Preciso confessar algo mui estranho e que faz com que eu perca toda a minha pouca credibilidade científica! Eu acredito que somos dominados por forças ocultas, mas que seu poder está chegando ao fim... Parece uma alucinada loucura conspiratória, sim eu sei. Mas, faz um tempo que venho seguindo um blog, sim não é uma fonte científica e confiável, mas o jornal é?! A própria ciência é tão confiável? Mais do que o que eu sinto?! Creio que não. E vou tentar explicar o que tenho vivido nesse raminho da minha vida.
Esse blog Sementes das Estrelas posta diariamente muitas mensagens bonitas e incentivadoras. Eu vinha lendo alguns meses com esse propósito, de elevar meu espírito. Eu lia, que bonitinho, me sentia animada e partia para a pesquisa do mestrado mais feliz e inspirada. Pois acontece que justamente quando meu mestrado começa a me puxar para uma Évellin Keith mais politizada, e meu foco de atividade extra-curricular passa de espiritualidade para política. Justiça ambiental, anarquismo e esses temas dos quais sempre fui totalmente alheia passam a ser meu hobbie, me tornei feminista e protetora dos fracos e oprimidos. Aí então, passei a buscar a política na espiritualidade, e adivinhem só?! Todos os ensinamentos espirituais que leio são políticos, e de esquerda! Existe algo mais anarquista que o evangelho?! Creio que não, e novamente devo citar a melhor obra que já li "O Reino de Deus está em Vos" de Tolstói. Agora para saber como a Igreja consegue ensinar o evangelho e acumular riqueza, temos que ter claro que ela não ensina. Tá, mas essa discussão eu gostaria de trazer num post só sobre isso. Voltemos à minha fé na aproximação de um nova era!
Eis que com meu olhar mais politizado começo a reparar que o blog passa a trazer mensagens de cunho político! Inclusive citando claramente acontecimentos como o do Egito e sobre as manifestações em todo o mundo. Claro que pode ser mentira, como tudo na vida pode ser mentira. Assim, podemos escolher no que acreditar, e nem sempre acreditar na opinião pública é o melhor caminho. As postagens pareciam coerentes, bem escritas e lógicas. E o mais legal, diziam que a corrupção e crimes serão trazidos a luz, é bem verdade que desde sempre a TV divulga escândalos e descobertas de crimes e tals, mas agora ao ver isso eu esboço um sorrisinho esperançoso. Como quando o papa declarou "guerra" à corrupção no vaticano \o/
Outro fator que me anima a crença nessa nova era, é que minhas diferentes fontes de pesquisa espiritual apontam que estamos em fase de "transição", para o espiritismo passaremos de planeta de provas e expiações para um mundo de regeneração, para outros estamos passando da era de peixes para de aquário. E eu sinto que essa galera nas ruas de todo o mundo, muito mais do que o veiculado pela mídia (aliás, vocês não estão sabendo que a câmara de POA está a mais de uma semana ocupada, não é mesmo?!) é um efeito tão espiritual quanto político.
Enfim, eu e minha tendência de espiritualizar as coisas creio que valha a pena dar uma fuçadinha no site http://prepareforchange.net/. E viver essa mudança, isto é buscarmos manifestar nossa criatividade, liberdade, plenitude e fortificar nosso caráter!
o questionamento e a reflexão nos tornam mais conscientes, plenas, felizes, questionadoras e reflexivas!
quinta-feira, 18 de julho de 2013
segunda-feira, 15 de julho de 2013
uma anarquia
É engraçado como algumas coisas tão banais nos convidam a reflexões mais profundas.
Ontem estava no meu quarto lendo o melhor livro do mundo (O reino de Deus está em vós - Tolstói). Quando ouço um roc-roc vindo da sala. Na hora já imaginei que fosse meu cachorro mais gorduchinho, o Jacques, comendo a caixinha de bis que havíamos deixado no sofá. Pois eu me lembro de ter deixado um chocolate uma vez no sofá que sumiu misteriosamente, além disso mesmo sem ele "nunca" ter comido chocolate quando ele sente que estamos comendo fica maluco pedindo. Assim, sai do quarto já pronta para dar uma ralhada nele, seria uma bronca surpreendente e enérgica da qual ele jamais esqueceria.
