo uma bandida sem coração, sendo tão crítica de uma instituição tão indiscutivelmente amada.
Só que dentro de um CRAS, as famílias atendidas são bastante diferentes de um comercial de margarina. E esse era justamente o pulo do gato. Nosso querido facilitador nos divide em subgrupos, entrega cartolinas e diz, em uma metade desenha a família ideal, na outra a real. O grupo começou discutindo como representar o amor, respeito, confiança, seria um coração com luzinha? E então nossa mestre Yoda, lançou o cutucão: e vocês acham que não precisa de papai, mamãe e filhinho? Se não fosse ela eu provavelmente pensaria "lógico que não" e fim de papo. Uma do grupo defendeu firmemente que não. Dizia ela, dos casos de filhos que são bem tratados por pais viúvos. E perguntei meio assustada: e isso é o ideal?! Que a mãe morra? Passaram a dizer das crianças que são adotadas por gays amorosos. E novamente é esse o ideal? A criança ser afastada dos pais por algum fator bastante negativo para depois entrar num lar harmonioso? Mas então, nesse caso estaria eu defendendo a família tradicional brasileira? Talvez fosse melhor ter ficado nos termos abstratos e indiscutíveis, a família ideal é aquela que fornece proteção, amor, carinho, respeito, diálogo. A Yoda interveio novamente: não digo de gênero, mas com dois adultos fica muito mais leve dividir as responsabilidades e somatizar as alegrias. A outra colega, que não contou com auxilio presencial do companheiro na criação de seus dois filhos confirmou que é muito difícil formar a família sozinha, ter que organizar a casa, cuidar da saúde, alimentação, educação, tomar todas as decisões, etc. Então desenhamos duas silhuetas grandes e uma pequena, envolta por um coração com aberturas para o mundo exterior, com setas de acesso à unidades de saúde, lazer, educação, cultura, esporte, ambiente saudável. Do lado real ficou uma mulher com diversos filhos, sendo uma gestante, casinha de palafita no alto do morro, sem acesso a transporte, educação, saúde, com lixo e esgoto nas ruas, e violência verbal. Um pouco estereotipada, seria como a soma das vulnerabilidades das famílias atendidas.
Acontece que a capacitação continuou e os temas foram mudando e numa certa manhã falou-se de adolescência. E do fato de o Brasil ser um dos países com maior índice de homicídio entre meninos. Isso sendo permitido e incentivado pela guerra contra o tráfico. Aliás essa é a principal ocupação dos casos de trabalho infantil. Isso me deixou incomodada. Não é uma informação inédita, mas sempre incomoda.
Logo em seguida, não sei bem como entramos no tema da habitação. Na Ilhabela os aluguéis são exorbitantes e me revolto toda vez que estou nos cafundéu de uma viela escura e fedorenta, preenchendo um cadastro e a pessoa diz que paga 500/700 reais de aluguel. Isso é quase um salário mínimo!!!
E então me veio uma conclusão óbvia na cabeça.
Seria melhor legalizar e regulamentar a venda de drogas e proibir a cobrança de aluguel para moradia.
Enquanto isso seguiremos enxugando gelo...
terça-feira, 21 de outubro de 2014
E se o PT tiver meta e estratégia?
Me posicionava absolutamente contra o PT, dizendo o que todos dizem, que são corruptos, direita enrustida, e por aí a fora. É que idealizo uma sociedade anarquista, sem Estado, principalmente sem apropriação dos recursos e meios de produção, com núcleos de autogestão. Amo essa ideologia, e sim acredito ser possível e viável, pois baseada no único ser humano que conheço internamente considero a natureza humana boa =)
Muito bem. Acontece que por acaso estou tendo que ler mais do que filósofos, e teóricos. Estou estudando de cabo a rabo a Assistência Social brasileira. Tive que me despedir da minha ignorância e reconhecer que assistência social não é esmola, não é compra de votos, não é sustento de vagabundo. É, ou intenta ser, um conjunto de ações com o objetivo de garantir os direitos constitutivos de todo cidadão. Temo que se a direita for coerente e fiel a sua ideologia as questões sociais terão peso ínfimo no governo tucano. Fornecer segurança social depende de uma gama enorme de profissionais, de infraestrutura, pois um programa sério necessita (como está previsto na política nacional da assistência social) constante pesquisa, informação, monitoramento, capacitação de profissionais, elaboração de aplicativos para integrar e disponibilizar informação, métodos de garantia da transparência e etc. O que me faz pensar ser coerente, justa e necessária (dado o modelo atual de sociedade) um Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome.
Para toda essa política funcionar necessita-se de dinheiro, que obviamente vem dos impostos. Uma vez que todos que vivem nos limites territoriais estão sob a mesma constituição temos que ter em mente que para garantir os direitos previstos naquele textinho de 1988 precisamos de dinheiro. Pois o textinho, que nos rege a todos, não diz: terão direito a saúde, educação, dignidade os que puderem pagar, os que não podem azar, mudem-se à Cuba, e acima de tudo não se reproduzam. O discurso hegemônico que demoniza a quantidade de imposto deve ser visto com cautela, muita cautela.
Mas o ponto que eu realmente queria chegar, o que me fez vir até "aqui" é o seguinte. A principal crítica que eu tenho ao PT, e que fazia com que me mantivesse fiel a minha ideologia anarquista e mandasse as eleições ao carajo é que nesses 12 anos de governo o PT foi muito suave e benevolente com o "grande capital", foi companheiro do "poder hegemônico".
Não sei se comentei em outro post. Com o auxilio de uma socióloga maravilhosa identifiquei que a situação que levou à Revolução Francesa e outras, não poderia ser fome e miséria, como em algum ponto da minha catequização direitosa fui levada a crer. Pois justamente que quem está a morrer de fome pouco quer e nada pode discutir de política. É necessário um mínimo de segurança e estabilidade para se pensar além de suas necessidades pessoais básicas. Será que o levante de julho não é em grande parte devido aos programas sociais (por favor, antes de criticar um programa ou projeto social leia ele, e veja em sua cidade um efeito real dele)? Não houve um avanço nas questões LGBT, feminismo, e racismo? A mim parece claro que sim, vejo negros na universidade, um espaço historicamente branco, vejo casais homoafetivos legitimando sua relação, vejo a criminalização da violência doméstica.
Contudo, tenho total consciência, e gostaria muito que nesse momento você estivesse me xingando com o seguinte argumento: é justo precisarmos de programas sociais, de leis para defender os que não tem poder politico-economico? Com o desenho atual da sociedade, esses programas e leis são um remédio que aplacam um sintoma mas não tem poder de atacar a causa. Sim! A causa estaria ligada a desigual distribuição de recursos, a detenção do meio de produção, que gera uma hierarquia primária.
Governos anteriores, recentes, quiseram ir por si diretamente na causa. Jango já tinha estruturada e aprovada diversas reformas estruturais, ele tinha enorme apoio do povo, o poder hegemônico se fez mais ostensivo para apagar qualquer possível ameaça, e recebemos o golpe militar que fez o favor de estripar a qualidade do ensino público (e assim, eu particularmente não sou reformista e defendo uma sociedade sem escola, como disse é o meu mais alto ideal anárquico, mas dada a atual situação defendo que se é pra ser uma vida com base no dinheiro advindo da educação formal que tenham todos acesso ao ensino de qualidade), e enfim, fez aquelas grandes maravilhas que nós sabemos.
Um outro exemplo, próximo temporal e espacialmente foi o de Salvador Allende no Chile, que foi ainda mais longe, ele, caros amigos, chegou a nacionalizar as minas de cobre, reativar e nacionalizar industrias paradas, nacionaliza bancos. Em seus 3 anos de governo o Estado chega a controlar 60% da economia, se isso poderia ser bom ou ruim não dá pra saber pois, apesar de agir em absoluta conformidade com as leis do país, e ter o apoio de grande parte da população mesmo com os cruéis e desumanos boicotes e sabotagens, não apenas dos EUA como da elite chilena (que não tava assim feliz de perder seus privilégios de lucrar sozinha com minas de cobre e propriedade de terras). A brincadeira termina com armamentos pesados, banho de sangue, e volta a "ordem" em conformidade com o poder hegemônico.
O que eu quero dizer é que, enquanto libertária eu não quero votar. Mas que não tenho a menor ideia de como superar o modelo social vigente, baseado na escassez e exploração, que alimenta as piores injustiças e esta detonando com o planeta (e a possibilidade de vida fora do capital, ninguém vive sem água, e só tem na prateleira do mercado). E que, sendo de extrema esquerda, antes o rosa do que o violeta, me agarro na esperança de que em verdade o PT saiba que a qualquer ameaça mais visível corremos o risco de a opressão se tornar mais ostensiva. E então, agindo dentro dos limites, trata de dar suporte para que o povo promova a revolução suave e pacífica rumo a sociedade verdadeiramente justa, que pretendia Allende de dentro do Estado.
Muito bem. Acontece que por acaso estou tendo que ler mais do que filósofos, e teóricos. Estou estudando de cabo a rabo a Assistência Social brasileira. Tive que me despedir da minha ignorância e reconhecer que assistência social não é esmola, não é compra de votos, não é sustento de vagabundo. É, ou intenta ser, um conjunto de ações com o objetivo de garantir os direitos constitutivos de todo cidadão. Temo que se a direita for coerente e fiel a sua ideologia as questões sociais terão peso ínfimo no governo tucano. Fornecer segurança social depende de uma gama enorme de profissionais, de infraestrutura, pois um programa sério necessita (como está previsto na política nacional da assistência social) constante pesquisa, informação, monitoramento, capacitação de profissionais, elaboração de aplicativos para integrar e disponibilizar informação, métodos de garantia da transparência e etc. O que me faz pensar ser coerente, justa e necessária (dado o modelo atual de sociedade) um Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome.
Para toda essa política funcionar necessita-se de dinheiro, que obviamente vem dos impostos. Uma vez que todos que vivem nos limites territoriais estão sob a mesma constituição temos que ter em mente que para garantir os direitos previstos naquele textinho de 1988 precisamos de dinheiro. Pois o textinho, que nos rege a todos, não diz: terão direito a saúde, educação, dignidade os que puderem pagar, os que não podem azar, mudem-se à Cuba, e acima de tudo não se reproduzam. O discurso hegemônico que demoniza a quantidade de imposto deve ser visto com cautela, muita cautela.
Mas o ponto que eu realmente queria chegar, o que me fez vir até "aqui" é o seguinte. A principal crítica que eu tenho ao PT, e que fazia com que me mantivesse fiel a minha ideologia anarquista e mandasse as eleições ao carajo é que nesses 12 anos de governo o PT foi muito suave e benevolente com o "grande capital", foi companheiro do "poder hegemônico".
Não sei se comentei em outro post. Com o auxilio de uma socióloga maravilhosa identifiquei que a situação que levou à Revolução Francesa e outras, não poderia ser fome e miséria, como em algum ponto da minha catequização direitosa fui levada a crer. Pois justamente que quem está a morrer de fome pouco quer e nada pode discutir de política. É necessário um mínimo de segurança e estabilidade para se pensar além de suas necessidades pessoais básicas. Será que o levante de julho não é em grande parte devido aos programas sociais (por favor, antes de criticar um programa ou projeto social leia ele, e veja em sua cidade um efeito real dele)? Não houve um avanço nas questões LGBT, feminismo, e racismo? A mim parece claro que sim, vejo negros na universidade, um espaço historicamente branco, vejo casais homoafetivos legitimando sua relação, vejo a criminalização da violência doméstica.
Contudo, tenho total consciência, e gostaria muito que nesse momento você estivesse me xingando com o seguinte argumento: é justo precisarmos de programas sociais, de leis para defender os que não tem poder politico-economico? Com o desenho atual da sociedade, esses programas e leis são um remédio que aplacam um sintoma mas não tem poder de atacar a causa. Sim! A causa estaria ligada a desigual distribuição de recursos, a detenção do meio de produção, que gera uma hierarquia primária.
Governos anteriores, recentes, quiseram ir por si diretamente na causa. Jango já tinha estruturada e aprovada diversas reformas estruturais, ele tinha enorme apoio do povo, o poder hegemônico se fez mais ostensivo para apagar qualquer possível ameaça, e recebemos o golpe militar que fez o favor de estripar a qualidade do ensino público (e assim, eu particularmente não sou reformista e defendo uma sociedade sem escola, como disse é o meu mais alto ideal anárquico, mas dada a atual situação defendo que se é pra ser uma vida com base no dinheiro advindo da educação formal que tenham todos acesso ao ensino de qualidade), e enfim, fez aquelas grandes maravilhas que nós sabemos.
Um outro exemplo, próximo temporal e espacialmente foi o de Salvador Allende no Chile, que foi ainda mais longe, ele, caros amigos, chegou a nacionalizar as minas de cobre, reativar e nacionalizar industrias paradas, nacionaliza bancos. Em seus 3 anos de governo o Estado chega a controlar 60% da economia, se isso poderia ser bom ou ruim não dá pra saber pois, apesar de agir em absoluta conformidade com as leis do país, e ter o apoio de grande parte da população mesmo com os cruéis e desumanos boicotes e sabotagens, não apenas dos EUA como da elite chilena (que não tava assim feliz de perder seus privilégios de lucrar sozinha com minas de cobre e propriedade de terras). A brincadeira termina com armamentos pesados, banho de sangue, e volta a "ordem" em conformidade com o poder hegemônico.
O que eu quero dizer é que, enquanto libertária eu não quero votar. Mas que não tenho a menor ideia de como superar o modelo social vigente, baseado na escassez e exploração, que alimenta as piores injustiças e esta detonando com o planeta (e a possibilidade de vida fora do capital, ninguém vive sem água, e só tem na prateleira do mercado). E que, sendo de extrema esquerda, antes o rosa do que o violeta, me agarro na esperança de que em verdade o PT saiba que a qualquer ameaça mais visível corremos o risco de a opressão se tornar mais ostensiva. E então, agindo dentro dos limites, trata de dar suporte para que o povo promova a revolução suave e pacífica rumo a sociedade verdadeiramente justa, que pretendia Allende de dentro do Estado.
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
Cansado do PT? Porque?
Tenho o privilégio de fazer parte desse microuniverso chamado classe média branca. É um enorme e infeliz privilégio por várias razões: a mídia não me estereotipa de bandida, subalterna, horrorosa e ignorante. Não tenho medo de ter a casa invadida, o pai sequestrado pelo Estado. Me sinto pertencente a locais públicos, como universidade, shoppings etc.
Por outro lado, viver nesse universo me deixa cara a cara com opiniões e posições um tanto desconfortáveis. Agora em época de eleição a ignorância política/social de nossa classe fervilha. Eu me incluo nessa ignorância toda, pois seja por desinteresse, seja por incapacidade cognitiva não sei nada de política partidária. O que para mim tá tudo certo, uma vez que me assumi como anarquista e no fatídico domingo de eleições pretendo ir a praia, nem votar, nem anular, nem justificar. Me sinto a vontade com essa decisão porque não acredito no sistema eleitoral, sinceramente, você pesquisou todos os candidatos e propostas? De todos os cargos? E sabe qual é a função de cada um desses cargos, e acompanhará o desempenho de cada candidato eleito? E sente-se representada por tal criatura? Acho que pode ser que sim! Ótimo, mas o que tenho escutado me deixa confusa e chateada.
