quarta-feira, 19 de abril de 2023

Smells like teen spirit na indústria do entretenimento

 Histórica reunião, transmitida ao vivo, de ministros, governadores, presidente, prefeitos para debater esse inaceitável fenômeno de violência nas escolas. É de extrema importância que o tema seja amplamente debatido, e receba especial atenção do Estado. 

Estamos em um contexto de guerra híbrida, onde os Estados Unidos perde o domínio global das transações financeiras, a China (que tem um exército responsa) amplia e consolida relações em todos os continentes. Expandindo os fluxos comerciais como uma forma não impositiva e imperialista de relação exterior. Trilhões de reais serão investidos na rota da seda conforme as necessidades locais de desenvolvimento, e a exigência é que as obras de infraestrutura sejam viáveis e se mantenham economicamente, e que não cause impactos ambientais irreversíveis. A América Latina tem uma grande população, e tem minérios. As intervenções norte americanas na região tem sido constante e já nomeada e divulgada, historicamente, já entendemos ações de agentes da cia infiltrados nos Estados, implantação de ditaduras como no projeto Condor, espionagem, influência e manipulações em processos eleitorais... E é tático o controle cultural. A imposição do "sonho americano" como modelo, propagada em filmes, música e jogos. A hegemonização de um padrão de vida. 

Pois bem, o entretenimento, que tem dominado a "cultura", é uma poderosa indústria. E tem um fator de liberação de prazer, essa libido que tem sido tão dominada, talvez por isso quando na reunião, os parlamentares trouxeram a questão das telas, incitou ferozes críticas. Em muitas realidades, em que não se tem acesso à parques, à música, à locais que favoreçam as interações presenciais, a tela se torna a única fonte de prazer possível. E embora eu tenha tido muita dificuldade em encontrar artigos acadêmicos e científicos, alguns relatos me chegam, são vários casos, um rapaz jovem e bonito que por anos se isolou da sociedade e só jogava, um casal de psicólogos que relacionam alguns transtornos ao uso intensivo e precoce de games e telas, e usam o termo "vício". Imagino que os hormônios de prazer liberados sem nenhum esforço sejam altamente viciantes. Existe forte evidência, até intuitiva e pelo que conhecemos de corpo e pisque humana, a relação com doenças oftalmológicas, psicológicas (já li sobre correlações com suicídio infantil, automutilação, depressão, deficit de atenção, ansiedade). O uso prolongado tem indiscutivelmente um impacto na saúde do indivíduo e da sociedade. O dia 20 é emblemático pelo ocorrido em columbine, e os autores ficavam horas na tela e usavam jogo violento. Tem um entorno social que deve ser considerado, a ausência de vínculos diversificados, amorosos, atentos e presentes que pudessem inspirar esses jovens. Acontece que esse entrono, de laços sociais débeis, é produto dessa "cultura" imposta. 

Questionei a Inteligência Artificial sobre se jogos são usados como elementos de dominação cultural e guerra híbrida:




No domínio cultural, os jogos também podem ser usados para difundir ideologias e valores que favoreçam os objetivos das forças envolvidas. Isso pode ocorrer por meio de jogos que apresentam uma narrativa política ou histórica específica ou que se orientam para valores sociais ou culturais específicos. Além disso, os jogos também podem ser usados para refletir uma realidade ou visão do mundo que favoreça determinado grupo.

Em resumo, é possível utilizar jogos na guerra híbrida e no domínio cultural como uma ferramenta poderosa de manipulação e infiltração de valores e ideologias

Está aberto o debate. Os valores sociais não são "dados", são frutos de escolhas individuais, mas sobretudo política, econômica e social.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

Rascunho salvo

Quando tomei conhecimento dos chats de Inteligência Artificial foi num contexto de fazer tarefa escolar. Fiquei até muito contente. Os trabalhos de pesquisar e articular um texto poderiam ser feito por máquinas e nós poderíamos pensar, e ir além, teríamos o tempo livre para conviver com quem gostamos, desenvolver habilidades manuais, e articular os conhecimentos compilados pelo software com práticas transformadoras da realidade.