Caminhando bem silenciosamente para dar o flagrante, saio do quarto, passo pelo outro cachorro, o Gurila que finge não estar sabendo de nada. E quando olho para o sofá, lá está ele! O cachorro gorduchinho se deliciando. A cena é tão cômica que quando abro a boca, pensando que vai sair um grito raivoso, como seria de se esperar, sai uma gargalhada interminável... a qual apaga da minha mente a imagem de mim mesma com uma mão na cintura e outra apontado para a fuça dele, gritando argumentos irrefutáveis capazes de fazer qualquer ser vivo se sentir envergonhado, humilhado, frustrado e desamparado.
É interessante pensar que a primeira atitude que me veio na cabeça nada mais foi do que um modo de reproduzir um padrão de comportamento. Depois eu fiquei pensando em todos os argumentos que endossariam uma bronca. O alimento faz mal, dá dor de barriga, e cáries. Exatamente os mesmos efeitos que tem sobre mim! Porque eu poderia comê-lo mas meu mascote não? Porque a medicina canina é menos desenvolvida? Porque ele não escova os dentes? Todos esses argumentos são válidos, mas nenhum justifica uma bronca enérgica no meu amigão do qual sou responsável pelo bem estar. O adequado seria que eu parasse de comer alimentos assim ou que cuidasse para quando comesse tirasse do alcance dele. Afinal o bis que ele havia comido já estava lá dentro, no máximo eu poderia presenteá-lo com uma congestão.
Penso ainda o quão anarquista não foi essa minha atitude de abrir mão da minha autoridade opressora. Anarquia! Palavrinha tão mal empregada que faria com que muitas pessoas julgassem que a anarquia da cena consiste no "cachorro roubando chocolate encima do sofá", uma bagunça!...
Muitos podem achar desumano comparar animais com seres humanos, mas eu creio que essa cena pode representar uma sociedade. Na qual alguns não tem condição de satisfazer suas vontades, e os que tem essa condição não compartilham, apenas acumulam e exibem. E se essa linha (posse) é cruzada existe punição e repressão. Onde poderia haver o riso fácil dos que amam, onde poderia haver uma reflexão autocrítica.
Nenhum crime se justifica, assim como nenhuma ostentação num mundo de fome e miséria.
Ontem estava no meu quarto lendo o melhor livro do mundo (O reino de Deus está em vós - Tolstói). Quando ouço um roc-roc vindo da sala. Na hora já imaginei que fosse meu cachorro mais gorduchinho, o Jacques, comendo a caixinha de bis que havíamos deixado no sofá. Pois eu me lembro de ter deixado um chocolate uma vez no sofá que sumiu misteriosamente, além disso mesmo sem ele "nunca" ter comido chocolate quando ele sente que estamos comendo fica maluco pedindo. Assim, sai do quarto já pronta para dar uma ralhada nele, seria uma bronca surpreendente e enérgica da qual ele jamais esqueceria.
Caminhando bem silenciosamente para dar o flagrante, saio do quarto, passo pelo outro cachorro, o Gurila que finge não estar sabendo de nada. E quando olho para o sofá, lá está ele! O cachorro gorduchinho se deliciando. A cena é tão cômica que quando abro a boca, pensando que vai sair um grito raivoso, como seria de se esperar, sai uma gargalhada interminável... a qual apaga da minha mente a imagem de mim mesma com uma mão na cintura e outra apontado para a fuça dele, gritando argumentos irrefutáveis capazes de fazer qualquer ser vivo se sentir envergonhado, humilhado, frustrado e desamparado.
É interessante pensar que a primeira atitude que me veio na cabeça nada mais foi do que um modo de reproduzir um padrão de comportamento. Depois eu fiquei pensando em todos os argumentos que endossariam uma bronca. O alimento faz mal, dá dor de barriga, e cáries. Exatamente os mesmos efeitos que tem sobre mim! Porque eu poderia comê-lo mas meu mascote não? Porque a medicina canina é menos desenvolvida? Porque ele não escova os dentes? Todos esses argumentos são válidos, mas nenhum justifica uma bronca enérgica no meu amigão do qual sou responsável pelo bem estar. O adequado seria que eu parasse de comer alimentos assim ou que cuidasse para quando comesse tirasse do alcance dele. Afinal o bis que ele havia comido já estava lá dentro, no máximo eu poderia presenteá-lo com uma congestão.
