Estamos exagerando?
Hoje pela manhã, enquanto tomava um café sentindo o bafo morno do monstro da solidão, ia ouvindo uma análise sobre psicologia de massas. De como nossa ansiedade é elemento necessário para operação da propaganda. Os amigos viajantes se arrumavam para ir embora, e em breve eu estaria vulnerável novamente. A análise vai dizendo que a construção de um "rebanho" passa em colocar causas sociais acima de vínculos afetivos, e de aceitar o que se impõe de "senso comum" sem crítica. E nisso analisei, que as vezes duvido, me permito duvidar: e se eu estiver presa e manipulada em uma narrativa forjada, para dominação. Como se dois times competissem pela dominação, e nós somos apenas joguetes. A verdade é coisa volátil, talvez seja apenas um vício. Como se pudesse haver tudo, sem nada.
Pessoas próximas de mim, pelas quais nutro profundo carinho, como minha mãe e meu irmão. Negam as mudanças climáticas. Então, imbuida de empatia, saio das analises de dados baseados em pesquisas científicas, e olho ao redor. Pela janela de um ônibus, pelas estradas. Uma, duas, dez horas de deslocamento e vemos de lado a lado, apenas destruição. Sem mata, sem produção, sem criação, sem fábricas. Apenas devastação, pasto degradado. Toda essa transformação na paisagem não provocaria um impacto no clima? Se num dia quente buscamos sobra, e sentimos a diferença em metros de distância, imagina um continente inteiro desmatado! Impossível que não cause nenhuma alteração na regulação hídrica, térmica.
É muito triste e um pouco impotente, estar a duas décadas em alerta climático e não ver muita possibilidade de mudar. As relações humanas difíceis para comer um brigadeiro junto, imagina construir algo, um trabalho cooperado. Descontínua, desconfiada, descompromissada. Sintomas mórbidos de um mundo a beira do colapso: anseio por atender desejos imediatos. Pra onde isso pode nos levar?
Parece um exagero ver na figura da "familícia" uma porta aberta para o apocalipse?
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