O maior argumento da classe média que vem falar de política comigo é que não vai votar na Dilma porque ninguém aguenta mais o PT! Cuma? Simples assim, saiu de moda, ficou cafona. A cada estação muda-se a estampa na vitrine do shopping, a cada eleição deve-se renovar o presidente! Tá mas você viu que bem ou mal houve enorme progresso na qualidade de vida da população carente, Planos e Políticas para adolescentes em risco social e pessoal, aprimoramento na Lei de Assistência Social, e essas coisas?
Acho que no auge do choramingo "classe média sofre" talvez seja justamente por isso que PT "saiu de moda". E aí vem a proposta da nova política.
E eu fico realmente confusa. Que inovação toda essa gente quer?! Aqui eu meio que me identifico, porque também quero revolução. "Eu, candidato pretendo romper com valores capitalistas, e acabar com toda e qualquer hierarquia. Ao longo do meu governo buscarei empoderar as pessoas de modo que a massa se desfaça em seres apropriados de si, que pensam de modo crítico. E juntos diminuiremos os poderes de bancos, empreiteiras, montadoras e demais multinacionais monopolizadoras." Mas, sinceramente, acho bem difícil que seja essa a inovação buscada por quem está "cansado do PT".
Acho que no auge de sua ignorância sociológica, de direitos humanos, despidos dos valores de Igualdade, Liberdade e Fraternidade, no topo de seu interesse mesquinho pela busca incessante de mais conforto, poder de compra e satisfação de prazeres sociais, de ampliar sua rede de servos, eles querem uma mudança chamada austeridade e retrocesso. Deus abençoe suas incapacidades de articulação, amém.
Por outro lado, viver nesse universo me deixa cara a cara com opiniões e posições um tanto desconfortáveis. Agora em época de eleição a ignorância política/social de nossa classe fervilha. Eu me incluo nessa ignorância toda, pois seja por desinteresse, seja por incapacidade cognitiva não sei nada de política partidária. O que para mim tá tudo certo, uma vez que me assumi como anarquista e no fatídico domingo de eleições pretendo ir a praia, nem votar, nem anular, nem justificar. Me sinto a vontade com essa decisão porque não acredito no sistema eleitoral, sinceramente, você pesquisou todos os candidatos e propostas? De todos os cargos? E sabe qual é a função de cada um desses cargos, e acompanhará o desempenho de cada candidato eleito? E sente-se representada por tal criatura? Acho que pode ser que sim! Ótimo, mas o que tenho escutado me deixa confusa e chateada.
O maior argumento da classe média que vem falar de política comigo é que não vai votar na Dilma porque ninguém aguenta mais o PT! Cuma? Simples assim, saiu de moda, ficou cafona. A cada estação muda-se a estampa na vitrine do shopping, a cada eleição deve-se renovar o presidente! Tá mas você viu que bem ou mal houve enorme progresso na qualidade de vida da população carente, Planos e Políticas para adolescentes em risco social e pessoal, aprimoramento na Lei de Assistência Social, e essas coisas?
Acho que no auge do choramingo "classe média sofre" talvez seja justamente por isso que PT "saiu de moda". E aí vem a proposta da nova política.
E eu fico realmente confusa. Que inovação toda essa gente quer?! Aqui eu meio que me identifico, porque também quero revolução. "Eu, candidato pretendo romper com valores capitalistas, e acabar com toda e qualquer hierarquia. Ao longo do meu governo buscarei empoderar as pessoas de modo que a massa se desfaça em seres apropriados de si, que pensam de modo crítico. E juntos diminuiremos os poderes de bancos, empreiteiras, montadoras e demais multinacionais monopolizadoras." Mas, sinceramente, acho bem difícil que seja essa a inovação buscada por quem está "cansado do PT".
Acho que no auge de sua ignorância sociológica, de direitos humanos, despidos dos valores de Igualdade, Liberdade e Fraternidade, no topo de seu interesse mesquinho pela busca incessante de mais conforto, poder de compra e satisfação de prazeres sociais, de ampliar sua rede de servos, eles querem uma mudança chamada austeridade e retrocesso. Deus abençoe suas incapacidades de articulação, amém.
sexta-feira, 6 de junho de 2014
Greve Geral
Minha sensibilidade é um pouco exacerbada, não me resta dúvida, mas analisaremos a situação dos trabalhadores brasileiros (e certamente de todos os outros países globalizados). No melhor dos casos, isso é quando se recebe um salário adequado que supera as contas, se tem uma propriedade privada, estabilidade razoável, consegue-se adquirir bens, livros, tem férias remunerada e décimo terceiro, enfim, no caso da classe média alta que pode pagar 20 reais no cinema todo fim de semana. Esses que estão como eu disse muuuuito bem, saem de suas casas por volta das 6/7 hs da manhã, enfrentam um transito dos diabos em seus carros, e voltam normalmente depois das 22 hs. Obviamente não resta muito tempo e energia mental para livros, cultura, conversas profundas, busca do aprimoramento do caráter, do espírito, filosofar, meditar. Só dá para seguir com mais do mesmo.
Existe ainda os pobres, ou nova classe média. Que recebem um salário mínimo, pagam aluguel (numa favela do Rio algo semelhante a uma casa custa por mês 500 reais), a passagem de ônibus é absurda (sendo 3 reais, gasta-se por mês 120 reais), alimentam-se com o básico (não que os de cima se alimentem muito melhor uma vez que no mercado só se vende porcaria industrializada com gosto esquisito abarrotado de sal e açúcar, com zero valor nutricional) e não deve sobrar dinheiro para livros, filmes, viagens etc. Os bairros que mais recebem investimento são mais nobres, restando aos pobres ausência de rede de esgoto, ruas pavimentadas, praças, parques, paisagismo, metrô. E a mais nova onda, possibilidade latente de desapropriação. Claro, sem contar a pacífica abordagem policial. Relembrando os casos famosos e recentes de Amarildo e Cláudia, ou ainda a inquietante pergunta "Porque o senhor atirou em mim?". Outro fator menos lógico e objetivo que oprime essa classe é o status social, lixeiros não são vistos, cobradores não são admirados, funções de submissão são vistas com desprezo subentendido como falta de capacidade, dedicação, esforço, são associadas a pessoas de pouco mérito e valor, isso repercute, sem dúvida alguma, no self de cada um. Por isso lutar por Fraternidade não me pareceu algo estúpido.
O que eu sinto é que vivemos uma falta de liberdade devido normas sociais castradoras de uma população altamente doutrinada a aceitar o status quo. Claro que sentir não serve para nada, posso então tronar mais lógico e objetivo esse "sentir", mais científico e acadêmico, Maquiavel aconselha em O Príncipe que uma população que vive sob o guarda-chuva da liberdade... não tem jeito, tem que ser dizimada, ou mais pra frente te trarão problemas, sempre tendo esse conceito a lhes encorajar:
Não li, mas a socióloga que dirige nosso grupo de estudos já adiantou, Marx e outros, vão dizer que o poder se dá ou pela:
Coação/ideologia, [onde vemos o discurso retumbante "o trabalho é nobre", "Deus ajuda quem cedo madruga", e os apelos comerciais compre, compre, compre, para ser mulher precisa comprar esmalte, comprar gilete, comprar maquiagem, jóias, cabeleireiro, depilação, salto alto, seios fartos (compre um par), se não não se é nada, os homens precisam de carro, relógio, camisas, pinto grande, e ser descolado, bem informado, tem que ter dinheiro, balada cara, bebida a rodo, viagem, cinema, compras. A mídia desempenha papel preponderante, podemos também pensar nas escolas] ou pela
Coerção/força, [sem servir você simplesmente morre de fome, existe latente e exacerbadamente a criminalização da pobreza, falta de serviços públicos básicos, infra-estrutura em bairros pobre. Esse papel o Estado parece assumir com certa maestria].
Não é novidade que a exploração humana alcance limites insuportáveis. Ainda que, reconheço tenhamos, enquanto humanidade, vivido poderes mais tenebrosos e condições mais lastimáveis. Agora, o limite da capacidade de tolerar explorações foi ultrapassado para um grande número de pessoas (pois convém relembrar muitas sempre estiveram gritando o quão absurda é essa relação de poder e essa estrutura social, sempre gritaram sob cassetetes e prisões arbitrárias).
A copa conseguiu servir de estopim! E foi tão ridícula que uma teoria me instiga a mente, não teria sido exatamente essa a intenção? Assume-se o poder e se reconhece: Não há jeito de melhorar pelo Estado, estamos dominados por interesses corporativistas, vamos então deixar a coisa tão absurda, tão injusta, tão desumana e insuportável, que a única resposta possível seja o levante popular. A internet mais difundida, mesmo nas periferias, ainda relativamente livre, traz informações sobre revoltas e levantes, e afasta o estigma de "brasileiro é passivo, sempre foi, sempre será, amém", podemos acessar documentários com profundas críticas sociais que nos inspiram e transformam, baixar livros, trocar ideias, mas isso só para quem tem o tempo livre necessário para filosofar, para quem pode abrir mão de jornadas extenuantes de trabalho. E para quem conseguiu sair da Matrix ["informações" produzidas por televisão, revista, livro de livraria de shopping - que produzem uma realidade falsa e ilusória]. E como expor o descontentamento com a exploração e a degradação da qualidade de vida?
Os professores estão de greve, metroviários, CET, PRF, já assistimos aos lixeiros do Rio cruzarem os braços, policiais militares. E ensaia-se uma greve geral, em plena copa! Ao meu ver nada parece mais coerente e justo. Convenhamos, mais de 90% das pessoas trabalham única e exclusivamente para terem acesso ao que o dinheiro permite (saúde, educação, segurança, cultura, lazer, habilidades, alimentação...).
Greves gerais já foram realizadas diversas vezes (a história parece não mudar, sempre houve quem se deleitasse na exploração do trabalho/vida do corpo alheio e sempre houve quem repugnasse tal atitude, podemos chama-los anarquistas - e se em alguma sociedade não era assim, então não há informação sobre ela). No Brasil, encontrei duas referências de greves gerais, uma de 1907 (4 de maio) e outra de 1917.
Poucas informações achei sobre a greve de 1907, ainda mais porque se confundem com uma greve francesa de 1906. As reivindicações eram por jornadas de 8 horas (pois eram de 13 hs), proibição do trabalho infantil, férias e salários decentes. A greve foi brutalmente reprimida pelas graças de Washington Luis. Mas, como não haviam celulares com câmaras as imagens são raras...
As pautas continuaram latente e os anarco-sindicalistas inquietos. O Brasil atuou como exportador de alimentos para a manutenção da primeira guerra mundial, o que reduziu a oferta de alimentos para abastecimento interno. O cenário de 1917 apresentava alto custo (sem parcelamento) de vida, incompatível com os baixos salários, ampla exploração do trabalho infantil, jornadas extenuantes, e forte repressão policial a articulações proletárias. Até que em 9 de julho a repressão estatal fez uma vítima fatal José Martinez, no dia de seu velório milhares de operários acompanharam se corpo e iniciou-se nova Greve Geral. Os grevistas tomaram a cidade por 30 dias! O comércio fechou, os transportes pararam. Suas reivindicações eram:
não criminalização do movimento (liberação de presos políticos, não punição aos participantes),
abolição do trabalho infantil (menor de 14 anos),
abolição do trabalho noturno para menores de 18 e mulheres,
aumento salarial,
jornada de 8 horas e semana inglesa (dias de semana e meio período no sábado) e
pagamento de hora extra.
O movimento não ficou restrito à São Paulo, influenciando outros estados, em especial Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro (Insurreição Anarquista de 1918).
Pois é, cá estamos nós diante de uma "efervescência social" por razões ligeiramente diferentes das de 1906, 1917, e das que crucificaram Jesus Cristo eu diria. Alguns se irritam, outros temem, muitos não conseguem entender. É porque nos faltou sociologia na escola, nas conversas, na TV, na revista. Eu não vejo razão para temer, aliás meu único temor é a repressão armada do Estado, os robocops recém chegados do treinamento no Haiti, os que agem na favela, esse é o meu único temor. Jovens de preto quebrando vidros, esses não me assustam. Grevistas atrapalhando o jogo, esses me inspiram.
"Quem se faz senhor de uma cidade por tradição livre e não a destrói, por ela se verá destruído. Estas cidades trazem sempre por bandeira, nas revoltas, a liberdade e suas antigas leis, que jamais esquecem, nem com o passar do tempo nem com a influência dos benefícios recebidos. Por muito que se faça, sejam quais forem às precauções tomadas, não sendo promovido o dissídio e a desagregação dos habitantes, não deixam eles de recordar aqueles princípios, e em qualquer oportunidade, em qualquer situação, recorrem aos mesmos. "Em Discurso Sobre a Servidão Voluntária, novamente um louvor à liberdade, sem ela tudo o mais perde o gosto, pois essa seria a natureza do ser humano, algo intrínseco a ele. Mas, como fazer os humanos abdicarem de sua natureza livre para servir pacífica e voluntariamente? Através da ilusão dos prazeres fugazes oferecidos na cidade, comida, jogos, espetáculos.
Não li, mas a socióloga que dirige nosso grupo de estudos já adiantou, Marx e outros, vão dizer que o poder se dá ou pela:
Coação/ideologia, [onde vemos o discurso retumbante "o trabalho é nobre", "Deus ajuda quem cedo madruga", e os apelos comerciais compre, compre, compre, para ser mulher precisa comprar esmalte, comprar gilete, comprar maquiagem, jóias, cabeleireiro, depilação, salto alto, seios fartos (compre um par), se não não se é nada, os homens precisam de carro, relógio, camisas, pinto grande, e ser descolado, bem informado, tem que ter dinheiro, balada cara, bebida a rodo, viagem, cinema, compras. A mídia desempenha papel preponderante, podemos também pensar nas escolas] ou pela
Coerção/força, [sem servir você simplesmente morre de fome, existe latente e exacerbadamente a criminalização da pobreza, falta de serviços públicos básicos, infra-estrutura em bairros pobre. Esse papel o Estado parece assumir com certa maestria].
Não é novidade que a exploração humana alcance limites insuportáveis. Ainda que, reconheço tenhamos, enquanto humanidade, vivido poderes mais tenebrosos e condições mais lastimáveis. Agora, o limite da capacidade de tolerar explorações foi ultrapassado para um grande número de pessoas (pois convém relembrar muitas sempre estiveram gritando o quão absurda é essa relação de poder e essa estrutura social, sempre gritaram sob cassetetes e prisões arbitrárias).