Penso ainda o quão anarquista não foi essa minha atitude de abrir mão da minha autoridade opressora. Anarquia! Palavrinha tão mal empregada que faria com que muitas pessoas julgassem que a anarquia da cena consiste no "cachorro roubando chocolate encima do sofá", uma bagunça!...
Muitos podem achar desumano comparar animais com seres humanos, mas eu creio que essa cena pode representar uma sociedade. Na qual alguns não tem condição de satisfazer suas vontades, e os que tem essa condição não compartilham, apenas acumulam e exibem. E se essa linha (posse) é cruzada existe punição e repressão. Onde poderia haver o riso fácil dos que amam, onde poderia haver uma reflexão autocrítica.
Nenhum crime se justifica, assim como nenhuma ostentação num mundo de fome e miséria.
O ego emburrece
Me lembro que tinha verdadeiro pânico de falar em público, ainda sinto desconforto, mas não é mais tão apavorante. O que deve ter ajudado, entre outras coisas, foi que leio o jornalzinho local em voz alta para o Thiago enquanto ele dirige para universidade. Peguei gosto e confiança de ler alto.
Num grupo de estudos a facilitadora disse que cada um teria que ler um trecho do livro. E eu fiquei prestando atenção ao que o colega dizia! Me surpreendi! (e deixei de prestar atenção por uns segundos para pensar) Na minha adolescência o pânico de ter que ler em público me deixava cega e surda, e burra! Não conseguia prestar atenção em mais nada, meu coração batia forte, e tinha que me concentrar simplesmente em não ter um piripaque. Achava eu que isso era timidez, insegurança. Agora penso que são nomes distintos de um mesmo mal, o ego.
O fato de me preocupar mais com meu "desempenho" do que com o conteúdo estudado revela muita coisa. O ego tem o poder de emburrecer. Há quem entre numa discussão para apresentar os melhores argumentos da maneira mais eloquente e persuasiva, só para "vencer" e não para crescer, para aumentar seu conhecimento, compartilhar informação, criar junto. Mesmo inconscientemente essa "cegueira" pode se apropriar de nós e nesse instante deixamos de ver tudo ao redor, preocupados apenas com nosso desempenho. Nos habituamos a viver nesse mundo egóico, incentivados por aparelhos pessoais que nos desligam do mundo real e alimentam apenas nosso ego.
Vidrados nesse novo mundo virtual, dinâmico e onde podemos selecionar ver só o que nos interessa não nos damos conta das cores do dia, se esse ano foi mais quente, se aquele prédio de 20 andares na beira da praia está tapando o sol do bairro inteiro e está contrariando o plano municipal, não percebemos que as ruas são feias cada vez mais cheias de carros, que as pessoas tem feições tristes, cansadas e mal humoradas, não notamos que o arroio foi retilinizado, canalizado e que por cima dele agora há uma rodovia asfaltada e que os pescadores que viviam dele agora tem empregos desgastantes e desagradáveis e compram seus peixes contaminados em supermercados de capital estrangeiro. Não vivemos os momentos, apenas enfeitamos eles com sorrisos e maquiagens para postar no facebook e contar quantas curtidas conseguimos. E para isso tem-se filhos, para serem os mais fofos bebês a receberem as curtidas em nossas páginas sociais.
Se alguém comenta de um livro fingimos não ouvir, não por desinteresse genuíno, mas por medo de demonstrar qualquer sinal de ignorância e sermos mal julgados. Afinal, com tantas distrações que enchem nossos egos nos tornamos burros, muito burros ou alienados, como quiserem. E esse mesmo ego nos impede de reconhecer tal burrice. Tenho a impressão de que muitos pesquisadores morrem de medo que encontrem os possíveis erros de suas pesquisas, quando na verdade deveria expor todas as suas dúvidas e inseguranças afim de sana-las e assim deixar para academia um trabalho de qualidade.
O mesmo ocorre no importante campo da política. Parlamentares votam leis e projetos, se candidatam e bolam planos mirabolantes para reeleição com o intuito de obedecer seu ego. Artistas não buscam muito além de alimentar seu ego. E esse modo de agir, ser e pensar, incentivado e reproduzido incessantemente vem atrapalhando o progresso da humanidade e as realizações pessoais de cada indivíduo.
