domingo, 18 de março de 2012

Lixo Extraordinário


http://www.youtube.com/watch?v=udpDCiLrg4k
Lixo Extraordinário!

Já é meio antigo (2010), e eu já tinha visto (e me impressionado com) as fotos, mas só hoje vi o documentário, que basicamente pulou no meu colo, não sei bem dizer como.
Enfim, a história é toda inacreditável, fantástica! Começa com um artista plástico dos EUA que nasce numa família pobre de São Paulo. E ele resolveu fazer arte para ajudar as pessoas, planejou fazer retratos de pessoas que trabalham no aterro, com lixo.

Bem, achei muito intenso o documentário como um todo, é excelente, mas me chamou muita atenção o final daquelas pessoas, esse trabalhou mudou a cabeça delas. Parece muito positivo, chegar a uma pessoa com uma condição de vida subumana e mostrar outra realidade a ela, tirar "o espesso véu da ignorância", parece completamente positivo. Mas, e o depois? Como ela vai voltar para aquela realidade com esse novo olhar? Seria como eu, ou você, começar a viver numa situação dessa...
Bem, no final, pelo pequeno texto que exibiram dando um parecer de cada um, parece que ninguém cometeu suicídio, como eu previa.
Outro ponto interessante é: como os nossos problemas se tornam pequenos e insignificantes perto de uma realidade tão brutal quanto essa. Eu praticamente não dormi depois de dar uma aula que não foi tão fabulosa quanto eu gostaria. Será isso um problema realmente grande?
Por fim, o que fica mais forte pra mim é que separar o lixo no conforto do meu lar, é pensar no final da "cadeia produtiva" e ajudar a tornar um pouco mais digna a vida de quem vive da reciclagem.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Los Mensajes de Los Sabios


Eis que decidimos fazer uma grande viagem, meus pais, meu amor e eu. Para minha satisfação pessoal teríamos que ver os Andes e o Pacífico, meu pai fazia questão de conhecer o sul do Chile. Assim, partimos a bordo de um peugeot por um caminho de 8.000 Km... Sim, é km pra caramba, e para me distrair levei o livro que estava lendo: Férias... é uma leitura simples e logo terminei. Em Santiago minha mãe me mostrou muito contente o livro que havia comprado, em espanhol para treinar: Los Mensajes de Los Sabios, de Brian Weiss. Como esse é o autor de Muitas vidas, muitos mestres que minha sogra adora, resolvi folhá-lo para me distrair da paisagem monótona e desértica das estradas Argentinas.
O autor é um psiquiatra adepto da regressão para curar as pessoas por meio do reconhecimento de que somos almas divinas e imortais, assim, não há razão para temer ou entristecer nessa vida. Vida essa que nada mais é que um exercício, uma disciplina como tantas que cursamos na universidade.
Estamos aqui para aprender e não para sofrer, a lição principal é o amor incondicional. Assim, a forma de tratarmos os demais é infinitamente importante, muito mais do que acumulo material. Podemos estar sujeitos a influencias hormonais ou padrões comportamentais, mas essas tendências podem ser superadas com a tomada de consciência. Devemos dedicar tempo e energia a outra pessoa, dedicar toda nossa atenção e consciência à relação e seus problemas, a relação é mais importante que a televisão, que essa revista, que esse artigo. É extremamente importante respeitar a felicidade do próximo, nunca dizer nada que possa diminuir essa felicidade, comunicar-se sem julgar, sem criticar.
Temos que nos livrar do medo, todo e qualquer medo. O medo faz com que nos isolemos, ergamos um muro ao nosso redor. Normalmente, temos medo do que os outros podem pensar a nosso respeito, de como nos julgarão, medo de fracassar. Não há porque ter medo se nos abrirmos ao amor incondicional e anularmos nosso ego.
Numa tradução livre segue um trecho:
“Seja mais espiritual. Dedique mais tempo a rezar, a dar, a ajudar aos demais, a amar. Expresse generosidade e amor. Livre-se do orgulho, do ego, do egoísmo, da raiva, da culpa, da vaidade e da ambição. Passe menos tempo acumulando coisas, preocupando-se, pensando no passado ou no futuro, causando dano aos demais ou demonstrando qualquer tipo de violência.
Não aceite nenhuma idéia antes de questioná-la com sua intuição. É algo que fomenta o amor, a bondade, a paz e a união? Ou algo que promove a separação o ódio, o egocentrismo e a violência?
Você é imortal e está aqui para aprender, para saber mais, para ser divino. O que aprender aqui seguirá com você após a morte, não poderá levar nada mais. O reino do céu está em nosso interior. Deixe de buscar gurus, em vez disso busque a si mesmo. Não tardará a encontrar seu próprio lugar.”
Eu tenho muita dificuldade em saber o que é Deus, mas acho que é o amor, essa poderosa energia que flui por tudo. Está dentro de nós, e quando dizem as características de deus eu encaro como sendo minhas próprias, e que eu só preciso manifestá-las. Todos podemos ser misericordiosos, bons, etc...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Universos paralelos