A copa conseguiu servir de estopim! E foi tão ridícula que uma teoria me instiga a mente, não teria sido exatamente essa a intenção? Assume-se o poder e se reconhece: Não há jeito de melhorar pelo Estado, estamos dominados por interesses corporativistas, vamos então deixar a coisa tão absurda, tão injusta, tão desumana e insuportável, que a única resposta possível seja o levante popular. A internet mais difundida, mesmo nas periferias, ainda relativamente livre, traz informações sobre revoltas e levantes, e afasta o estigma de "brasileiro é passivo, sempre foi, sempre será, amém", podemos acessar documentários com profundas críticas sociais que nos inspiram e transformam, baixar livros, trocar ideias, mas isso só para quem tem o tempo livre necessário para filosofar, para quem pode abrir mão de jornadas extenuantes de trabalho. E para quem conseguiu sair da Matrix ["informações" produzidas por televisão, revista, livro de livraria de shopping - que produzem uma realidade falsa e ilusória]. E como expor o descontentamento com a exploração e a degradação da qualidade de vida?
Os professores estão de greve, metroviários, CET, PRF, já assistimos aos lixeiros do Rio cruzarem os braços, policiais militares. E ensaia-se uma greve geral, em plena copa! Ao meu ver nada parece mais coerente e justo. Convenhamos, mais de 90% das pessoas trabalham única e exclusivamente para terem acesso ao que o dinheiro permite (saúde, educação, segurança, cultura, lazer, habilidades, alimentação...).
Greves gerais já foram realizadas diversas vezes (a história parece não mudar, sempre houve quem se deleitasse na exploração do trabalho/vida do corpo alheio e sempre houve quem repugnasse tal atitude, podemos chama-los anarquistas - e se em alguma sociedade não era assim, então não há informação sobre ela). No Brasil, encontrei duas referências de greves gerais, uma de 1907 (4 de maio) e outra de 1917.
Poucas informações achei sobre a greve de 1907, ainda mais porque se confundem com uma greve francesa de 1906. As reivindicações eram por jornadas de 8 horas (pois eram de 13 hs), proibição do trabalho infantil, férias e salários decentes. A greve foi brutalmente reprimida pelas graças de Washington Luis. Mas, como não haviam celulares com câmaras as imagens são raras...
As pautas continuaram latente e os anarco-sindicalistas inquietos. O Brasil atuou como exportador de alimentos para a manutenção da primeira guerra mundial, o que reduziu a oferta de alimentos para abastecimento interno. O cenário de 1917 apresentava alto custo (sem parcelamento) de vida, incompatível com os baixos salários, ampla exploração do trabalho infantil, jornadas extenuantes, e forte repressão policial a articulações proletárias. Até que em 9 de julho a repressão estatal fez uma vítima fatal José Martinez, no dia de seu velório milhares de operários acompanharam se corpo e iniciou-se nova Greve Geral. Os grevistas tomaram a cidade por 30 dias! O comércio fechou, os transportes pararam. Suas reivindicações eram:
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| Funeral José Martinez - São Paulo |
abolição do trabalho infantil (menor de 14 anos),
abolição do trabalho noturno para menores de 18 e mulheres,
aumento salarial,
jornada de 8 horas e semana inglesa (dias de semana e meio período no sábado) e
pagamento de hora extra.
O movimento não ficou restrito à São Paulo, influenciando outros estados, em especial Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro (Insurreição Anarquista de 1918).
Pois é, cá estamos nós diante de uma "efervescência social" por razões ligeiramente diferentes das de 1906, 1917, e das que crucificaram Jesus Cristo eu diria. Alguns se irritam, outros temem, muitos não conseguem entender. É porque nos faltou sociologia na escola, nas conversas, na TV, na revista. Eu não vejo razão para temer, aliás meu único temor é a repressão armada do Estado, os robocops recém chegados do treinamento no Haiti, os que agem na favela, esse é o meu único temor. Jovens de preto quebrando vidros, esses não me assustam. Grevistas atrapalhando o jogo, esses me inspiram.
segunda-feira, 10 de março de 2014
Sociedade em crise e vislumbres de novas possibilidades
Não é mais questão de política, de como regular o mercado, para que ele se auto-regule, trata-se de gerir os recursos que temos. E não digo apenas de recursos materiais, como terra fértil, metais, vento, senão também recursos mais sutis, como a criatividade humana, a tecnologia potencial, e até os sentimentos nobres. Convenhamos, sentimentos nobres são sistematicamente desincentivado.
Porque temos empregos? Com tantas máquinas. Pensa, a maioria dos empregos são tediosos e totalmente inúteis. Para transferir a placa de meu carro, falei com aproximadamente 15 pessoas, essas me atenderam diretamente, no balcão do detran, na vistoria, para fazer a placa, no banco, e se não precisássemos de placas, ou melhor, se não precisássemos de carros, por meio de um transporte público eficiente? Quantos empregos seriam/são desnecessários! E não é ruim não ter emprego, essas pessoas passam a maior parte do seu dia fazendo uma atividade chata pra caramba, como passar lápis sobre uma etiqueta colada no chassi! Esse camarada com tempo livre poderia compor canções tão lindas como as que jamais iremos ouvir. Se o governo britânico não tivesse (como não tem atualmente) investido em cultura Jonh Lennon teria passado toda sua vida empilhando caixas, e nós jamais cantaríamos e nos inspiraríamos com Imagine. Emprego não é bom, é uma bosta, trabalhar no que realmente gosta (sem depender do salário) é bom. Criar emprego é a pior medida política que pode-se usar de propaganda eleitoral. Temos que pensar em diminuir empregos, aumentar distribuição e tempo livre.
Mas, porque as pessoas buscam emprego feito loucas? Pq mesmo o mais humilde dos seres humanos, o dotado de zero ganância precisa de emprego? Por causa do dinheiro! Não do dinheiro em si, mas do passaporte para condições mínimas de vida. Alimentação, remédio, informação, conhecimento, cultura, atividade social, transporte. Não precisamos de dinheiro, ninguém precisa de dinheiro, mas precisamos e muito do acesso à bens que só nos oferecem mediante a essa troca inescrupulosa. Passa tempo. Nessas férias fui a uma praia e haviam várias pranchas de remar, elas ficavam em pé, paradas, porque eram alugadas, e quando não havia dinheiro para alugá-las, elas ficavam paradas e alguém desejoso de brincar, ficava passando vontade, entediado, mais pobres não podem nem chegar perto de uma.
Jacques Fresco conta que na crise de 30 "Foi difícil entender o motivo porque milhões de pessoas estavam sem trabalho, sem teto e prestes a morrer de fome, enquanto todas as fábricas estavam ali, os recursos não tinham mudado." Nesse momento começou a entender e questionar e entender e criticar as "regras do jogo" econômico. Viveu também a segunda guerra mundial "onde as nações se revezavam na destruição mutua e sistemática. Calculei que toda destruição e todos os recursos desperdiçados na guerra poderiam facilmente ter provido todas as necessidades humanas no planeta."
Seguiu observando criticamente as medidas governamentais economicistas e "desenvolvimentistas" e depois de muito ler (aparentemente muito e sobre tudo, religião, sociedade, poder, comportamento humano, economia), pensar, propor, dialogar, viajar, trabalhar, se envolver em projetos diversos, ele passou a identificar as raízes do problema e idealizar suas soluções. Chegou então a essa bela possibilidade chamada Projeto Venus. Venus é a cidade da Florida em que se encontra seu centro de pesquisa, mas é um nome muito curioso, e feliz, pois diversas linhas místicas mantem a tradição de dar à "Deus" um aspecto feminino (não é mulher, o feminino existe em diversos graus nos homens também), o qual estaria mais voltado a generosidade, constância, cooperação, as sociedades matriarcais que houveram não tinham uma natureza guerreira e opressora. Mas enfim, sigamos!
E porque existe o dinheiro? Seria para controlar o acesso a recursos limitados. ok, mas não somos capazes de pensar em outras formas de lidar com esses recursos? Porque temos que limitar moradia, transporte, saúde? Esses "recursos" são limitados? Uau, pois quando eu entro num supermercado não me parece, muitos autores que estudam a "geopolítica da fome" concordam que produzimos alimento suficiente para 12 bilhões de seres humanos, somos em 7, dos quais 12,5% passa fome (fonte). Será mesmo o dinheiro uma maneira inteligente de gerir recursos? Quantos médicos se formam por ano, o conhecimento é um recurso limitado? Meu amigo economista resolve todos os problemas em 2 segundos, aumenta o preço daqui, investe ali, fiscaliza acolá... bem, convenhamos, esperar que o capitalismo traga abundância a todos é muita ingenuidade, não?! A escassez e a miséria é interessante para a manutenção do satus quo, será que se todos tivessem acesso garantido à saúde, alimentação, lazer e moradia se submeteriam a empregos desumanos e degradantes? A pobreza é um baita negócio nesse atual sistema, pode-se pagar 500 reais de aluguel numa casa com 3 dormitórios nas favelas do Rio:
"Segundo o Data Popular, as favelas geram por ano cerca 63 bilhões de reais. Por isso vale a pena mostrar a favela como um lugar formidável [sobre uma matéria do Fantástico que mostrava as maravilhas do morro]. Os recursos não permanecem nas favelas. O ciclo da economia gira em torno das grandes redes. Vale a pena colocar uma Besni, um Itaú e uma Casas Bahia em uma favela: em alguns estados o governo oferece como contrapartida isenção de imposto para as empresas - uma espécie de insalubridade, a mão de obra é barata, o povo paga as contas em dia, mesmo com a geladeira, adquirida por pressão no intervalo da novela, que anunciava a redução do IPI, vazia."
A vida e a qualidade de vida deixou a muito tempo de ser prioridade. Mesmo a informação, dada por jornalistas, não busca a verdade e sua difusão, busca o lucro, acumular dinheiro a patrões bastante distantes da realidade que são noticiadas. O mesmo com os avanços tecnológicos e na área da saúde, será interessante economicamente desenvolver a cura do câncer, ou meios de evitá-lo? No meio acadêmico até, vi esses dias que um estudo que buscava relacionar transgênico com câncer foi terrivelmente criticado, principalmente por cientistas que trabalhavam em projetos de patentes de transgênicos, ganhado certamente muito dinheiro.
O universo do pensamento é livre, podemos idealizar o que quisermos: e se não houvesse dinheiro? Você pensa que ficariam todos os seres humanos ociosos, se comendo, e sei lá eu fazendo o que mais? A única coisa que te motiva é ganhar dinheiro? E se vc não precisasse, não há nada que te interessa? Desenho, filosofia, música, engenhocas, corpo humano, nada? Imagine que vc pudesse entrar em um supermercado e pegar o que quisesse para se alimentar, para vestir, totalmente livre. Nossas férias e fim de semana são poucos "produtivos", pois gastamos toda nossa energia no emprego.
O mundo está um caos, inteiro e completo. Nosso ambiente cada vez mais poluído e degradado, desculpe, mas não se iluda pensando que se todos reciclassem, se todos poupassem, se todos... pq não vai acontecer, enquanto as inovações forem disputadas a tapa por grandes corporações desejosas de mais lucro, cada tecnologia que aparece não é para o bem comum, cada politica que se cria também não, todas as inovações são para aumentar os lucros, ou não recebem investimentos (vide Tesla que morreu pobre investindo tudo o que tinha no desenvolvimento de energia gratuita e powers) e nessa onda também se focam as medidas sociais (o ciência sem fronteiras tem parceria com grandes empresas e o objetivo não é melhorar a qualidade de vida de forma holística, não é que o conhecimento adquirido seja aplicado na melhora da vida dos que necessitam, através de inovações de ponta, basta ver o foco dos cursos e as empresas parceiras, é uma medida de criar mão de obra qualificada para aumentar os lucros, e esses lucros são importantes pois geram emprego... e novamente não há investimento em emancipação, capital social e empoderamento popular). Você pensa que é livre mas não é. E nem será enquanto tiver que pagar as contas, e sem "pagar as contas" vc não se transporta, não come, não se cura, nem se mantém saudável, não se comunica. E é possível mudar isso, afinal os recursos existem, as pessoas existem, elas tem criatividade para tecnologias, o que pode deixar de existir é o que regula o acesso a tudo isso, o dinheiro. E, quando deixar não haverá exclusão, não haverá diferença entre brancos e negros, homem e mulher, artista ou engenheiro, quer dizer haverá diferença, mas nenhum será excluído, todos poderão entrar na mesma loja e terão as mesmas possibilidades, as diferenças serão internas, como aptidão, interesse, etc. mas não serão diferenças qualificadoras "melhor ou pior".
É claro que haverão problemas e limitações, pois tudo é dinâmico, e talvez esse modelo possa deixar de servir em algum momento, como, convenhamos, o modelo atual não serve mais...
Vale a pena assistir ao documentário Paraíso ou Esquecimento, estamos em um momento importante. Muitos renomados ecologistas (Odum - O Declínio Próspero) e economistas (Meadows - Os Limites do Crescimento) acreditam ser nossa fase atual um ponto crítico, ou seguimos com a lógica atual (ainda que maquiada de medidas "freio de mão" como reciclagem, protocolo de kioto e blablabla) explorando, extraindo, poluindo, concentrando e lucrando, ou aproveitamos que ainda temos energia não renovável o suficiente e construímos uma nova sociedade sustentável, pautada em outro paradigma, que não o economicismo tradicional calcado na competição e acumulação. Nos livros defendem que essa é uma escolha que deve ser tomada, e quanto mais rápido mais próspero será o "declínio" da atual economia e civilização (como é nesse momento), não tomar essa decisão implica em esgotarmos as possibilidades de escolha e interferência nesse declínio, que é inevitável.
Porque temos empregos? Com tantas máquinas. Pensa, a maioria dos empregos são tediosos e totalmente inúteis. Para transferir a placa de meu carro, falei com aproximadamente 15 pessoas, essas me atenderam diretamente, no balcão do detran, na vistoria, para fazer a placa, no banco, e se não precisássemos de placas, ou melhor, se não precisássemos de carros, por meio de um transporte público eficiente? Quantos empregos seriam/são desnecessários! E não é ruim não ter emprego, essas pessoas passam a maior parte do seu dia fazendo uma atividade chata pra caramba, como passar lápis sobre uma etiqueta colada no chassi! Esse camarada com tempo livre poderia compor canções tão lindas como as que jamais iremos ouvir. Se o governo britânico não tivesse (como não tem atualmente) investido em cultura Jonh Lennon teria passado toda sua vida empilhando caixas, e nós jamais cantaríamos e nos inspiraríamos com Imagine. Emprego não é bom, é uma bosta, trabalhar no que realmente gosta (sem depender do salário) é bom. Criar emprego é a pior medida política que pode-se usar de propaganda eleitoral. Temos que pensar em diminuir empregos, aumentar distribuição e tempo livre.
Mas, porque as pessoas buscam emprego feito loucas? Pq mesmo o mais humilde dos seres humanos, o dotado de zero ganância precisa de emprego? Por causa do dinheiro! Não do dinheiro em si, mas do passaporte para condições mínimas de vida. Alimentação, remédio, informação, conhecimento, cultura, atividade social, transporte. Não precisamos de dinheiro, ninguém precisa de dinheiro, mas precisamos e muito do acesso à bens que só nos oferecem mediante a essa troca inescrupulosa. Passa tempo. Nessas férias fui a uma praia e haviam várias pranchas de remar, elas ficavam em pé, paradas, porque eram alugadas, e quando não havia dinheiro para alugá-las, elas ficavam paradas e alguém desejoso de brincar, ficava passando vontade, entediado, mais pobres não podem nem chegar perto de uma.