Num grupo de estudos a facilitadora disse que cada um teria que ler um trecho do livro. E eu fiquei prestando atenção ao que o colega dizia! Me surpreendi! (e deixei de prestar atenção por uns segundos para pensar) Na minha adolescência o pânico de ter que ler em público me deixava cega e surda, e burra! Não conseguia prestar atenção em mais nada, meu coração batia forte, e tinha que me concentrar simplesmente em não ter um piripaque. Achava eu que isso era timidez, insegurança. Agora penso que são nomes distintos de um mesmo mal, o ego.
O fato de me preocupar mais com meu "desempenho" do que com o conteúdo estudado revela muita coisa. O ego tem o poder de emburrecer. Há quem entre numa discussão para apresentar os melhores argumentos da maneira mais eloquente e persuasiva, só para "vencer" e não para crescer, para aumentar seu conhecimento, compartilhar informação, criar junto. Mesmo inconscientemente essa "cegueira" pode se apropriar de nós e nesse instante deixamos de ver tudo ao redor, preocupados apenas com nosso desempenho. Nos habituamos a viver nesse mundo egóico, incentivados por aparelhos pessoais que nos desligam do mundo real e alimentam apenas nosso ego.
Vidrados nesse novo mundo virtual, dinâmico e onde podemos selecionar ver só o que nos interessa não nos damos conta das cores do dia, se esse ano foi mais quente, se aquele prédio de 20 andares na beira da praia está tapando o sol do bairro inteiro e está contrariando o plano municipal, não percebemos que as ruas são feias cada vez mais cheias de carros, que as pessoas tem feições tristes, cansadas e mal humoradas, não notamos que o arroio foi retilinizado, canalizado e que por cima dele agora há uma rodovia asfaltada e que os pescadores que viviam dele agora tem empregos desgastantes e desagradáveis e compram seus peixes contaminados em supermercados de capital estrangeiro. Não vivemos os momentos, apenas enfeitamos eles com sorrisos e maquiagens para postar no facebook e contar quantas curtidas conseguimos. E para isso tem-se filhos, para serem os mais fofos bebês a receberem as curtidas em nossas páginas sociais.Se alguém comenta de um livro fingimos não ouvir, não por desinteresse genuíno, mas por medo de demonstrar qualquer sinal de ignorância e sermos mal julgados. Afinal, com tantas distrações que enchem nossos egos nos tornamos burros, muito burros ou alienados, como quiserem. E esse mesmo ego nos impede de reconhecer tal burrice. Tenho a impressão de que muitos pesquisadores morrem de medo que encontrem os possíveis erros de suas pesquisas, quando na verdade deveria expor todas as suas dúvidas e inseguranças afim de sana-las e assim deixar para academia um trabalho de qualidade.
O mesmo ocorre no importante campo da política. Parlamentares votam leis e projetos, se candidatam e bolam planos mirabolantes para reeleição com o intuito de obedecer seu ego. Artistas não buscam muito além de alimentar seu ego. E esse modo de agir, ser e pensar, incentivado e reproduzido incessantemente vem atrapalhando o progresso da humanidade e as realizações pessoais de cada indivíduo.
sexta-feira, 5 de julho de 2013
subjetividade objetiva
Quando ouvindo uma aula especial de Educação Ambiental crítica, algo me cativou. A conversa tem que ser objetiva, esse papo de querer "paz e amor" é chavão hippie da década de 70 e não convence. Tem-se que trazer esse desejo para uma discussão objetiva, dizia o professor. E assim ia a conversa que me deixava deveras encantada. Imaginei que assim, dotada de argumentos lógicos e racionais seria possível falar a mesma língua daqueles que estão pouco se importando com qualquer coisa além de seu patrimônio pessoal.
Fiquei com isso martelando na minha cabecinha, e sempre que sentia que meus argumentos começavam a descolar para a "subjetividade" me castrava rapidamente em perfeita obediência as palavras eloquentes do experiente e renomado professor.
Mas, algumas notícias me deixaram inquieta nessa nublada manhã invernal. O suicídio é a causa de quase metade das mortes entre jovens de 20 à 29 anos, na desenvolvida, rica e bem educada nação japonesa (link). E como a nação está lidando com esse dado? Money!
Técnicos associaram as mortes ao desemprego, ou medo de perder o emprego (!). O que é um motivo bastante frio e objetivo. E as medidas frias e objetivas adotadas para prevenção foram: controlar a taxa de desemprego, que atualmente é menor que 4,3% e fornecer "bolsas"-auxílio-tratamento-psiquiátrico.