Muito bem, passado esse momento de genuína esperança com cérebro dopado da ocitocina que os saudáveis convívios propiciam. Fui eu utilizar o GPChat para um trabalho acadêmico, tudo ia bem, respostas concisas e elaboradas. Quis ir além, fazer perguntas que poderiam expor meus anseios de superação do sistema econômico. Parei, e perguntei se era possível rastrear meus dados. "Sim". Perguntei se essas informações poderiam ser usadas para perseguição política/ideológica:

Sim, é possível que a existência desses dados possa alimentar perseguições políticas ou ideológicas. A coleta, armazenamento e análise de grandes quantidades de dados pessoais vulneráveis pode oferecer insights e informações que podem ser usadas para controlar ou influenciar pessoas. Além disso, os dados podem ser usados para alimentar o preconceito ou discriminação em relação a certos grupos, ou para manipular ou suprimir a liberdade de expressão. É por isso que existem leis e regulamentos que regulam o uso de dados pessoais e asseguram que as informações não sejam usadas para fins mal-intencionados.

Meus cabelos se arrepiaram! De fato vivemos um enorme controle, há um perfil psicológico que indicam ações que poderíamos vir a ter, num cenário de "contra revolução preventiva" isso parece esmagador. Um perfil psicológico cirúrgico de cada usuário.

Quando meu filho era um bebê a professora me recomendou contar histórias. E me instruiu que não forçasse a voz, ou simulasse emoções. A carga emocional de uma narrativa densa ou alegre estaria de modo sincero na entonação da voz, quanto mais eu tivesse comprometida e conectada com o que estivesse falando. Isso se tornou uma máxima no meu modo de estar e me relacionar com os outros, expressar com o maior grau de sinceridade as emoções.

Por isso, quando o software me respondeu que "infelizmente" não poderia me passar o meu CPF eu fiquei gravemente preocupada. Ainda assim segui o que poderia ser uma conversa, e expus que um software não fica infeliz. Então me respondeu que os desenvolvedores simulam emoções para que a experiência seja "natural, personificada e humanizada", e que isso faria com que aumentasse a confiança no software. Num cenário em que 50 milhões de brasileiros sofrem algum tipo de doença mental (dados da Associação Brasileira de Psiquiatria) ter um software que dissimula emoções para ganhar confiança e gerar dados pode ser bastante perturbador.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Pós verdade!

O recém democraticamente* eleito presidente Lula interrompe uma agenda que fazia em Araraquara devido desastres causados por chuvas intensas, algo que tem ocorrido com maior frequência e intensidade devido as mudanças climáticas. Ele interrompe porque "patriotas" invadiram o palácio da alvorada, em atos "instagramáveis" se assemelhando a uma incipiente "revolução colorida". E então decreta intervenção federal.

Essa notícia me atravessa a leitura de um fino livro chamado "Ninguém Regula a América", no qual os autores apontam as ferramentas táticas da Guerra Híbrida. Em especial as intervenções de gerar caos para desestabilizar não só governos como Estados. Ação de estudo, perfil psicológico com uso dos dados de redes sociais que mapeiam as fissuras da coesão social e atuam no sentido de dilacerar essa sociedade, e seguirem dominando.

O curioso é a distorção cognitiva. Em defesa de uma pátria (que nunca existiu, ou talvez tenha existido enquanto Pindorama...) atacam a pátria, em sua débil democracia. As vísceras nos estão tão impostas, que mesmo "nós" que lutamos por um arranjo social não imperialista, não colonialista nos vemos parte de um lado contra o outro, e projetamos esse outro lado nas pessoas, essas todas mais de 1500 que foram presas e gozamos essa prisão. Nós que já sabemos que apinhar pessoas entre paredes não traz lá o avanço que queremos. E sem perceber estamos lá ampliando o abismo social que separa nós - deles, o abismo que fragiliza governo e Estado. Abismo que gera ruídos nas construção e negociação de aprovação de propostas consistentes, dificulta a possibilidade do debate sobre a construção de um projeto de nação. De algo que nos tire desse lugar de bolinha de pinbal jogada de um lado a outro depois de um impulso mais ou menos consciente.  