Cada ser humano é um universo particular. Ainda temos a infeliz mania de sempre nos comparamos com os outros, isso machuca e não faz o menor sentido. Costumamos traçar uma média, baseada no resultado dos outros e nos esforçamos para ficar acima dela. Entretanto, como será possível fazer comparações com coisas tão complexamente distintas como dois seres humanos? Cada um tem suas experiências de vida, seus princípios, seus defeitos e qualidades, as variáveis são infinitas, pois trazemos as peculiaridades de nossos ancestrais, e daí por diante... a complexidade só aumenta.
Um amigo estava muito chateado esses dias, bem quando esses pensamentos de peculiaridade humana me ocorreram, é sempre assim, uma idéia se instala na minha cabeça e logo, posso notá-la na prática. Nós falávamos de pessoas sem mérito, apenas oportunistas, que se dão bem. Ele, chateado, afirmava ser estudioso e aplicado e não ter a oportunidade que esse tal “puxa-saco” tinha. E eu perguntei:
- Mas, você se sentiria feliz no lugar dele?
Não, claro que não. Meu amigo gosta de estudar, e jamais gostaria de fazer nada que não estivesse preparado ou conquistado por mérito. Ele, provavelmente, prefere estudar a vida toda, ganhando pouco, a se aproveitar de uma situação. E nós sabemos, que é mais feliz quem é sincero consigo próprio.

Não temos condições de julgar os outros, não podemos dizer que tal atitude é errada e aquela pessoa não deveria fazer aquilo. No máximo podemos observar e pensar, isso que esse sujeito faz é contra os meus princípios e eu jamais farei o mesmo.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Mesquinhez!

Nessa segunda-feira no estudo espírita nosso instrutor causou polêmica:
- Todo ser humano é mesquinho, os motivos que nos movem são extremamente egoístas.
Bem, é óbvio que por mais que saibamos o quanto estamos longe da perfeição, todos nos esforçamos pra fazermos o melhor possível e não gostamos de ouvir que somos mesquinhos.
Diante de tanto contestamento ele continuou:
- Vocês estão aqui por se preocuparem com a vida após a morte, não querem sofrer, e temem por isso, pelo bem estar próprio.
Bom, eu fiquei muito feliz pois não foi por isso que busquei um centro espírita. Uma colega, muito contrariada falou com um tom de revolta:
- Então muito melhor ser ateu, eu conheço ateus que fazem bondade e não é pensando na outra vida.
Ele respondeu que ateus não aceitam algo que esteja acima deles, eu não acho isso bem verdade. E como ele insitia em afirmar que todo motivo é mesquinho, sai da minha zona de conforto e comecei me questionar onde estaria minha mesquinhez.
Bem, eu não busquei um centro espirita aspirando vantagens extraterrenas, pra mim minha morte está tão distante que não consigo me planejar tanto assim. Mas, tão pouco fui esperando ajudar as pessoas e fazer caridade. Eu fui por sentir uma inquietação insuportável, aí reside minha mesquinhez, só me preocupo comigo antes de tomar qualquer atitude. Não me orgulho disso, mas reconheço a dificuldade em alterar esse quadro.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Os dedos são das mãos.


Deixar os dedos dançarem no teclado, e ver no que dá, assistir de longe o duelo entre pensamento e mãos, como se nenhum deles me pertencesse.
Eu sei que no final o eu, crítica demais, vai achar que o resultado não foi satisfatório. Como nada que flui sem sua fiscalização autoritária pudesse ser bom o bastante, pudesse não ser vergonhoso.
Os dedos dançantes param, como se vigiados pelo fiscal alerta. O fiscal pergunta se eles tem algo a dizer, eles questionam se isso é mesmo necessário, se só se pode se dizer quando há algo a ser dito. A discussão pára numa nova pausa.

Os dedos se sentem impelidos a parar, como se dançar por dançar, sem um fim específico, fosse um crime. Como se a música se fizesse necessária, como se só o sentimento não bastasse.

E ao final, novamente o autoritário eu bloqueia qualquer lapso de espontaneidade, deixando os dedos bobos apenas a espera de novas ordens a serem categoricamente cumpridas.