E se você está pensando que esse "probleminha" é exclusividade única de países de alta latitude, distantes da alegria do clima tropical, saiba que na pátria amada Brasil a taxa de suicídio entra jovens e adolescentes cresceu 30% nos últimos 25 anos. E o país vem lidando muito bem com o assunto adotando uma excelente política de "fingir que nada aconteceu" evitando inclusive a utilização do termo que é alterado para "mortes por lesão autoprovocadas voluntariamente", isso porque, acredita-se que a simples menção na palavra suicídio pode incentivar a ação. Assim, o tema é um tabu, apesar de alguns especialista acreditarem que falar no assunto seria mais inteligente, pois auxilia na prevenção. Tamanha a ignorância.
Segundo a CVV numa sala com 30 pessoas 5 delas já pensaram em suicídio. E por que?
Os especialistas do Japão que me perdoem, mas acho que uma atitude assim não esteja simplesmente relacionado ao mercado de trabalho, por mais lógico e coerente que esse argumento possa parecer. A insatisfação com os padrões estabelecidos superam o limite da razão, esses números são estarrecedores e merecem atenção especial. Cada vítima deve ter tido lá suas razões, temos uma razão a cada 40 segundos. Eu penso que isso seja a prova objetiva da ausência do desenvolvimento de questões subjetivas.
Imagine se o simples medo de perder o emprego faria um jovem considerar melhor o sofrimento e a incerteza da morte. Isso é uma medida absurdamente extrema que deve ser olhada com especial atenção, e aqui nenhuma frieza vinda da analise objetiva de números e gráficos é capaz de entender e resolver o problema.
Acho que temas subjetivos e filosóficos devem ser considerados sim, sem medo, sem preconceito, com respeito e seriedade. Deve avançar na conversa da felicidade. O FIB no lugar do PIB. Até eu tenho medo de dizer, mas acredito que pessoas felizes trabalham melhor do que pessoas bem pagas. Quando a felicidade verdadeira for a aspiração master de todos os seres humanos, quando compreendermos o que é felicidade e comprovarmos que desviar verba da escola de jardim de infância da periferia não traz felicidade, talvez essas atitudes sejam desincentivadas. Mas enquanto não soubermos definir felicidade e enquanto o avançar dessa discussão seja relegado a poucos corajosos que taxamos de vagabundos e desocupados, estaremos sempre meio perdidões. É bem verdade que o risco de esse conceito ser utilizado num discurso vazio é grande, mas mesmo os atuais discursos objetivos, cheios de dados técnicos são conversa para boi dormir...
Fiquei com isso martelando na minha cabecinha, e sempre que sentia que meus argumentos começavam a descolar para a "subjetividade" me castrava rapidamente em perfeita obediência as palavras eloquentes do experiente e renomado professor.
Mas, algumas notícias me deixaram inquieta nessa nublada manhã invernal. O suicídio é a causa de quase metade das mortes entre jovens de 20 à 29 anos, na desenvolvida, rica e bem educada nação japonesa (link). E como a nação está lidando com esse dado? Money!
Técnicos associaram as mortes ao desemprego, ou medo de perder o emprego (!). O que é um motivo bastante frio e objetivo. E as medidas frias e objetivas adotadas para prevenção foram: controlar a taxa de desemprego, que atualmente é menor que 4,3% e fornecer "bolsas"-auxílio-tratamento-psiquiátrico.
E se você está pensando que esse "probleminha" é exclusividade única de países de alta latitude, distantes da alegria do clima tropical, saiba que na pátria amada Brasil a taxa de suicídio entra jovens e adolescentes cresceu 30% nos últimos 25 anos. E o país vem lidando muito bem com o assunto adotando uma excelente política de "fingir que nada aconteceu" evitando inclusive a utilização do termo que é alterado para "mortes por lesão autoprovocadas voluntariamente", isso porque, acredita-se que a simples menção na palavra suicídio pode incentivar a ação. Assim, o tema é um tabu, apesar de alguns especialista acreditarem que falar no assunto seria mais inteligente, pois auxilia na prevenção. Tamanha a ignorância.
Segundo a CVV numa sala com 30 pessoas 5 delas já pensaram em suicídio. E por que?