Seguiu observando criticamente as medidas governamentais economicistas e "desenvolvimentistas" e depois de muito ler (aparentemente muito e sobre tudo, religião, sociedade, poder, comportamento humano, economia), pensar, propor, dialogar, viajar, trabalhar, se envolver em projetos diversos, ele passou a identificar as raízes do problema e idealizar suas soluções. Chegou então a essa bela possibilidade chamada Projeto Venus. Venus é a cidade da Florida em que se encontra seu centro de pesquisa, mas é um nome muito curioso, e feliz, pois diversas linhas místicas mantem a tradição de dar à "Deus" um aspecto feminino (não é mulher, o feminino existe em diversos graus nos homens também), o qual estaria mais voltado a generosidade, constância, cooperação, as sociedades matriarcais que houveram não tinham uma natureza guerreira e opressora. Mas enfim, sigamos!
E porque existe o dinheiro? Seria para controlar o acesso a recursos limitados. ok, mas não somos capazes de pensar em outras formas de lidar com esses recursos? Porque temos que limitar moradia, transporte, saúde? Esses "recursos" são limitados? Uau, pois quando eu entro num supermercado não me parece, muitos autores que estudam a "geopolítica da fome" concordam que produzimos alimento suficiente para 12 bilhões de seres humanos, somos em 7, dos quais 12,5% passa fome (fonte). Será mesmo o dinheiro uma maneira inteligente de gerir recursos? Quantos médicos se formam por ano, o conhecimento é um recurso limitado? Meu amigo economista resolve todos os problemas em 2 segundos, aumenta o preço daqui, investe ali, fiscaliza acolá... bem, convenhamos, esperar que o capitalismo traga abundância a todos é muita ingenuidade, não?! A escassez e a miséria é interessante para a manutenção do satus quo, será que se todos tivessem acesso garantido à saúde, alimentação, lazer e moradia se submeteriam a empregos desumanos e degradantes? A pobreza é um baita negócio nesse atual sistema, pode-se pagar 500 reais de aluguel numa casa com 3 dormitórios nas favelas do Rio:
"Segundo o Data Popular, as favelas geram por ano cerca 63 bilhões de reais. Por isso vale a pena mostrar a favela como um lugar formidável [sobre uma matéria do Fantástico que mostrava as maravilhas do morro]. Os recursos não permanecem nas favelas. O ciclo da economia gira em torno das grandes redes. Vale a pena colocar uma Besni, um Itaú e uma Casas Bahia em uma favela: em alguns estados o governo oferece como contrapartida isenção de imposto para as empresas - uma espécie de insalubridade, a mão de obra é barata, o povo paga as contas em dia, mesmo com a geladeira, adquirida por pressão no intervalo da novela, que anunciava a redução do IPI, vazia."
A vida e a qualidade de vida deixou a muito tempo de ser prioridade. Mesmo a informação, dada por jornalistas, não busca a verdade e sua difusão, busca o lucro, acumular dinheiro a patrões bastante distantes da realidade que são noticiadas. O mesmo com os avanços tecnológicos e na área da saúde, será interessante economicamente desenvolver a cura do câncer, ou meios de evitá-lo? No meio acadêmico até, vi esses dias que um estudo que buscava relacionar transgênico com câncer foi terrivelmente criticado, principalmente por cientistas que trabalhavam em projetos de patentes de transgênicos, ganhado certamente muito dinheiro.
O universo do pensamento é livre, podemos idealizar o que quisermos: e se não houvesse dinheiro? Você pensa que ficariam todos os seres humanos ociosos, se comendo, e sei lá eu fazendo o que mais? A única coisa que te motiva é ganhar dinheiro? E se vc não precisasse, não há nada que te interessa? Desenho, filosofia, música, engenhocas, corpo humano, nada? Imagine que vc pudesse entrar em um supermercado e pegar o que quisesse para se alimentar, para vestir, totalmente livre. Nossas férias e fim de semana são poucos "produtivos", pois gastamos toda nossa energia no emprego.
O mundo está um caos, inteiro e completo. Nosso ambiente cada vez mais poluído e degradado, desculpe, mas não se iluda pensando que se todos reciclassem, se todos poupassem, se todos... pq não vai acontecer, enquanto as inovações forem disputadas a tapa por grandes corporações desejosas de mais lucro, cada tecnologia que aparece não é para o bem comum, cada politica que se cria também não, todas as inovações são para aumentar os lucros, ou não recebem investimentos (vide Tesla que morreu pobre investindo tudo o que tinha no desenvolvimento de energia gratuita e powers) e nessa onda também se focam as medidas sociais (o ciência sem fronteiras tem parceria com grandes empresas e o objetivo não é melhorar a qualidade de vida de forma holística, não é que o conhecimento adquirido seja aplicado na melhora da vida dos que necessitam, através de inovações de ponta, basta ver o foco dos cursos e as empresas parceiras, é uma medida de criar mão de obra qualificada para aumentar os lucros, e esses lucros são importantes pois geram emprego... e novamente não há investimento em emancipação, capital social e empoderamento popular). Você pensa que é livre mas não é. E nem será enquanto tiver que pagar as contas, e sem "pagar as contas" vc não se transporta, não come, não se cura, nem se mantém saudável, não se comunica. E é possível mudar isso, afinal os recursos existem, as pessoas existem, elas tem criatividade para tecnologias, o que pode deixar de existir é o que regula o acesso a tudo isso, o dinheiro. E, quando deixar não haverá exclusão, não haverá diferença entre brancos e negros, homem e mulher, artista ou engenheiro, quer dizer haverá diferença, mas nenhum será excluído, todos poderão entrar na mesma loja e terão as mesmas possibilidades, as diferenças serão internas, como aptidão, interesse, etc. mas não serão diferenças qualificadoras "melhor ou pior".
É claro que haverão problemas e limitações, pois tudo é dinâmico, e talvez esse modelo possa deixar de servir em algum momento, como, convenhamos, o modelo atual não serve mais...
Vale a pena assistir ao documentário Paraíso ou Esquecimento, estamos em um momento importante. Muitos renomados ecologistas (Odum - O Declínio Próspero) e economistas (Meadows - Os Limites do Crescimento) acreditam ser nossa fase atual um ponto crítico, ou seguimos com a lógica atual (ainda que maquiada de medidas "freio de mão" como reciclagem, protocolo de kioto e blablabla) explorando, extraindo, poluindo, concentrando e lucrando, ou aproveitamos que ainda temos energia não renovável o suficiente e construímos uma nova sociedade sustentável, pautada em outro paradigma, que não o economicismo tradicional calcado na competição e acumulação. Nos livros defendem que essa é uma escolha que deve ser tomada, e quanto mais rápido mais próspero será o "declínio" da atual economia e civilização (como é nesse momento), não tomar essa decisão implica em esgotarmos as possibilidades de escolha e interferência nesse declínio, que é inevitável.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
O que estamos fazendo?
Hoje, meu primeiro dia de trabalho (na dissertação) do ano, lendo documentos da ONU, do IBAMA, reportagens, trabalhos e artigos acadêmicos, de economistas, sociólogos, oceanógrafos, entre outros fique um instante paralisada. Quem paga todos esses nobres intelectuais que, como eu (no momento), dedicam sua alma na causa da pesca? Quem sustenta ONGs que se indignam com o declínio dos estoques? Quem trabalha no plano real, e não virtual, afinal?
E porque separar pescadores dos gestores e intelectuais? Pq não usar toda essa verba que sustenta teses, dissertações, infindáveis leis e documentos de ONU, MPA e IBAMA e investir na infraestrutura de vilas pesqueiras? Unidades educacionais agradáveis com temas contextualizados abordando a questão da pesca, estudos de estoque. Investir em saneamento básico, unidades de saúde, píer amplo e seguro, áreas de lazer, esporte, cultura. Existe o dinheiro para isso, ele está sendo usado para fingir que intelectuais e gestores da pesca tem mais importância do que os pescadores. Várias vezes ao longo da dissertação me perguntava, mas o que eu estou fazendo nesse trabalho, eu nunca pesquei, nunca morei numa vila de pescadores, eu sequer compro peixe! Sem dúvidas, era o Loredi (pescador) que deveria estar ganhando essa bolsa e fazendo essa pesquisa, ou que pelo menos deveria ter uma condição de moradia como a minha, possibilidade de viajar com a família nas férias ou optar por tomar, ou não, haagen daz de sobremesa.
Vejo o grande esforço de René, na presidência da ong Terramar para salvar e certificar a lagosta pescada artesanalmente na Prainha do Canto Verde. Um esforço monstro envolvendo ONU (através do PNUMA), ongs europeias com experts em gestão e pesca de lagosta. E enquanto isso o modo de vida dos pescadores continua o mesmo, o acesso a informação ridiculamente limitado. E quem vai pagar o trabalho, e viagens de tantos experts? Me lembro de um trecho do livro Hell em que a autora, socialite francesa, vai ao restaurante e pede lagosta com as amigas, mas elas cheiraram tanta cocaína que não sentem fome, apenas bebiricam sua taça de cristal com champagne (orgânica e familiar, quem sabe?!) e vai embora, sem tocar na lagosta.
Acho que a maior conclusão do meu trabalho é que é inútil. Esse debate de gabinete, de academia é uma forma de ser sustentada as custas dos trabalhadores braçais que são mantidos na ignorância e miséria para continuar sustentando ministérios, ongs, onu, pesquisadores, acadêmicos, cientistas, cursos, professores, laboratórios, projetos, reportagens, documentários.
E no final das contas sabemos bem que no fundo, olhando sem medo e buscando a verdade a maioria das ocupações/trabalhos são inúteis mesmo.
ps.: o título da postagem é uma pichação de Rio Grande, que não tenho paciência de fotografar, mas devo dizer que AMO os pichadores rio grandinos, profundamente!
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Panaceia utópica.
Sabemos claramente que estamos nesse exato momento enfrentando uma grave crise sem precedentes. Não é apenas uma crise econômica, social ou cultural. Conseguimos superar essas misérias que assolam populações a milênios e chegamos ao cúmulo de uma crise ambiental global. Imagino que não hajam muitos céticos que neguem o quão tenebroso está o cenário atual. Ou há?
Será necessário mostrar fotos do smog monstruoso que ocorreu na China essa semana?
Ou as matérias sobre os níveis alarmantes de radiação na Califórnia graças ao vazamento de Fukushima? Será preciso dizer da poluição aquática, atmosférica, ou do solo graças ao volume absurdo de agrotóxico que as plantações geneticamente modificadas exigem? Será preciso um vídeo mostrando albatrozes numa ilha longínqua morrendo pela ingestão de plástico?
Sem falar sobre o que estamos fazendo nossas crianças se tornarem. Isso é, como estamos vivendo nossas vidas, com base no consumo, no status, na busca cega pelo ter. No desenvolvimento tecnológico que gere lucro, e sirva para aumentar o consumo, ou você pensa que os óculos Google vão te tornar um ser humano melhor? Ou pior, a tecnologia na busca do aumento de controle, a serviço do desenvolvimento bélico. Muros altos, com cerca elétrica, para proteger o que exerce influência graças ao seu poder de consumo da escória, que não consome e nem tem acesso à informação, cultura, educação, saúde.
Nossa sociedade está em crise, por mais que você esteja muito contente por ter conseguido comprar algo que você queria e assim, não precisa pensar na crise. Por mais que você esteja encantado com sua pesquisa, com seu novo trabalho, namorado. Por mais que você esteja nesse exato momento muito feliz, nós estamos em crise, num mundo doido, com regras que não merecem ser cumpridas.
E como resolver esse pepino? Seria investindo na educação? Você considera a educação na Alemanha boa? Então que tal dar uma olhadinha no documentário O Pesadelo de Darwin e ver da onde vem o peixe que a população bem educada consome. Seria criando leis de comércio justo, leis anticorrupção, ou medidas que limitassem o lucro, dividindo o dinheiro entre todos. Será que isso realmente funcionaria?
Desconfio que não. O sistema econômico é baseado em dívida e escassez. Algo se torna mais valioso quanto menos pessoas tiverem acesso a ele. A escassez aflora as mazelas dos animais, precisamos garantir o que é "nosso", nos tornamos agressivos, competitivos, insensíveis, egoístas. Sim, algumas pessoas não, mas são poucas, em comparação com as demais. Isso gera um modo de pensar, comportar e sentir que acaba acarretando todos os outros problemas, desigualdade, injustiça, preconceito, poluição, depressão, altos índices de suicídio, violência.
Meu professor, o mentor do meu curso de mestrado, tem uma matéria muito legal em que ele indica artigos de gerenciamento costeiro e debatemos. Ele, eu diria, tem fé no sistema, acredita em leis, em programas, e projetos para ir melhorando realidades. Sempre tendemos a ir fundo no problema de cada artigo, e ele tem que reconduzir a conversa, porque sempre chegamos no mesmo poço sem fundo "economicismo". O sistema monetário é um grande problema.
Isso eu já desconfiava antes de entrar no mestrado, foi por isso que colei numa guru da economia para pedir orientação. Acreditava eu que "internalizando" custos, tornando empresas verdes, tornando a Economia Verde chegaríamos a uma solução. O que fui encontrando pelo caminho me desiludiu muito, não existe empresa verde (talvez algumas poucas exceções) mas a maioria pratica o greenwashing para vender mais (algo nada sustentável) nenhuma empresa vai fazer uma campanha para que você compre menos. A certificação ambiental parece ser mais um modo de o dinheiro escapulir dos países pobres para se concentrar na sede das benevolentes ONGs que desenvolveram o marketing.
Conclusão, essa economia tem que mudar, não se adaptar feito um camaleão devorador de almas. Porque temos fronteiras? Fazendo com que gastemos fortunas com exércitos, marinha, aeronáutica, guerras infindáveis. O que faz com que países influentes e experientes nessas regras de merda suguem o recurso dos outros, desde o seu "descobrimento". Sendo que somos todos seres da mesma espécie...
Não podemos ter fronteira se quisermos de fato nos desenvolver como seres humanos. E nem podemos perder tempo e energia buscando comida (trabalhando incessantemente para garantir o passaporte para alimentação), razão tinha o Fernão Capelo Gaivota. Já produzimos alimento capaz de alimentar 12 bilhões de pessoas (estamos em 7 sendo que agora acaba de morrer um de fome, enquanto outros milhões estão subnutridos). Temos tecnologia o suficiente para abolir a maioria dos empregos entediantes e pesados.
E se não houvessem fronteiras? E se não houvesse dinheiro, e o alimento, e bens produzidos com alta tecnologia estivesse acessível a todos? E se a economia fosse baseada em recursos? E se todos tivessem moradia, acesso a saúde e a temas culturais diversos que lhe interessassem? E tempo livre para desenvolver habilidades e contribuir no progresso cultural?