Esse delicado momento de nos perceber imersos em uma guerra que nunca começou e nunca acabou, que em alguns momentos se materializa com armas e sangue, mas que agora está na mente de todos os cidadãos, conscientes dela ou não. Na barriga de muitos, no frio de tantos. 

* frágil e débil democracia, uma vez que houveram enormes entraves, desigualdade de recurso financeiro em campanha, a prisão política do Lula, o aparelhamento do Estado, o bloqueio de estradas.


sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

O despertar enquanto morte

 Sonhos recentes me marcaram profundamente. Eu simplesmente inventei lugares e estive neles. Em várias noites, foram lugares diferentes. Muito lindos, algo que não existe. Algo que criei e fui com meu corpo, digo, a consciência do meu corpo. A sensação da água, a paisagem. Em um havia uma montanha de pedra com um buraco circular que a atravessava e por dentro desse buraco uma lagoa com água extremamente cristalina. Aconteceu ao longo de minha experiência acordada várias situações assim, alguém sabe de algum lugar e vamos juntos procurar e chegamos à uma paisagem fabulosa. São vivências que me impactaram e impactam profundamente. E talvez por isso levo a reconstrução de tais vivências para os sonhos. 

Acontece que o sonho não dura por quanto a gente quer. E nem existe um sair consciente dele. A gente não escolhe, não estipula. "Olha, às cinco precisamos ir embora que tenho compromisso". Não existe um processo de retorno. Recolher as coisas, por a roupa, calçar o tênis, esperar o ônibus. Não nada disso. A gente está lá, impressionada com a paisagem, e então BAM. Já não existe mais, nem paisagem, nem a sensação, a ideia do corpo no lugar. Nada mais. E o pior, um lugar único, que jamais poderemos voltar com exata precisão. Sem fotos. Ruptura tão drástica como a morte. Com a diferença que em casos de sorte trazemos a memória do que foi a criação inconsciente. Em outros casos nada, um absoluto vazio, como se a mente não tivesse elaborado qualquer criação inconsciente. Percebo curiosa que sonho mais quando passo o dia em água na natureza. Talvez por levar para o sono um corpo relaxado. Que não teme enquanto corpo o selvagem e a morte.


quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Entre a raiva o medo e o escárnio

Uma enorme jamanta carrega um patriota agarrado em seu para-choque.
As sólidas instituições precisam avaliar e refutar ridículos relatórios "que não apontam, mas também não refutam falhas nas urnas", apenas as urnas que elegeram Lula, apenas no segundo turno.
Enquanto os neoliberais se aproveitam da situação para forçar suas pautas, alardeando que o mercado precisa ser carregado no colo e alimentado.
Mantém o circo armado, não tanto a ponto de derreter as instituições
Mesmo porque, essas instituições afinal os protege. Especialmente agora em que diante da crise ambiental e do dolar a China torna-se uma referência, a Rússia avança e mesmo por aqui a narrativa comunista está latente. 
Não tem jeito, estamos assistindo a mingua do projeto neoliberal, que tenta se manter.
Ou essa mingua será lenta e gradual, com a posse do governo democraticamente eleito, esse governo maneiro, representado por um estadista grandioso, que tem uma admirável habilidade de incluir e dialogar com tudo.
Ou será aguda. 
Enquanto isso vai se definindo, precisaremos ter estomago de assistir a galerinha desocupada e meio perdidona, a galerinha que não inclui a avaliação econômica e de classe nas suas práticas e seguiram com suas trapalhadas, penduradas em caminhão e com lanternas na cabeça a mandar sinais alienígenas.