Os especialistas do Japão que me perdoem, mas acho que uma atitude assim não esteja simplesmente relacionado ao mercado de trabalho, por mais lógico e coerente que esse argumento possa parecer. A insatisfação com os padrões estabelecidos superam o limite da razão, esses números são estarrecedores e merecem atenção especial. Cada vítima deve ter tido lá suas razões, temos uma razão a cada 40 segundos. Eu penso que isso seja a prova objetiva da ausência do desenvolvimento de questões subjetivas.
Imagine se o simples medo de perder o emprego faria um jovem considerar melhor o sofrimento e a incerteza da morte. Isso é uma medida absurdamente extrema que deve ser olhada com especial atenção, e aqui nenhuma frieza vinda da analise objetiva de números e gráficos é capaz de entender e resolver o problema.
Acho que temas subjetivos e filosóficos devem ser considerados sim, sem medo, sem preconceito, com respeito e seriedade. Deve avançar na conversa da felicidade. O FIB no lugar do PIB. Até eu tenho medo de dizer, mas acredito que pessoas felizes trabalham melhor do que pessoas bem pagas. Quando a felicidade verdadeira for a aspiração master de todos os seres humanos, quando compreendermos o que é felicidade e comprovarmos que desviar verba da escola de jardim de infância da periferia não traz felicidade, talvez essas atitudes sejam desincentivadas. Mas enquanto não soubermos definir felicidade e enquanto o avançar dessa discussão seja relegado a poucos corajosos que taxamos de vagabundos e desocupados, estaremos sempre meio perdidões. É bem verdade que o risco de esse conceito ser utilizado num discurso vazio é grande, mas mesmo os atuais discursos objetivos, cheios de dados técnicos são conversa para boi dormir...
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Conveniente urgência mineral...
Ao que parece, todas as medidas e conversas lógicas das pessoas importantes tem, necessária e obrigatoriamente que envolver, não apenas economia como, crescimento econômico. No entanto, temos que reconhecer que para todo e qualquer crescimento existe um limite, e doa a quem doer, parecemos estar vivendo exatamente o limite do nosso crescimento econômico. Como governar num tempo como esse? Como mudar quando tudo o que se aprendeu foi seguir receitas de bolo, e toda a lógica e coerência solidificada nos impedem de cogitar qualquer aspiração que não envolva o crescimento econômico? Tanto individual quanto social.
É preciso coragem, e essa é uma virtude de poucos, menos do que imaginamos. Vivemos tempo de mudança e negar esse fato parece deixar nosso futuro mais nebuloso e nos distanciar da resolução de conflitos.
Estamos nas ruas, cada um com seu pensamento, mas todos nos demos conta de que esse padrão econômico, que guia a política, não está mais nos beneficiando. E o que faz quem está no poder? intensifica o mesmo padrão que estamos questionando, o mesmo padrão insustentável. Pensando que assim proverá estabilidade e segurança, isso é adiará infinitamente as inevitáveis e necessárias mudanças de paradigma.
Vamos falar do que não está sendo muito debatido nos cartazes, o novo código da mineração. Que, pelo que entendi, vem sendo discutido desde 2009 entre empresários e governo (desconsiderando todo movimento popular, e isso no governo do PT). Para que lado imaginamos que a conversa tende?
Com as manifestações nas ruas, invés da lógica ser "ei, pera aí, a população quer participar, quer ser ouvida, clama por justiça", nossa representante pensa:
"Em um momento de tanta turbulência econômica e social, é importante que o Brasil se apresente como uma nação estável -não apenas sob o ponto de vista econômico, mas também político e jurídico, onde os contratos são respeitados, mantendo a ideia de que vale a pena investir."
Minha nossa. E com isso abre urgência na votação do novo código. Sim, afinal quando todos estamos nas ruas clamando por termos nossas necessidades ouvidas e consideradas, nada mais urgente do que se votar o código da mineração! Essa urgência repentina impede movimentos sociais e ONGs (que foram excluídas de todo processo de elaboração) estudem, conheçam, e entendam as entrelinhas do código e se capacitem para propor emendas, elas tiveram 13 dias para isso (de 21 de jun até hoje, 03 de julho), e exatamente os 13 dias de intensa movimentação popular (!)