E se eu te dizer que esse mundo já tem até maquete?
Acesse http://thevenusproject.com/ e comece a pensar como seria o mundo se a tecnologia estivesse a serviço de todos os seres humanos.
Será necessário mostrar fotos do smog monstruoso que ocorreu na China essa semana?
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| Fonte: BBC-Uk |
Sem falar sobre o que estamos fazendo nossas crianças se tornarem. Isso é, como estamos vivendo nossas vidas, com base no consumo, no status, na busca cega pelo ter. No desenvolvimento tecnológico que gere lucro, e sirva para aumentar o consumo, ou você pensa que os óculos Google vão te tornar um ser humano melhor? Ou pior, a tecnologia na busca do aumento de controle, a serviço do desenvolvimento bélico. Muros altos, com cerca elétrica, para proteger o que exerce influência graças ao seu poder de consumo da escória, que não consome e nem tem acesso à informação, cultura, educação, saúde.
Nossa sociedade está em crise, por mais que você esteja muito contente por ter conseguido comprar algo que você queria e assim, não precisa pensar na crise. Por mais que você esteja encantado com sua pesquisa, com seu novo trabalho, namorado. Por mais que você esteja nesse exato momento muito feliz, nós estamos em crise, num mundo doido, com regras que não merecem ser cumpridas.
E como resolver esse pepino? Seria investindo na educação? Você considera a educação na Alemanha boa? Então que tal dar uma olhadinha no documentário O Pesadelo de Darwin e ver da onde vem o peixe que a população bem educada consome. Seria criando leis de comércio justo, leis anticorrupção, ou medidas que limitassem o lucro, dividindo o dinheiro entre todos. Será que isso realmente funcionaria?
Desconfio que não. O sistema econômico é baseado em dívida e escassez. Algo se torna mais valioso quanto menos pessoas tiverem acesso a ele. A escassez aflora as mazelas dos animais, precisamos garantir o que é "nosso", nos tornamos agressivos, competitivos, insensíveis, egoístas. Sim, algumas pessoas não, mas são poucas, em comparação com as demais. Isso gera um modo de pensar, comportar e sentir que acaba acarretando todos os outros problemas, desigualdade, injustiça, preconceito, poluição, depressão, altos índices de suicídio, violência.
Meu professor, o mentor do meu curso de mestrado, tem uma matéria muito legal em que ele indica artigos de gerenciamento costeiro e debatemos. Ele, eu diria, tem fé no sistema, acredita em leis, em programas, e projetos para ir melhorando realidades. Sempre tendemos a ir fundo no problema de cada artigo, e ele tem que reconduzir a conversa, porque sempre chegamos no mesmo poço sem fundo "economicismo". O sistema monetário é um grande problema.
Isso eu já desconfiava antes de entrar no mestrado, foi por isso que colei numa guru da economia para pedir orientação. Acreditava eu que "internalizando" custos, tornando empresas verdes, tornando a Economia Verde chegaríamos a uma solução. O que fui encontrando pelo caminho me desiludiu muito, não existe empresa verde (talvez algumas poucas exceções) mas a maioria pratica o greenwashing para vender mais (algo nada sustentável) nenhuma empresa vai fazer uma campanha para que você compre menos. A certificação ambiental parece ser mais um modo de o dinheiro escapulir dos países pobres para se concentrar na sede das benevolentes ONGs que desenvolveram o marketing.
Conclusão, essa economia tem que mudar, não se adaptar feito um camaleão devorador de almas. Porque temos fronteiras? Fazendo com que gastemos fortunas com exércitos, marinha, aeronáutica, guerras infindáveis. O que faz com que países influentes e experientes nessas regras de merda suguem o recurso dos outros, desde o seu "descobrimento". Sendo que somos todos seres da mesma espécie...
Não podemos ter fronteira se quisermos de fato nos desenvolver como seres humanos. E nem podemos perder tempo e energia buscando comida (trabalhando incessantemente para garantir o passaporte para alimentação), razão tinha o Fernão Capelo Gaivota. Já produzimos alimento capaz de alimentar 12 bilhões de pessoas (estamos em 7 sendo que agora acaba de morrer um de fome, enquanto outros milhões estão subnutridos). Temos tecnologia o suficiente para abolir a maioria dos empregos entediantes e pesados.
E se não houvessem fronteiras? E se não houvesse dinheiro, e o alimento, e bens produzidos com alta tecnologia estivesse acessível a todos? E se a economia fosse baseada em recursos? E se todos tivessem moradia, acesso a saúde e a temas culturais diversos que lhe interessassem? E tempo livre para desenvolver habilidades e contribuir no progresso cultural?
E se eu te dizer que esse mundo já tem até maquete?
Acesse http://thevenusproject.com/ e comece a pensar como seria o mundo se a tecnologia estivesse a serviço de todos os seres humanos.
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Propriedade privada até quando?
Tenho lido "o homem é um ser histórico".
O que significa isso?
Significa que a decisão que você vai tomar daqui 10 minutos depende do seu passado, e o que lhe foi ensinado pelo passado do seu passado. Pela maneira como pensava sua avó e o que disso ficou impregnado no modo de pensar de sua mãe, e como foi e tem sido sua relação com ela e suas experiências de vida. Se você se mudou, se você se apaixonou, se você estudou, se você foi abusado ou oprimido, se foi humilhado ou amado na escola, se conheceu pessoas admiráveis, se cantou todas as canções do Legião Urbana, os livro que leu, essas variáveis influenciam em como você concebe o mundo e como você se encaixa nessa sua concepção de mundo.
O meio influência em como você age. Existem diversos experimentos psicológicos que concluíram que humanos tendem a ignorar o que sabem para se adequar ao grupo (busque por Efeito Manada ou Experiência de Asch). Isso significa duas coisas, a primeira que se você for dar um rolê numa tribo africana que coleciona cabeças em miniaturas de humanos que eles caçam, e perguntar à alguém: "Você tem 5 cabeças humanas, não vê nada de errado nisso?" ele provavelmente vai lhe responder "Claro que sim, meu amigo tem 20!". Ou seja, se você está imerso num contexto onde colecionar cabeças faz parte da rotina, não verá problemas nisso. Por outro lado, se na sua cultura costuma julgar que pessoas que cortam a cabeça de outra são bárbaros (a não ser que esteja em guerra), então você vai julgar assim os que tem esse hábito e talvez deseje que sejam eliminados do mundo.
E então, vamos falar do vídeo da semana que dividiu opiniões. Eu não assisti e o pouco que sei foi de comentários do face e essa matéria do G1. Na verdade as opiniões não foram tão divididas assim, eu diria que aproximadamente 90% das pessoas se manifestaram a favor da ação do PM alegando que este deveria ser condecorado...
Bem, bem, bem... não é legal ser assaltado, não é legal ter uma arma apontada na cara, certamente a pessoa deve se sentir oprimida, assustada, violada etc. Quanto a isso eu não tenho dúvida, e nutro compaixão por quem é submetido a essa experiência.
Mas então vejamos, na matéria do G1 o bandido não estava roubando para comer, ele não iria vender, pois tratava-se de uma Hornet, ele iria apenas ostentar, o que "justificaria" ou amenizaria os tiros que tomou. E então o dono da Hornet optou por esse modelo porque? Para se locomover? Quando existem tantos outros mais econômicos... Ah, então quem trabalha e tem dinheiro pode querer ostentar... hum, interessante.
Segundo, se atuação policial ostensiva resolvesse a criminalidade certamente os índices estariam bem menores que os atuais. Basta ouvir qualquer música de RAP para notar que ação ostensiva policial vem barbarizando favelas e periferias à décadas, isso se tornou uma triste rotina. Se nos sentimos impotentes quando um bandido nos aponta uma arma, esse mesmo bandido se sentiu, não sei como ele pode ter se sentido, quando seu pai Amarildo não voltou mais para casa, por ter cometido o crime de ser preto e pobre.
Existem dois mundos, baby. O meu, onde a polícia ilusoriamente protege. E o do Amarildo, onde a polícia destrói. E não precisa ir até o Rio de Janeiro. Sua cidade já tem pobre que sofre o bastante para lhe inspirar uma analise crítica... Papaguear que "bandido bom é bandido morto" é tão ridículo quanto, sei lá, não tem nada tão tristemente ridículo quanto isso.
Não consigo mais acreditar no conto da carochinha de que esse mundo é lindo cheio de oportunidades, que basta querer. Esse mundo "rede globo" que nunca esteve próximo a nenhum expropriado para ver que não é bem por ai que a banda toca. É interessante que pessoas que defendem a teoria de que o bandido é assim por ser um mau caráter, que não trabalha porque não quer, mas, no entanto põe seus filhos na melhor escola, compra brinquedos que estimulem o raciocínio, busca manter um clima de harmonia em casa porque leu e sabe que é fundamental para o desenvolvimento saudável de ser humano, paga centenas de reais numa escola de inglês. Porra, não fode!
Fica óbvio que as condições são absurdamente desiguais nesses 2 mundos, e querer que alguém que cresce num um bairro violento, que o estado só entra para matar, que estuda numa escola feia, fraca e sem recursos, assiste aqueles programas idiotas e totalmente distantes da sua realidade, que não vai ter fácil acesso a um livro e nem a algum local apropriado para lê-lo, que vive imerso em histórias de injustiça e abusos, querer que esse ser humano com esse histórico sorria e agradeça a oportunidade que você deu de ele recolher o coco do seu cachorro me faz ter nojo. Esse "bom comportamento" pregado pela mídia e religião, essa resignação que se tornou senso comum é humilhante, é muito mais lógico, digna e coerente a revolta "fuck you i won't do what you tell me".
Eu particularmente, com meus princípios não me sinto confortável em pegar algo que não seja meu. Mas acho que cabe muito mais a reflexão sobre "a propriedade" do que sobre "o bandido". E nisso tenho que dizer que os protestos me fazem chorar de emoção. Ver os Black Blocs me dá vontade de enfiar uma camiseta preta na cabeça e sair correndo atuar! Eles me representam. Mas, a mídia não traz nem um relâmpago dessa reflexão. Ela simplesmente os trata como bárbaros loucos vindo do inferno... Como se fossem um bando de imbecis que gostam de ver coisas pegarem fogo, e que tem a intenção de comer crianças no jantar por sorte temos a polícia para nos proteger desses vândalos. Afe.
Mas, bem, voltando para o questionamento da propriedade privada e da atuação indecorosa dos bancos (que são alvos dos BB) gostaria de encerrar esse post com a minha mais nova esperança no mundo!
Vocês se lembram que eu havia dito que tinha 2 esperanças, no Anonymous, que bem, basta ver esses protestos ao redor do mundo para concordar que essa esperança não foi tão em vão assim, não é. E outra mais nacional era no partido Rede, que levou uma rasteira, o que significa que de fato trazia alguma ameaça ao status quo. Então, depois de elevar minha moral de palpiteira e de ter exposto um tiquinho mais a escrotice de nossa sociedade que ainda não é "civilizada" deixo uma dica de algo que merece um post especial:
Economia Baseada em Recurso.
O que significa isso?
Significa que a decisão que você vai tomar daqui 10 minutos depende do seu passado, e o que lhe foi ensinado pelo passado do seu passado. Pela maneira como pensava sua avó e o que disso ficou impregnado no modo de pensar de sua mãe, e como foi e tem sido sua relação com ela e suas experiências de vida. Se você se mudou, se você se apaixonou, se você estudou, se você foi abusado ou oprimido, se foi humilhado ou amado na escola, se conheceu pessoas admiráveis, se cantou todas as canções do Legião Urbana, os livro que leu, essas variáveis influenciam em como você concebe o mundo e como você se encaixa nessa sua concepção de mundo.
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| Arte de "miniaturizar" cabeças humanas. Fonte aqui. |
E então, vamos falar do vídeo da semana que dividiu opiniões. Eu não assisti e o pouco que sei foi de comentários do face e essa matéria do G1. Na verdade as opiniões não foram tão divididas assim, eu diria que aproximadamente 90% das pessoas se manifestaram a favor da ação do PM alegando que este deveria ser condecorado...
Bem, bem, bem... não é legal ser assaltado, não é legal ter uma arma apontada na cara, certamente a pessoa deve se sentir oprimida, assustada, violada etc. Quanto a isso eu não tenho dúvida, e nutro compaixão por quem é submetido a essa experiência.
Mas então vejamos, na matéria do G1 o bandido não estava roubando para comer, ele não iria vender, pois tratava-se de uma Hornet, ele iria apenas ostentar, o que "justificaria" ou amenizaria os tiros que tomou. E então o dono da Hornet optou por esse modelo porque? Para se locomover? Quando existem tantos outros mais econômicos... Ah, então quem trabalha e tem dinheiro pode querer ostentar... hum, interessante.
Segundo, se atuação policial ostensiva resolvesse a criminalidade certamente os índices estariam bem menores que os atuais. Basta ouvir qualquer música de RAP para notar que ação ostensiva policial vem barbarizando favelas e periferias à décadas, isso se tornou uma triste rotina. Se nos sentimos impotentes quando um bandido nos aponta uma arma, esse mesmo bandido se sentiu, não sei como ele pode ter se sentido, quando seu pai Amarildo não voltou mais para casa, por ter cometido o crime de ser preto e pobre.
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| Fonte aqui. |
Não consigo mais acreditar no conto da carochinha de que esse mundo é lindo cheio de oportunidades, que basta querer. Esse mundo "rede globo" que nunca esteve próximo a nenhum expropriado para ver que não é bem por ai que a banda toca. É interessante que pessoas que defendem a teoria de que o bandido é assim por ser um mau caráter, que não trabalha porque não quer, mas, no entanto põe seus filhos na melhor escola, compra brinquedos que estimulem o raciocínio, busca manter um clima de harmonia em casa porque leu e sabe que é fundamental para o desenvolvimento saudável de ser humano, paga centenas de reais numa escola de inglês. Porra, não fode!
Fica óbvio que as condições são absurdamente desiguais nesses 2 mundos, e querer que alguém que cresce num um bairro violento, que o estado só entra para matar, que estuda numa escola feia, fraca e sem recursos, assiste aqueles programas idiotas e totalmente distantes da sua realidade, que não vai ter fácil acesso a um livro e nem a algum local apropriado para lê-lo, que vive imerso em histórias de injustiça e abusos, querer que esse ser humano com esse histórico sorria e agradeça a oportunidade que você deu de ele recolher o coco do seu cachorro me faz ter nojo. Esse "bom comportamento" pregado pela mídia e religião, essa resignação que se tornou senso comum é humilhante, é muito mais lógico, digna e coerente a revolta "fuck you i won't do what you tell me".
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| Fonte aqui. |
Eu particularmente, com meus princípios não me sinto confortável em pegar algo que não seja meu. Mas acho que cabe muito mais a reflexão sobre "a propriedade" do que sobre "o bandido". E nisso tenho que dizer que os protestos me fazem chorar de emoção. Ver os Black Blocs me dá vontade de enfiar uma camiseta preta na cabeça e sair correndo atuar! Eles me representam. Mas, a mídia não traz nem um relâmpago dessa reflexão. Ela simplesmente os trata como bárbaros loucos vindo do inferno... Como se fossem um bando de imbecis que gostam de ver coisas pegarem fogo, e que tem a intenção de comer crianças no jantar por sorte temos a polícia para nos proteger desses vândalos. Afe.
