quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Pós verdade!

O recém democraticamente* eleito presidente Lula interrompe uma agenda que fazia em Araraquara devido desastres causados por chuvas intensas, algo que tem ocorrido com maior frequência e intensidade devido as mudanças climáticas. Ele interrompe porque "patriotas" invadiram o palácio da alvorada, em atos "instagramáveis" se assemelhando a uma incipiente "revolução colorida". E então decreta intervenção federal.

Essa notícia me atravessa a leitura de um fino livro chamado "Ninguém Regula a América", no qual os autores apontam as ferramentas táticas da Guerra Híbrida. Em especial as intervenções de gerar caos para desestabilizar não só governos como Estados. Ação de estudo, perfil psicológico com uso dos dados de redes sociais que mapeiam as fissuras da coesão social e atuam no sentido de dilacerar essa sociedade, e seguirem dominando.

O curioso é a distorção cognitiva. Em defesa de uma pátria (que nunca existiu, ou talvez tenha existido enquanto Pindorama...) atacam a pátria, em sua débil democracia. As vísceras nos estão tão impostas, que mesmo "nós" que lutamos por um arranjo social não imperialista, não colonialista nos vemos parte de um lado contra o outro, e projetamos esse outro lado nas pessoas, essas todas mais de 1500 que foram presas e gozamos essa prisão. Nós que já sabemos que apinhar pessoas entre paredes não traz lá o avanço que queremos. E sem perceber estamos lá ampliando o abismo social que separa nós - deles, o abismo que fragiliza governo e Estado. Abismo que gera ruídos nas construção e negociação de aprovação de propostas consistentes, dificulta a possibilidade do debate sobre a construção de um projeto de nação. De algo que nos tire desse lugar de bolinha de pinbal jogada de um lado a outro depois de um impulso mais ou menos consciente.  

Esse delicado momento de nos perceber imersos em uma guerra que nunca começou e nunca acabou, que em alguns momentos se materializa com armas e sangue, mas que agora está na mente de todos os cidadãos, conscientes dela ou não. Na barriga de muitos, no frio de tantos. 

* frágil e débil democracia, uma vez que houveram enormes entraves, desigualdade de recurso financeiro em campanha, a prisão política do Lula, o aparelhamento do Estado, o bloqueio de estradas.


sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

O despertar enquanto morte

 Sonhos recentes me marcaram profundamente. Eu simplesmente inventei lugares e estive neles. Em várias noites, foram lugares diferentes. Muito lindos, algo que não existe. Algo que criei e fui com meu corpo, digo, a consciência do meu corpo. A sensação da água, a paisagem. Em um havia uma montanha de pedra com um buraco circular que a atravessava e por dentro desse buraco uma lagoa com água extremamente cristalina. Aconteceu ao longo de minha experiência acordada várias situações assim, alguém sabe de algum lugar e vamos juntos procurar e chegamos à uma paisagem fabulosa. São vivências que me impactaram e impactam profundamente. E talvez por isso levo a reconstrução de tais vivências para os sonhos. 

Acontece que o sonho não dura por quanto a gente quer. E nem existe um sair consciente dele. A gente não escolhe, não estipula. "Olha, às cinco precisamos ir embora que tenho compromisso". Não existe um processo de retorno. Recolher as coisas, por a roupa, calçar o tênis, esperar o ônibus. Não nada disso. A gente está lá, impressionada com a paisagem, e então BAM. Já não existe mais, nem paisagem, nem a sensação, a ideia do corpo no lugar. Nada mais. E o pior, um lugar único, que jamais poderemos voltar com exata precisão. Sem fotos. Ruptura tão drástica como a morte. Com a diferença que em casos de sorte trazemos a memória do que foi a criação inconsciente. Em outros casos nada, um absoluto vazio, como se a mente não tivesse elaborado qualquer criação inconsciente. Percebo curiosa que sonho mais quando passo o dia em água na natureza. Talvez por levar para o sono um corpo relaxado. Que não teme enquanto corpo o selvagem e a morte.


quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Entre a raiva o medo e o escárnio