E o mais interessante, é que as matérias de jornais, que linkei abaixo, dão a entender que o novo código pode prejudicar os mineradores, e deusolivre que eles resolvam partir levando o importantíssimo invetimento que nos dão razão de existir, sem o qual, pobre de nós, nada somos, nada podemos. Na matéria do Estadão tive a sensação de que a atividade será mais taxada, mas que essa alíquota pode ser mudada depois... e que haverá a criação de uma Agência, tipo ANP para "regular" a mineração.
Estamos falando de uma das atividades mais impactantes, social e ambientalmente. E que não apenas gera um passivo absurdo no local em que ocorre como ao longo de toda cadeia de produção. A exportação de minério bruto é tão absurda que me dá calafrios só de pensar que ainda ocorre, todo o ônus fica conosco. Um estudo realizado no Uruguai identificou que a atividade de mineração que foi aceita visando a criação de emprego deixou mais pessoas desempregadas, ao venderem pequenas propriedades das quais dependiam para agricultura familiar. A mão de obra empregada na atividade mineradora é pouca, e as condições de trabalho são ásperas, em Caetité os empregados trabalhavam com material radioativo sem proteção, ou instrução.
Links:
http://www.justicanostrilhos.org/nota/1241#comment-416796
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/06/1297405-analise-mina-podia-ser-explorada-ate-o-fim-da-sua-vida-util.shtml
http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-brasil,novo-codigo-de-mineracao-nao-vai-afugentar-investidor-diz-lobao,157977,0.htm
E ainda, vale dar uma conferida nessa canção:
http://www.youtube.com/watch?v=2F-ZYs2NlYU#at=455
É preciso coragem, e essa é uma virtude de poucos, menos do que imaginamos. Vivemos tempo de mudança e negar esse fato parece deixar nosso futuro mais nebuloso e nos distanciar da resolução de conflitos.
Estamos nas ruas, cada um com seu pensamento, mas todos nos demos conta de que esse padrão econômico, que guia a política, não está mais nos beneficiando. E o que faz quem está no poder? intensifica o mesmo padrão que estamos questionando, o mesmo padrão insustentável. Pensando que assim proverá estabilidade e segurança, isso é adiará infinitamente as inevitáveis e necessárias mudanças de paradigma.
Vamos falar do que não está sendo muito debatido nos cartazes, o novo código da mineração. Que, pelo que entendi, vem sendo discutido desde 2009 entre empresários e governo (desconsiderando todo movimento popular, e isso no governo do PT). Para que lado imaginamos que a conversa tende?
Com as manifestações nas ruas, invés da lógica ser "ei, pera aí, a população quer participar, quer ser ouvida, clama por justiça", nossa representante pensa:
"Em um momento de tanta turbulência econômica e social, é importante que o Brasil se apresente como uma nação estável -não apenas sob o ponto de vista econômico, mas também político e jurídico, onde os contratos são respeitados, mantendo a ideia de que vale a pena investir."
Minha nossa. E com isso abre urgência na votação do novo código. Sim, afinal quando todos estamos nas ruas clamando por termos nossas necessidades ouvidas e consideradas, nada mais urgente do que se votar o código da mineração! Essa urgência repentina impede movimentos sociais e ONGs (que foram excluídas de todo processo de elaboração) estudem, conheçam, e entendam as entrelinhas do código e se capacitem para propor emendas, elas tiveram 13 dias para isso (de 21 de jun até hoje, 03 de julho), e exatamente os 13 dias de intensa movimentação popular (!)
E o mais interessante, é que as matérias de jornais, que linkei abaixo, dão a entender que o novo código pode prejudicar os mineradores, e deusolivre que eles resolvam partir levando o importantíssimo invetimento que nos dão razão de existir, sem o qual, pobre de nós, nada somos, nada podemos. Na matéria do Estadão tive a sensação de que a atividade será mais taxada, mas que essa alíquota pode ser mudada depois... e que haverá a criação de uma Agência, tipo ANP para "regular" a mineração.
![]() |
| Mineração de urânio em Caetité - BA, fonte de contaminação radioativa. |
Links:
http://www.justicanostrilhos.org/nota/1241#comment-416796
http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/06/1297405-analise-mina-podia-ser-explorada-ate-o-fim-da-sua-vida-util.shtml
http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-brasil,novo-codigo-de-mineracao-nao-vai-afugentar-investidor-diz-lobao,157977,0.htm
E ainda, vale dar uma conferida nessa canção:
http://www.youtube.com/watch?v=2F-ZYs2NlYU#at=455
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