Mas, bem, voltando para o questionamento da propriedade privada e da atuação indecorosa dos bancos (que são alvos dos BB) gostaria de encerrar esse post com a minha mais nova esperança no mundo!
Vocês se lembram que eu havia dito que tinha 2 esperanças, no Anonymous, que bem, basta ver esses protestos ao redor do mundo para concordar que essa esperança não foi tão em vão assim, não é. E outra mais nacional era no partido Rede, que levou uma rasteira, o que significa que de fato trazia alguma ameaça ao status quo. Então, depois de elevar minha moral de palpiteira e de ter exposto um tiquinho mais a escrotice de nossa sociedade que ainda não é "civilizada" deixo uma dica de algo que merece um post especial:
Economia Baseada em Recurso.
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Respeitável público
O que pensar da prestação de serviço realizada pelos professores usando a universidade pública?
Eu nunca me preocupei em pensar sobre esse assunto. Afinal, me pareceria "picuinha" ficar me intrometendo na vida dos professores que eu tanto admiro. Cabe a mim julgar se o salário é suficiente? E afinal, existe a demanda por parte do empreendedor, existe o conhecimento do professor e existe o equipamento e espaço da universidade. Melhor para nós enquanto sociedade que esse trabalho seja feito por profissionais competentes do que por um picareta qualquer.
Pois bem, acontece que me formei. E ou eu me aventuro numa metrópole, ou azar o meu, o mercado de trabalho na minha área na amada Rio Grande não está fácil. Nesse momento passei a refletir no primeiro impacto de se ter professores prestando serviço de consultoria. Quem seria capaz de competir com a FURG? Que empresa pode competir com essa prestadora de serviço que não paga imposto, não paga salário, usa mão de obra qualificada de mestres e doutores pagos como bolsista sem carga tributária, não paga aluguel e tem modernos equipamentos?
E então, juntando o útil com o interessante, deixei a consultoria para os doutos e ingressei no mestrado. Fugindo um pouco da ciência dura, entrei num mestrado mais soft, e tive a oportunidade de aprender um pouco sobre a atual crise social, mais chamada de ambiental. Assim, fui formando um olhar mais crítico da sociedade, basicamente me assumindo com uma libertária de extrema-esquerda. E então meus amigos, quem se propõe a abrir os olhos é obrigado a ver muita dor e sofrimento. Nossa sociedade está doente e a universidade sorri como uma ilha de conhecimento científico formando um abismo entre si e o conhecimento popular a sua volta. E esse abismo é cúmplice na expropriação social.
Por isso toda universidade tem a política de promover ações de extensão. É só dar uma pesquisadinha onde relaciona extensão e universidade para ter acesso a informações lindas, como:
"políticas acadêmicas de extensão, comprometido com a transformação social para o pleno exercício da cidadania e o fortalecimento da democracia" (site RENEX)
ou
"um processo educativo, cultural e científico que articula o Ensino e a Pesquisa de forma indissociável e viabiliza a relação transformadora entre Universidade e Sociedade...
fluxo que promove a troca de saberes acadêmicos e populares, tendo como conseqüência a produção do conhecimento resultante do confronto com a realidade, a democratização do conhecimento acadêmico e a participação efetiva da comunidade na atuação da Universidade" (site da FURG, na aba extensão)
Assim fica claro a intensão e a necessidade da extensão. Que consiste em estudar, entender e propor melhorias à comunidade, que venha a se apropriar do conhecimento a ponto de caminharem rumo seu empoderamento e emancipação. E exige um retorno à sociedade.
Mas, não é o que costuma ocorrer em muitos projetos de extensão. Essa semana pude ler um que se constituía numa prestação de serviço à um empreendedor local, o Porto (SUPRG). E outros 2 denominados "projeto de pesquisa" o qual também se constitui numa prestação de serviço, à SUPRG e à Leal Santos.
Como eu disse, me recuso entrar no mérito de quanto os professores vão ganhar nesses projetos, pois isso de fato não me incomoda nenhum pouco. O problema é que na mesma reunião em que esses projetos foram aprovados discutia-se sobre uma disciplina que não tinha nenhum professor disponível para administrar. O problema é que é comum que professores não tenham tempo e energia suficiente de orientar alunos. O problema é que a sociedade segue a margem do conhecimento concentrado na universidade, tão perto e tão longe da Vila Maria.
Existem lindos projetos de extensão sendo realizados pela FURG, o NUDESE é um ótimo exemplo. Mas no caso da reunião que presenciei do IO como representante dos alunos do mestrado me senti decepcionada em ver todo o potencial de intervenção social que tem esse instituto resumido a prestações de serviço tão básicas. Como monitoramento e auditoria interna.
É consideravelmente diferente um projeto de pesquisa, onde o pesquisador com base em leituras e teorias busca um empreendimento para realizar um estudo, adquirindo um caráter inovador e visando o bem da comunidade, de uma prestação de serviço, quando esse empreendedor tem a necessidade de cumprir certas normas ambientais e procura o professor. O qual consequentemente, diminui seu esforço na pesquisa e ensino, para realizar esse trabalho (que poderia ser realizado pelos graduados e mestres que são constrangidos a trabalhar como bolsistas quando poderiam estar conquistando mais autonomia).
Resta saber se não existem empresas e laboratórios capazes de oferecer esse serviço na cidade porque a FURG monopolizou o mercado, ou se a FURG presta esse serviço porque não existe empresa do seu nível. E se, quem tem a faca e o queijo na mão está disposto abrir mão e assumir seu papel PÚBLICO. Outro detalhe é que existe na universidade a empresa júnior de consultoria ECOSERVICE, que é absolutamente desconsiderada por todos os professores que poderiam encaminhar à ela os trabalhos de consultoria que lhes são solicitados. Se os defensores da prestação de serviço pela universidade pública alegam que essa seria uma maneira de o estudantes terem contato com o mercado de trabalho creio que outros modos seriam mais adequados.
Segue abaixo breve descrição dos três "projetos" citados. E cabe o detalhe de que muitos "projetos" são picotados em valores menores. Pois valores que ultrapassam 1.000.000 são retidos e a burocracia aumenta. Mas, ainda não tenho nenhuma comprovação de que algum deles seja o caso.
2.1 – PE: Monitoramento do ciclo de dragagem no canal Miguel da Cunha e do canal de acesso ao Porto do Rio Grande
Relatório: O Diretor do Instituto emitiu carta de aprovação para o PE: Monitoramento do ciclo de
dragagem no canal Miguel da Cunha e do canal de acesso ao Porto do Rio Grande, de responsabilidade
da interessada. O projeto tem por objetivo o monitoramento da qualidade da água na área a ser dragada e ao longo do canal de acesso ao Porto, além de monitorar a geoquímica do sedimento e macroinvertebrados bentônicos, além de executar testes ecotoxicológicos. Além da interessada, que dispensará o total de 48 (quarenta e oito) ao projeto, participam também, os Profs.... Todos dispensarão o total de 96 (noventa e seis) horas ao projeto que está orçado em R$ 253.103,32 (duzentos e cinqüenta e três mil, cento e três reais e trinta e dois centavos), financiados pela SUPRG – Superintendência do Porto do Rio Grande. Teve início em OUT2013 e término previsto para ABR2014 e está cadastrado no SIGProj sob o número
162355.711.156046.18092013.
2.2 – PP: Auditoria ambiental e implementação do Sistema de Avaliação de Monitoramento do Desempenho da Gestão Ambiental portuária no Porto do Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brasil
Relatório: O Diretor do Instituto recebeu da interessada o PP: Auditoria ambiental e implementação do
Sistema de Avaliação de Monitoramento do Desempenho da Gestão Ambiental portuária no Porto do
Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brasil, de responsabilidade da interessada. O projeto tem por objetivo
realizar a auditoria ambiental de caráter interno no Porto Velho e Porto Novo e implementar um Sistema
de Avaliação e Monitoramento do Desempenho da Gestão Ambiental para área do porto organizado
do Rio Grande. Além da interessada, participam também as Profas.... Todas dispensarão 4 (quatro) horas semanais ao projeto, que está orçado em R$ 952.486,04 (novecentos e cinqüenta e dois mil, quatrocentos e oitenta e seis reais e quatro centavos), financiados pela SUPRG – Superintendência do Porto do Rio Grande. Os docentes serão remunerados pelo projeto que terá início em NOV2013 e término previsto para OUT2015.
2.3 – PP: O bonito listrado (Katsuwonus pelamis) e as condicionantes ambientais: Uma nova abordagem
Relatório: O Diretor do Instituto recebeu o PP: O bonito listrado (Katsuwonus pelamis) e as condicionantes ambientais: Uma nova abordagem, de responsabilidade do interessado. O projeto tem por objetivo a aquisição, interpretação e disponibilização de dados relativos à distribuição e abundância do bonito listrado (Katsuwonus pelamis) e de variáveis ambientais que condicionam os deslocamentos deste espécie no Atlântico Sul Ocidental e o monitoramento das operações de iscagem dos atuneiros com anchoita, no intuito de quantificar a demanda por isca, a disponibilidade e distribuição da frequência de comprimento das anchoitas em diferentes épocas do ano. Além do interessado, que disponibilizará 4 (quatro) horas semanais ao projeto, participam também, o Prof..., o Ocean.... e o Acad. ... O primeiro disponibilizará 4 (quatro) horas semanais ao projetos e os demais 6 (seis). Todos serão remunerados pelo projeto, que está orçado em R$ 312.000,00 (trezentos e doze mil reais), financiados por Indústrias Alimentícias Leal Santos Ltda. e terá início em OUT2013 e término previsto para SET2015. Está cadastrado na ProPesP sob o número 295.944/2013.
Proposta: Como os projetos têm financiamento externo, o Diretor propõe que o projeto seja homologado nesta reunião e que conste do plano de atividades do Instituto e dos participantes.
Eu nunca me preocupei em pensar sobre esse assunto. Afinal, me pareceria "picuinha" ficar me intrometendo na vida dos professores que eu tanto admiro. Cabe a mim julgar se o salário é suficiente? E afinal, existe a demanda por parte do empreendedor, existe o conhecimento do professor e existe o equipamento e espaço da universidade. Melhor para nós enquanto sociedade que esse trabalho seja feito por profissionais competentes do que por um picareta qualquer.
Pois bem, acontece que me formei. E ou eu me aventuro numa metrópole, ou azar o meu, o mercado de trabalho na minha área na amada Rio Grande não está fácil. Nesse momento passei a refletir no primeiro impacto de se ter professores prestando serviço de consultoria. Quem seria capaz de competir com a FURG? Que empresa pode competir com essa prestadora de serviço que não paga imposto, não paga salário, usa mão de obra qualificada de mestres e doutores pagos como bolsista sem carga tributária, não paga aluguel e tem modernos equipamentos?
E então, juntando o útil com o interessante, deixei a consultoria para os doutos e ingressei no mestrado. Fugindo um pouco da ciência dura, entrei num mestrado mais soft, e tive a oportunidade de aprender um pouco sobre a atual crise social, mais chamada de ambiental. Assim, fui formando um olhar mais crítico da sociedade, basicamente me assumindo com uma libertária de extrema-esquerda. E então meus amigos, quem se propõe a abrir os olhos é obrigado a ver muita dor e sofrimento. Nossa sociedade está doente e a universidade sorri como uma ilha de conhecimento científico formando um abismo entre si e o conhecimento popular a sua volta. E esse abismo é cúmplice na expropriação social.
Por isso toda universidade tem a política de promover ações de extensão. É só dar uma pesquisadinha onde relaciona extensão e universidade para ter acesso a informações lindas, como:
"políticas acadêmicas de extensão, comprometido com a transformação social para o pleno exercício da cidadania e o fortalecimento da democracia" (site RENEX)
ou
"um processo educativo, cultural e científico que articula o Ensino e a Pesquisa de forma indissociável e viabiliza a relação transformadora entre Universidade e Sociedade...
fluxo que promove a troca de saberes acadêmicos e populares, tendo como conseqüência a produção do conhecimento resultante do confronto com a realidade, a democratização do conhecimento acadêmico e a participação efetiva da comunidade na atuação da Universidade" (site da FURG, na aba extensão)
Assim fica claro a intensão e a necessidade da extensão. Que consiste em estudar, entender e propor melhorias à comunidade, que venha a se apropriar do conhecimento a ponto de caminharem rumo seu empoderamento e emancipação. E exige um retorno à sociedade.
Mas, não é o que costuma ocorrer em muitos projetos de extensão. Essa semana pude ler um que se constituía numa prestação de serviço à um empreendedor local, o Porto (SUPRG). E outros 2 denominados "projeto de pesquisa" o qual também se constitui numa prestação de serviço, à SUPRG e à Leal Santos.
Como eu disse, me recuso entrar no mérito de quanto os professores vão ganhar nesses projetos, pois isso de fato não me incomoda nenhum pouco. O problema é que na mesma reunião em que esses projetos foram aprovados discutia-se sobre uma disciplina que não tinha nenhum professor disponível para administrar. O problema é que é comum que professores não tenham tempo e energia suficiente de orientar alunos. O problema é que a sociedade segue a margem do conhecimento concentrado na universidade, tão perto e tão longe da Vila Maria.
Existem lindos projetos de extensão sendo realizados pela FURG, o NUDESE é um ótimo exemplo. Mas no caso da reunião que presenciei do IO como representante dos alunos do mestrado me senti decepcionada em ver todo o potencial de intervenção social que tem esse instituto resumido a prestações de serviço tão básicas. Como monitoramento e auditoria interna.
É consideravelmente diferente um projeto de pesquisa, onde o pesquisador com base em leituras e teorias busca um empreendimento para realizar um estudo, adquirindo um caráter inovador e visando o bem da comunidade, de uma prestação de serviço, quando esse empreendedor tem a necessidade de cumprir certas normas ambientais e procura o professor. O qual consequentemente, diminui seu esforço na pesquisa e ensino, para realizar esse trabalho (que poderia ser realizado pelos graduados e mestres que são constrangidos a trabalhar como bolsistas quando poderiam estar conquistando mais autonomia).
Resta saber se não existem empresas e laboratórios capazes de oferecer esse serviço na cidade porque a FURG monopolizou o mercado, ou se a FURG presta esse serviço porque não existe empresa do seu nível. E se, quem tem a faca e o queijo na mão está disposto abrir mão e assumir seu papel PÚBLICO. Outro detalhe é que existe na universidade a empresa júnior de consultoria ECOSERVICE, que é absolutamente desconsiderada por todos os professores que poderiam encaminhar à ela os trabalhos de consultoria que lhes são solicitados. Se os defensores da prestação de serviço pela universidade pública alegam que essa seria uma maneira de o estudantes terem contato com o mercado de trabalho creio que outros modos seriam mais adequados.