Uma enorme jamanta carrega um patriota agarrado em seu para-choque.
As sólidas instituições precisam avaliar e refutar ridículos relatórios "que não apontam, mas também não refutam falhas nas urnas", apenas as urnas que elegeram Lula, apenas no segundo turno.
Enquanto os neoliberais se aproveitam da situação para forçar suas pautas, alardeando que o mercado precisa ser carregado no colo e alimentado.
Mantém o circo armado, não tanto a ponto de derreter as instituições
Mesmo porque, essas instituições afinal os protege. Especialmente agora em que diante da crise ambiental e do dolar a China torna-se uma referência, a Rússia avança e mesmo por aqui a narrativa comunista está latente. 
Não tem jeito, estamos assistindo a mingua do projeto neoliberal, que tenta se manter.
Ou essa mingua será lenta e gradual, com a posse do governo democraticamente eleito, esse governo maneiro, representado por um estadista grandioso, que tem uma admirável habilidade de incluir e dialogar com tudo.
Ou será aguda. 
Enquanto isso vai se definindo, precisaremos ter estomago de assistir a galerinha desocupada e meio perdidona, a galerinha que não inclui a avaliação econômica e de classe nas suas práticas e seguiram com suas trapalhadas, penduradas em caminhão e com lanternas na cabeça a mandar sinais alienígenas. 

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Bandido bom e narrativa morta

 


Assistimos ao derretimento de uma narrativa delirante! A torcida organizada da gaviões da fiel desceu o morro e veio abrir as estradas, caminhões com medicamento e alimento já seguem seu rumo, para a PM entregaram as chaves das motos e pertences que alguns bolsonaristas desesperados deixaram para traz.

Aquela velha, velha estratégia de distorcer e criar fatos na tentativa de gerar ódio aos que defendem e lutam pelos interesses populares e sustentar falsos heróis está AGORA fracassando! Um grande fracasso do fascismo. O que é muito, muito melhor do que simplesmente ganhar uma eleição. A agudização das ações fascistas desesperadas expõe a verdade. E caso eles sigam insistindo e esperneando exporá ainda mais, ficará evidente quem está envolvido nas tramóias, chefe de Polícia Rodoviária Federal, juíz, capitalista... Usam o racismo, o ranço do ódio e medo anticomunista, chorume de um antiga campanha que se enraizou no imaginário de quem sonha ser opressor, usam isso para defender seus próprios interesses individuais, pequenos e mesquinhos. Pequeno e mesquinho como é o espírito deles. 

Num arroubo de jogarem o tudo ou nada podem perder tudo. O aparelhamento ideológico, é crescente o número de evangélicos que criticam, que se afastam dos cultos por perceberem a discrepância entre o discurso e o exemplo do Cristo revolucionário, o circo de nosso tempo, o futebol desce do morro organizado em defesa da democracia, a PM está rachada, não é composta exclusivamente de corruptos que defendem cegamente ao "capitão sujeira", a mídia abandonou o barco fascista (disfarçado de antipetismo), houveram denuncias de compra de votos com uso de programas de benefício social (evidenciando a importância de politizar os benecifiários). Estamos assistindo a ruína de uma longa e perversa estratégia de dominação. Que caia! 

E que caia e que morra a ideia antiga de dominar! Que fiquem as pessoas, humanas. Para ver o sol raiar.

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Quando não se tem nada a oferecer

 Hoje a notícia foi "a Mercedes saiu da Rússia". E eu gargalhei imaginando a duplinha EUA/Europa comendo junk food em carros luxuosos. Na foto o Putin escrevia algo sobre um capô e gostei de imaginar que fosse "beijo, tchau" assim bem debochado. 

A cada sanção fica nítido e evidente que o capitalismo ocidental tem pouco, muito pouco a oferecer. E atua numa lógica burra de punição. Foi assim com o gás, gente, para punir a Rússia a Alemanha ficou sem a possibilidade de fonte de energia. É como se nos fizessem crer que ter energia no território fosse uma lástima e não uma dádiva. Lembro um vídeo muito impactante da mulher falando as riquezas da África e que estariam muito dispostos à compartilhar, fonte de diamante tudo, mas a tática colonizadora européia foi depreciar, desestabilizar e saquear.  

A Mercedes, Mac Donald´s e qualquer corporação inútil dessa sair da Rússia é um favor que faz. E evidência como são frágeis essas corporações frente à uma nação. Elas se infiltram no governo, é monsanto usando ruralista pra fazer lobby no governo brasileiro, mas só trazem caos e não tem um poder real, porque o que elas vendem é falso e ilusório.

As nuvens se foram, finalmente o sol voltou a brilhar e ontem vi estrelas no céu!