Segue abaixo breve descrição dos três "projetos" citados. E cabe o detalhe de que muitos "projetos" são picotados em valores menores. Pois valores que ultrapassam 1.000.000 são retidos e a burocracia aumenta. Mas, ainda não tenho nenhuma comprovação de que algum deles seja o caso.
2.1 – PE: Monitoramento do ciclo de dragagem no canal Miguel da Cunha e do canal de acesso ao Porto do Rio Grande
Relatório: O Diretor do Instituto emitiu carta de aprovação para o PE: Monitoramento do ciclo de
dragagem no canal Miguel da Cunha e do canal de acesso ao Porto do Rio Grande, de responsabilidade
da interessada. O projeto tem por objetivo o monitoramento da qualidade da água na área a ser dragada e ao longo do canal de acesso ao Porto, além de monitorar a geoquímica do sedimento e macroinvertebrados bentônicos, além de executar testes ecotoxicológicos. Além da interessada, que dispensará o total de 48 (quarenta e oito) ao projeto, participam também, os Profs.... Todos dispensarão o total de 96 (noventa e seis) horas ao projeto que está orçado em R$ 253.103,32 (duzentos e cinqüenta e três mil, cento e três reais e trinta e dois centavos), financiados pela SUPRG – Superintendência do Porto do Rio Grande. Teve início em OUT2013 e término previsto para ABR2014 e está cadastrado no SIGProj sob o número
162355.711.156046.18092013.
2.2 – PP: Auditoria ambiental e implementação do Sistema de Avaliação de Monitoramento do Desempenho da Gestão Ambiental portuária no Porto do Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brasil
Relatório: O Diretor do Instituto recebeu da interessada o PP: Auditoria ambiental e implementação do
Sistema de Avaliação de Monitoramento do Desempenho da Gestão Ambiental portuária no Porto do
Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brasil, de responsabilidade da interessada. O projeto tem por objetivo
realizar a auditoria ambiental de caráter interno no Porto Velho e Porto Novo e implementar um Sistema
de Avaliação e Monitoramento do Desempenho da Gestão Ambiental para área do porto organizado
do Rio Grande. Além da interessada, participam também as Profas.... Todas dispensarão 4 (quatro) horas semanais ao projeto, que está orçado em R$ 952.486,04 (novecentos e cinqüenta e dois mil, quatrocentos e oitenta e seis reais e quatro centavos), financiados pela SUPRG – Superintendência do Porto do Rio Grande. Os docentes serão remunerados pelo projeto que terá início em NOV2013 e término previsto para OUT2015.
2.3 – PP: O bonito listrado (Katsuwonus pelamis) e as condicionantes ambientais: Uma nova abordagem
Relatório: O Diretor do Instituto recebeu o PP: O bonito listrado (Katsuwonus pelamis) e as condicionantes ambientais: Uma nova abordagem, de responsabilidade do interessado. O projeto tem por objetivo a aquisição, interpretação e disponibilização de dados relativos à distribuição e abundância do bonito listrado (Katsuwonus pelamis) e de variáveis ambientais que condicionam os deslocamentos deste espécie no Atlântico Sul Ocidental e o monitoramento das operações de iscagem dos atuneiros com anchoita, no intuito de quantificar a demanda por isca, a disponibilidade e distribuição da frequência de comprimento das anchoitas em diferentes épocas do ano. Além do interessado, que disponibilizará 4 (quatro) horas semanais ao projeto, participam também, o Prof..., o Ocean.... e o Acad. ... O primeiro disponibilizará 4 (quatro) horas semanais ao projetos e os demais 6 (seis). Todos serão remunerados pelo projeto, que está orçado em R$ 312.000,00 (trezentos e doze mil reais), financiados por Indústrias Alimentícias Leal Santos Ltda. e terá início em OUT2013 e término previsto para SET2015. Está cadastrado na ProPesP sob o número 295.944/2013.
Proposta: Como os projetos têm financiamento externo, o Diretor propõe que o projeto seja homologado nesta reunião e que conste do plano de atividades do Instituto e dos participantes.
segunda-feira, 29 de julho de 2013
Menos saúde e educação.
Interessante, alguns assuntos são inquestionáveis. Mais saúde, mais educação. Existe alguém em sã consciência que se oponha a tais reivindicações? Não, todos estamos de acordo e parece inquestionável a necessidade de investir-se ainda mais nesses campos tão necessários a vida humana.
Mas nada é, nem deve ser, inquestionável. Será mesmo necessário aumentar o investimento nesse sistema de saúde e educação? Será que é isso que precisamos para alcançarmos uma sociedade justa e feliz?
Comecemos pela "educação". Aos seis anos de idade somos convidados a deixar nossas casas e marcar presença, obrigatória, em uma escola. Lá, numa sala fechada, iluminada artificialmente com uma luz fria, somos obrigados a iniciar nosso convívio social com toda a artificialidade do momento. Ninguém sabe muito bem porque está lá. Para os professores de crianças abastadas é para o futuro delas, para que possam "se tornar alguém", ter futuro, e conseguir um bom emprego. Para os de periferia é para afastá-los dos pais ignorantes que certamente o tornarão criminosos caso a escola salvadora não intervenha. Sem discutir o sucesso desses dois objetivos, ainda que sejam alcançados, que os primeiros consigam ser empregados em cargos de comando e os segundos sejam afastados do tráfico, eles serão seres humanos felizes?
Porque temos tanta fé na educação e medo de questionar se de fato sua existência é mesmo necessária. Lembremos que se alimento nasce do chão e água cai do céu, porque temos que aprender álgebra e história para não morrermos de fome? Não seria mais interessante aprendermos a sobreviver no planeta do que no sistema?
Me sinto a vontade de escrever pois cada vez mais percebo que não sou a única a conviver com a sensação de que tem algo errado. Frequentamos a escola, com esforço, e imposta gratidão pela oportunidade. Escolhemos um curso de graduação, como escolhemos o sabor do sorvete, nos graduamos e seguimos sem ter a menor noção de quem somos nós e o que estamos fazendo aqui. Alguns tem mais sucesso em se convencer de que essas perguntas são irrelevantes e não levam a nada, e se convencer da utilidade de seu estudo e seu emprego. Mas, hora ou outra o "bicho pega". E reparamos que se nós não sabemos sequer como nos perguntar essas questões tão importantes a geração futura tão pouco saberá.
A escola serve para garantir a reprodução do que está. Sempre mais do mesmo. E não adianta modernização nas salas de aula, atualização de currículo, aumento na remuneração dos professores. É uma doce ilusão pensarmos que ela serve para formação de seres humanos mais plenos e conscientes. Encarcerar crianças com a obrigatoriedade de sua presença numa instituição é exatamente o que distância nossa existência da plenitude e felicidade, e é onde começa a morte de nossa consciência.
Não sou a única que pensa isso. Isso não é um devaneio. Esse atual sistema me parece mais surreal do que um mundo sem escolas. Aconselho fortemente a leitura desse texto de Daniel Quinn.
Quanto a saúde. Porque as pessoas vão a hospitais? Porque desenvolvem doenças crônicas? Porque sofrem acidentes? Não estaria a causa no nosso modo de vida? Investir cega e massivamente em hospitais é correr atrás do rabo, é remediar efeitos alimentando sua causa. É estúpido.
Na nossa atmosfera circula gases tóxicos saídos das mais inusitadas chaminés e carburadores, constante e diariamente. Nossas águas, além de circularem por essa atmosfera, recebem diretamente efluentes tóxicos. Nossos alimentos crescem em solos, adivinhem só, tóxicos! Sinto muito, mas agrotóxicos não são necessários para aumentar a produção de alimentos e extinguir a fome do mundo, esse argumento é cruelmente inválido. A agroecologia familiar seria muito bem capaz de alimentar a todos. Todos os nossos móveis e utensílios, desde bebê, estão impregnados por substâncias tóxicas (esse documentário Story of Stuffs é muito bacana).
Nossos empregos são estressantes, e muitas vezes totalmente inúteis. Só servem para a existência de salário e para distrair o pensamento de questões como a conveniência da existência de salário! Não dão condição de prática de exercício ao ar livre, fundamental para manutenção de um organismo e mente saudável. Não seria melhor adoecermos menos do que tratarmos mais?
Sobre os acidentes que lotam os hospitais. Automóveis. Nada é mais didático para entendermos nossa sociedade do que esses doces e confortáveis vilões. Poluem o ar, detonam o solo promovendo a mineração, alimentam a indústria petrolífera, escancaram a injustiça social - contribuindo com altos índices de violência, e ainda por cima estão atrapalhando o trânsito! Ah e claro, são chave no entupimento de emergências, por serem manejados por pessoas desequilibradas. Então, contratemos mais médicos, aumentemos seus salários, construamos mais hospitais, e claro, dupliquemos ruas e estradas. Para termos sempre mais do mesmo... Alguém vê algum único sentido nisso?
Todas as soluções óbvias que saem nos jornais, ou circulam no senso comum, são uma louca e desesperada tentativa de manutenção do que está. Lei que torna corrupção crime hediondo. Mas, por Deus do céu, não será tão óbvio isso? Será que precisa alguém dizer que corrupção é crime, outro para discutir o quão foi grave o crime, outro para analisar quanto tempo encarcerado vale para pagar o tamanho do crime, com quantas bananas se paga uma maçã. Estamos correndo atrás do rabo e o remendo está saindo pior do que o rasgo.
Tentamos, tentamos de todo o jeito e com toda a força e boa vontade manter o sucesso desse sistema. Mas, ainda que se haja investimento no sistema atual de educação, e saúde, ainda que a violência urbana e a desigualdade social diminua, ainda que a corrupção se minimize, ainda assim teremos os jovens infelizes do Japão para nos lembrarmos que não basta.
Talvez seja a hora de reconhecer que por mais que tentemos com todo empenho e boa intensão, esse sistema não serve mais. Um sinal disso são todas essas pessoas nas ruas do mundo inteiro. Não é só pelo Cabral, ou só pela Irmandade Muçulmana, ou só pelas medidas de austeridade européia, é sobre a insustentabilidade e ruptura do sistema. E isso não se restringe as manifestações, corriqueiramente assistimos o efeito de negação de mudança, crianças que massacram em escolas, homem que surta assassina e queima dinheiro, tantas e tantas notícias que não representam loucos, representam a loucura do que vivemos. O que é necessário para reconhecer isso? A mim parece tão óbvio, e tão positivo!
Não vou mais pedir por mais "saúde" e "educação", pois podem interpretar como "mais investimento financeiro no sistema educacional e hospitalar".
Vou pedir por lazer e cultura.
Será que o recado será claro o bastante para não sofrer distorções e promover mais do mesmo?
Mas nada é, nem deve ser, inquestionável. Será mesmo necessário aumentar o investimento nesse sistema de saúde e educação? Será que é isso que precisamos para alcançarmos uma sociedade justa e feliz?
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| créditos: http://felipa-de-noailles.deviantart.com/ |
Porque temos tanta fé na educação e medo de questionar se de fato sua existência é mesmo necessária. Lembremos que se alimento nasce do chão e água cai do céu, porque temos que aprender álgebra e história para não morrermos de fome? Não seria mais interessante aprendermos a sobreviver no planeta do que no sistema?
Me sinto a vontade de escrever pois cada vez mais percebo que não sou a única a conviver com a sensação de que tem algo errado. Frequentamos a escola, com esforço, e imposta gratidão pela oportunidade. Escolhemos um curso de graduação, como escolhemos o sabor do sorvete, nos graduamos e seguimos sem ter a menor noção de quem somos nós e o que estamos fazendo aqui. Alguns tem mais sucesso em se convencer de que essas perguntas são irrelevantes e não levam a nada, e se convencer da utilidade de seu estudo e seu emprego. Mas, hora ou outra o "bicho pega". E reparamos que se nós não sabemos sequer como nos perguntar essas questões tão importantes a geração futura tão pouco saberá.
A escola serve para garantir a reprodução do que está. Sempre mais do mesmo. E não adianta modernização nas salas de aula, atualização de currículo, aumento na remuneração dos professores. É uma doce ilusão pensarmos que ela serve para formação de seres humanos mais plenos e conscientes. Encarcerar crianças com a obrigatoriedade de sua presença numa instituição é exatamente o que distância nossa existência da plenitude e felicidade, e é onde começa a morte de nossa consciência.
Não sou a única que pensa isso. Isso não é um devaneio. Esse atual sistema me parece mais surreal do que um mundo sem escolas. Aconselho fortemente a leitura desse texto de Daniel Quinn.
Quanto a saúde. Porque as pessoas vão a hospitais? Porque desenvolvem doenças crônicas? Porque sofrem acidentes? Não estaria a causa no nosso modo de vida? Investir cega e massivamente em hospitais é correr atrás do rabo, é remediar efeitos alimentando sua causa. É estúpido.
Na nossa atmosfera circula gases tóxicos saídos das mais inusitadas chaminés e carburadores, constante e diariamente. Nossas águas, além de circularem por essa atmosfera, recebem diretamente efluentes tóxicos. Nossos alimentos crescem em solos, adivinhem só, tóxicos! Sinto muito, mas agrotóxicos não são necessários para aumentar a produção de alimentos e extinguir a fome do mundo, esse argumento é cruelmente inválido. A agroecologia familiar seria muito bem capaz de alimentar a todos. Todos os nossos móveis e utensílios, desde bebê, estão impregnados por substâncias tóxicas (esse documentário Story of Stuffs é muito bacana).Nossos empregos são estressantes, e muitas vezes totalmente inúteis. Só servem para a existência de salário e para distrair o pensamento de questões como a conveniência da existência de salário! Não dão condição de prática de exercício ao ar livre, fundamental para manutenção de um organismo e mente saudável. Não seria melhor adoecermos menos do que tratarmos mais?
Sobre os acidentes que lotam os hospitais. Automóveis. Nada é mais didático para entendermos nossa sociedade do que esses doces e confortáveis vilões. Poluem o ar, detonam o solo promovendo a mineração, alimentam a indústria petrolífera, escancaram a injustiça social - contribuindo com altos índices de violência, e ainda por cima estão atrapalhando o trânsito! Ah e claro, são chave no entupimento de emergências, por serem manejados por pessoas desequilibradas. Então, contratemos mais médicos, aumentemos seus salários, construamos mais hospitais, e claro, dupliquemos ruas e estradas. Para termos sempre mais do mesmo... Alguém vê algum único sentido nisso?
Todas as soluções óbvias que saem nos jornais, ou circulam no senso comum, são uma louca e desesperada tentativa de manutenção do que está. Lei que torna corrupção crime hediondo. Mas, por Deus do céu, não será tão óbvio isso? Será que precisa alguém dizer que corrupção é crime, outro para discutir o quão foi grave o crime, outro para analisar quanto tempo encarcerado vale para pagar o tamanho do crime, com quantas bananas se paga uma maçã. Estamos correndo atrás do rabo e o remendo está saindo pior do que o rasgo.
Tentamos, tentamos de todo o jeito e com toda a força e boa vontade manter o sucesso desse sistema. Mas, ainda que se haja investimento no sistema atual de educação, e saúde, ainda que a violência urbana e a desigualdade social diminua, ainda que a corrupção se minimize, ainda assim teremos os jovens infelizes do Japão para nos lembrarmos que não basta.
Talvez seja a hora de reconhecer que por mais que tentemos com todo empenho e boa intensão, esse sistema não serve mais. Um sinal disso são todas essas pessoas nas ruas do mundo inteiro. Não é só pelo Cabral, ou só pela Irmandade Muçulmana, ou só pelas medidas de austeridade européia, é sobre a insustentabilidade e ruptura do sistema. E isso não se restringe as manifestações, corriqueiramente assistimos o efeito de negação de mudança, crianças que massacram em escolas, homem que surta assassina e queima dinheiro, tantas e tantas notícias que não representam loucos, representam a loucura do que vivemos. O que é necessário para reconhecer isso? A mim parece tão óbvio, e tão positivo!
Não vou mais pedir por mais "saúde" e "educação", pois podem interpretar como "mais investimento financeiro no sistema educacional e hospitalar".
Vou pedir por lazer e cultura.
Será que o recado será claro o bastante para não sofrer distorções e promover mais do mesmo?
sexta-feira, 19 de julho de 2013
País em protesto!
E as manifestações seguem firmes e cheias de propósito!
Não que a mídia convencional dê muito destaque... Toda vez que ligo a TV no único canal que funciona na minha casa vejo novela, 15 minutos de explicação sobre maneiras de amarrar um lenço no pescoço, crimes bárbaros (que envolvem estupro e tortura de suspeitos inocentes), "nova" forma de corrupção (a vereadora foi eleita com dinheiro de traficantes, ineeeeédito) e por aí a fora. É interessante que quando a guriazinha Isabela foi jogada pela janela era praticamente impossível não se ouvir sobre isso, e o incêndio de Sta Maria? Com debates intermináveis... Mas, sobre brasileiros reivindicando aí não, seleciona-se um grupo de baderneiros nus (quanta falta de educação - ironia mode on), ou grupos que saqueiam lojas (aquelas uma que lucram os tubos cobrando 900 reais em calças produzidas com trabalho escravo e de modo extremamente poluentes). Com o destaque de que são grupos minoritários, e que os manifestantes conscientes e bem comportados jamais fariam esse tipo de coisa nojenta e repugnante!
No entanto, fuxiquenta e cheia de esperanças que sou, vou atrás de maiores informações. O face está mais pulverizado, desde que o anonymous ficou esquisitão não tem havido uma cobertura concentrada dos protestos.
Mas, soube por um amigo que no ES também houveram pedágios queimados, como os de Campinas. Ei, antes de ficar em dúvida sobre seu apoio à atividades tão extremistas procure considerar que em São Paulo uma agência do governo encontrou um lucro indevido de 2.000.000.000 de reis num empresa de pedágio. Aliás, que empresa é essa? Tenho um pressentimento de que haja uma única empresa com diversos nomes lucrando no nosso país, digo isso, porque minha queridíssima ECOSUL, é italiana e também explora rodovias em São Paulo (sob o nome de ECOPISTAS na Ayrton Sena e Carvalho Pinto). Bom, se ainda consideras que atear fogo em cabine de pedágio é um crime horrendo e inaceitável, lembro que houve esse ano uma ação suspeita da ECOSUL indicando alguma troca de favores entre essa e o Estado, ao conseguir despachar uma intimação muito esquisita em 6 horas de seu escritório até "líderes" de um movimento sem líderes, e na presença da polícia federal numa rodovia estadual com a clara intenção de defender a todo custo (eles portavam maquininhas de choque! quase hilário se não fosse deprimente) o interesse da empresa. Ainda assim, segundo nossa mídia tradicional, atear fogo na coisa dos outros, mesmo que seja sua, é feio e não se faz, bando de vândalos. E os manifestantes conscientes repudiam esse tipo de atitude, pois eles consideram extremamente justo e honesto pagar pedágio e concordam que todas as pessoas do país tem condição financeira disso e as que não tem não deveriam sequer ter nascido então é bom que fiquem em casa/barraco mesmo, arrependidas de existir. E que se elas são atropeladas por estarem a pé ou de bicicleta isso é devido ao fato de que não obedecem a sinalização. Eles ainda acreditam que ninguém nunca tentou por meios legais questionar o valor e a existência de pedágios e que a diplomacia poderia resolver tudo #semviolencia. Portanto, atear fogo em pedágio jamais, que atitude de vandalismo mais inaceitável essa?!
A câmara de vereadores de Porto Alegre ficou ocupada por OITO dias, houve um pedido de reintegração de posse que foi suspenso, houve reunião de vereadores em churrascaria com dinheiro público e houve inclusive fotos de ativistas nus. Adivinhem qual desses fatos teve notícia em site? Afinal não é concebível pessoas peladas! Isso jamais, não chegamos tão longe na nossa evolução civilizatória para simplesmente tirarmos a roupa num local tão respeitável. Lá, onde leis absurdas são votadas afim de favorecer um pequeno grupo de investidores em detrimento de toda sociedade, justo lá onde políticos se vendem e fazem discursos eloquentes recheados de mentiras, segundas intenções e interesses ocultos, lá onde é a casa do povo desde que não haja povo algum. Ficar pelado jamais! Haja o que houver jamais tire sua roupa! A não ser que seja para servir de objeto sexual numa revista machista, ai ok, pode e tá blza. Desculpe senhores vereadores e reacionários em geral, me sinto mal em acabar com qualquer fantasia, mas tenho quase certeza de que não houve suruba nessa manifestação. A ausência de roupas foi um protesto simbólico libertário. Mas, no meu ilustre jornaleco de uma grande e importante cidade que fica à 300 e poucos km da capital POA, nada foi dito. (???)
E mais recentemente, com poucas e esparsas noticias soube que o bicho continua superpegando no Rio.
"Cabral, chegou a hora, pega o Dudu enfia no cu e vai embora"!!! Ihihihihi!!!
Eu não sei exatamente qual é desse Cabral (afinal, além de ter sido educada de maneira alienante, sou obrigada a pensar que só existo para trabalhar e que me informar, me politizar e postar num blog é uma vadiagem vergonhosa), pelos videos que assisti o capeta, digo Cabral, vendeu a cidade às empreiteiras, passando por cima de tudo e todos, demolindo casas e desapropriando famílias, pobres, claro. Aquelas que não conseguem pagar pedágio e portanto não deveriam nem ter nascido (só que não). E pasmem, sobre isso saiu uma matéria no jornaleco local! Ahhh, entendi, as notícias daqui saem ali, a de lá vem pra cá e assim ninguém se entende e nem sabe o que tá pegando de verdade. E a notícia do jornaleco me deu clareza e bastante empatia às ações "vândalas e criminosas" realizadas. Pois a notícia do G1 está tão tendenciosa que me dói a barriga. No jornaleco daqui dizem que as lojas de grife foram quebradas saqueadas e as roupas (obviamente que não todas e nem foi uma ação ensaiada onde todos os milhares da manifestantes agem iguais como soldados ou robôs) foram entregues a meninos de rua, outras foram digamos usada numa incrível e subversiva "queima de estoque"! E detalhe, o "sem violência" agora tem uma resposta imediata "sem moralismo".
Em minha opinião, como deve ter dado pra notar ao longo do texto a manifestação deve ser sem violência à vida, como vem sendo desde sempre, ao contrário de muitas ações políticas e comerciais, que literalmente matam diariamente as pessoas, inclusive de fome, afinal o alimento produzido hoje no mundo seria capaz de alimentar 12 bilhões de pessoas, mas a cada 5 segundos uma criança de menos de 10 anos morre de fome. é o que se denomina geopolítica da fome. Algo que não vai mudar sem ações enérgicas. Claro que em nenhum momento os manifestantes questionaram diretamente a questão da fome, e se o fizeram não foi manchete, afinal a mídia escolhe muito bem quem vai ser considerado herói na história. Mas, a destruição de bancos e estabelecimentos comerciais significa sim muita coisa, e para mim essa "coisa" não corrobora com a visão de que seja um bando (termo usado no site do jornal hoje) de baderneiros. Unicamente pelo fato de escolha da depredação. Não foi casa alheia (como faz o governo e empreiteiros), não foi espaço público, foram bancos e lojas de grife, ocupação (SEM DEPREDAÇÃO) de órgãos públicos e rua do capeta, digo governador. PONTO. Se esse "recado" não está claro o bastante eu não sei mais o que pode ser.
Ps.: Se alguém tiver uma fonte legal, tipo um blog, sobre os protestos do Rio e outra capitais peço encarecidamente que compartilhe.
um canal do youtube que gosto é esse:
http://www.youtube.com/watch?v=UeQS09JXjbY
Não que a mídia convencional dê muito destaque... Toda vez que ligo a TV no único canal que funciona na minha casa vejo novela, 15 minutos de explicação sobre maneiras de amarrar um lenço no pescoço, crimes bárbaros (que envolvem estupro e tortura de suspeitos inocentes), "nova" forma de corrupção (a vereadora foi eleita com dinheiro de traficantes, ineeeeédito) e por aí a fora. É interessante que quando a guriazinha Isabela foi jogada pela janela era praticamente impossível não se ouvir sobre isso, e o incêndio de Sta Maria? Com debates intermináveis... Mas, sobre brasileiros reivindicando aí não, seleciona-se um grupo de baderneiros nus (quanta falta de educação - ironia mode on), ou grupos que saqueiam lojas (aquelas uma que lucram os tubos cobrando 900 reais em calças produzidas com trabalho escravo e de modo extremamente poluentes). Com o destaque de que são grupos minoritários, e que os manifestantes conscientes e bem comportados jamais fariam esse tipo de coisa nojenta e repugnante!
No entanto, fuxiquenta e cheia de esperanças que sou, vou atrás de maiores informações. O face está mais pulverizado, desde que o anonymous ficou esquisitão não tem havido uma cobertura concentrada dos protestos.
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| Onde já se viu depredar a fonte de lucro de bilhões de reais de uma empresa que se dedica anos à fazer nada?! |
Mas, soube por um amigo que no ES também houveram pedágios queimados, como os de Campinas. Ei, antes de ficar em dúvida sobre seu apoio à atividades tão extremistas procure considerar que em São Paulo uma agência do governo encontrou um lucro indevido de 2.000.000.000 de reis num empresa de pedágio. Aliás, que empresa é essa? Tenho um pressentimento de que haja uma única empresa com diversos nomes lucrando no nosso país, digo isso, porque minha queridíssima ECOSUL, é italiana e também explora rodovias em São Paulo (sob o nome de ECOPISTAS na Ayrton Sena e Carvalho Pinto). Bom, se ainda consideras que atear fogo em cabine de pedágio é um crime horrendo e inaceitável, lembro que houve esse ano uma ação suspeita da ECOSUL indicando alguma troca de favores entre essa e o Estado, ao conseguir despachar uma intimação muito esquisita em 6 horas de seu escritório até "líderes" de um movimento sem líderes, e na presença da polícia federal numa rodovia estadual com a clara intenção de defender a todo custo (eles portavam maquininhas de choque! quase hilário se não fosse deprimente) o interesse da empresa. Ainda assim, segundo nossa mídia tradicional, atear fogo na coisa dos outros, mesmo que seja sua, é feio e não se faz, bando de vândalos. E os manifestantes conscientes repudiam esse tipo de atitude, pois eles consideram extremamente justo e honesto pagar pedágio e concordam que todas as pessoas do país tem condição financeira disso e as que não tem não deveriam sequer ter nascido então é bom que fiquem em casa/barraco mesmo, arrependidas de existir. E que se elas são atropeladas por estarem a pé ou de bicicleta isso é devido ao fato de que não obedecem a sinalização. Eles ainda acreditam que ninguém nunca tentou por meios legais questionar o valor e a existência de pedágios e que a diplomacia poderia resolver tudo #semviolencia. Portanto, atear fogo em pedágio jamais, que atitude de vandalismo mais inaceitável essa?!
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| Como pode haver pessoas nuas na casa do povo? onde nosso mundo vai parar. um local marcado pela corrupção e injustiça social vira palco da mais pura liberdade de expressão. |
E mais recentemente, com poucas e esparsas noticias soube que o bicho continua superpegando no Rio.
"Cabral, chegou a hora, pega o Dudu enfia no cu e vai embora"!!! Ihihihihi!!!
Eu não sei exatamente qual é desse Cabral (afinal, além de ter sido educada de maneira alienante, sou obrigada a pensar que só existo para trabalhar e que me informar, me politizar e postar num blog é uma vadiagem vergonhosa), pelos videos que assisti o capeta, digo Cabral, vendeu a cidade às empreiteiras, passando por cima de tudo e todos, demolindo casas e desapropriando famílias, pobres, claro. Aquelas que não conseguem pagar pedágio e portanto não deveriam nem ter nascido (só que não). E pasmem, sobre isso saiu uma matéria no jornaleco local! Ahhh, entendi, as notícias daqui saem ali, a de lá vem pra cá e assim ninguém se entende e nem sabe o que tá pegando de verdade. E a notícia do jornaleco me deu clareza e bastante empatia às ações "vândalas e criminosas" realizadas. Pois a notícia do G1 está tão tendenciosa que me dói a barriga. No jornaleco daqui dizem que as lojas de grife foram quebradas saqueadas e as roupas (obviamente que não todas e nem foi uma ação ensaiada onde todos os milhares da manifestantes agem iguais como soldados ou robôs) foram entregues a meninos de rua, outras foram digamos usada numa incrível e subversiva "queima de estoque"! E detalhe, o "sem violência" agora tem uma resposta imediata "sem moralismo".
Em minha opinião, como deve ter dado pra notar ao longo do texto a manifestação deve ser sem violência à vida, como vem sendo desde sempre, ao contrário de muitas ações políticas e comerciais, que literalmente matam diariamente as pessoas, inclusive de fome, afinal o alimento produzido hoje no mundo seria capaz de alimentar 12 bilhões de pessoas, mas a cada 5 segundos uma criança de menos de 10 anos morre de fome. é o que se denomina geopolítica da fome. Algo que não vai mudar sem ações enérgicas. Claro que em nenhum momento os manifestantes questionaram diretamente a questão da fome, e se o fizeram não foi manchete, afinal a mídia escolhe muito bem quem vai ser considerado herói na história. Mas, a destruição de bancos e estabelecimentos comerciais significa sim muita coisa, e para mim essa "coisa" não corrobora com a visão de que seja um bando (termo usado no site do jornal hoje) de baderneiros. Unicamente pelo fato de escolha da depredação. Não foi casa alheia (como faz o governo e empreiteiros), não foi espaço público, foram bancos e lojas de grife, ocupação (SEM DEPREDAÇÃO) de órgãos públicos e rua do capeta, digo governador. PONTO. Se esse "recado" não está claro o bastante eu não sei mais o que pode ser.
Ps.: Se alguém tiver uma fonte legal, tipo um blog, sobre os protestos do Rio e outra capitais peço encarecidamente que compartilhe.
um canal do youtube que gosto é esse:
http://www.youtube.com/watch?v=UeQS09JXjbY
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