sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

PIB vs FIB

Tive há alguns dias a oportunidade de saber a história do Butão! É uma história fantástica, que se aproxima de um conto de fadas, tem montanha, rio, castelo, rei, e lição moral. Preparem-se...

Depois da 2ª guerra mundial a Europa estava um cacareco, elaborou-se então planos visando sua recuperação (Plano Marshall), como todo bom plano necessita de avaliação, adotou-se a soma (em valores monetários) de todos os bens e serviços num determinado período como medida de avaliação (o famoso PIB), números "graficáveis" de fácil visualização, quanto maior melhor, sem ter que pensar muito. A ideia era tão simples e tentadora que agradou muito, e mesmo depois de a Europa recuperada e mesmo fora dela o PIB tornou-se motivo de obsessão e passou a guiar todas as tomadas de decisão, em grande, pequena e média escala, salvo raríssimas excessões. Simplificando bastante as coisas, basta decidir por números, as políticas passaram valorizar iniciativas que gerassem lucro, tudo muito óbvio e poucas críticas, era o pensamento vigente, as pessoas optavam por ocupações mais rentáveis (monetariamente falando). Houve ranking de PIBs, para se saber em que país investir. E... um dos piores PIBs foi o do Butão, que ficou imediatamente caracterizado como um país miserável.
Um país miserável (imagem) com uma paisagem exuberantemente preservada, montanhas fantásticas, rios belíssimos, sua população dispõe de educação de qualidade, com práticas espotivas, sem desigualdade social, eles são dotados de valores éticos, morais e espirituais elevados, e se consideram muito felizes, apesar de "miseráveis". Estranhando essa contradição o, então rei do Butão, Jigme Singye Wangchuk pensou, meditou, estudou, consultou, deve ter ouvido o discurso do J. Kennedy de 1.968:

"Nosso Produto Interno Bruto, agora, é de mais de US$ 800 bilhões de dólares por ano. Mas nesse PIB estão contidos a poluição do ar, comerciais e publicidade de cigarro, e ambulâncias para limpar nossas carnificinas. Inclui fechaduras especiais para nossas portas e prisões para as pessoas as quebram. Ele inclui a destruição de sequoias e a perda da nossa maravilha natural em expansão caótica. Inclui a bomba napalm e ogivas nucleares e carros blindados da polícia para combater os tumultos em nossas cidades. Inclui rifles Whitman e facas Speck, e os programas de televisão que glorificam a violência para vender brinquedos para nossas crianças. No entanto, o produto nacional bruto não garante a saúde de nossas crianças, a qualidade da sua educação ou a alegria de seu jogo. Não inclui a beleza de nossa poesia ou a força do nosso casamento, a inteligência do nosso debate público ou a integridade dos nossos governantes. Ele não mede nossa inteligência nem nossa coragem, nossa sabedoria, a nossa aprendizagem, nossa compaixão, nossa devoção ao nosso país. Ele mede tudo, em suma, exceto aquilo que faz a vida valer a pena. E ele pode nos dizer tudo sobre a América, exceto o motivo pelo qual temos orgulho de ser americanos"

e depois de pensar mais um pouco, o rei de nossa história, chegou a brilhante conclusão: não é o país que está mal, é o índice! E decidido a resolver o problema, passou a estudar outra forma de avaliar o desenvolvimento de seu reino. Foi em 1972 que, com apoio da população, fieis conselheiros e algo que vai além de nossa compreensão, instituiu o FIB - Índice de Felicidade Bruta.

Nessa época os demais países, no alto de seu importantíssimo PIB, talvez tenham desdenhado a nova ideia, muitos devem ter dito "isso não faz o menor sentido, felicidade não se mede", e continuaram obcecados em acumular riquezas e aumentar seu PIB, mais e mais. Algumas pessoas devem ter sido simpáticas a nova ideia, destas, umas podem ter sido taxadas de loucas de maneira tão insistente que preferiram abandonar de vez o modo "civilizado" de viver, e são muitas vezes ridicularizadas, outras apesar de continuarem no mundo do PIB continuaram vislumbrando a possibilidade de um FIB, e seguiram estudando, e pensando, esperando o dia em que poderiam ser ouvidas.

As coisas parecem estar mudando. Não digo isso apenas por conhecer dezenas de pessoas fartas desse sistema, e outras dezenas que preferem não pensar, pois tem algum preconceito contra quem questiona "o sistema", ou porque intimamente o assassinato de grandes almas (Kennedy e Gandhi) as tenham feito temer aspirar um novo mundo. Digo isso porque a limitação da capacidade de suporte do planeta já é notável para todos, e consequentemente uma mudança que nos trone mais sustentáveis é inevitável, e isso implica em uma revisão de valores. E digo principalmente porque ao longo dessas décadas em que travamos uma missão rumo ao aumento do PIB não diminuímos, significativamente, a pobreza ou a desigualdade social, enquanto os butaneses desfrutam décadas de aprimoramento pessoal, e passaram a inspirar uma crescente legião de teimosos que não estão satisfeitos e querem, ainda que piegas, um mundo melhor!

Fontes: http://www.felicidadeinternabruta.org.br/
http://felicidadeinternabruta.blogspot.com.br/
http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/noticia/2012/03/adotado-no-butao-indice-de-felicidade-interna-bruta-fib-ajuda-na-busca-por-um-novo-modelo-de-avaliacao-3685204.html
http://www.correiodosacores.net/view.php?id=1544
http://www.olhardireto.com.br/noticias/exibir.asp?id=215205

Um comentário:

  1. "Brasil terá seu primeiro índice de bem estar e felicidade até dezembro (2013)

    A ideia de criar o primeiro indicador para medir a felicidade e o bem-estar do brasileiro foi anunciada nesta quarta-feira (13) pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), pela ONG Movimento Mais Feliz e pelo aplicativo de celular MyFunCity, que avalia a qualidade de cidades a partir de indicadores como trânsito, segurança, meio ambiente, saúde e educação. Os resultados da pesquisa devem ser divulgados até dezembro.

    As entidades lançaram um site para coleta de dados que vão dar origem ao Well Being Brazil (WBB), ou Índice de Bem-Estar Brasil. Segundo os autores, a novidade vai levar em conta as necessidades, os desejos e as diferenças de cada região do país.

    O indicador deve considerar os dados fornecidos pela população sobre temas como clima, atividades ao ar livre, transporte e mobilidade, família, redes de relacionamento, profissão e dinheiro, governo, saúde, educação, segurança e consumo. O questionário poderá ser respondido a partir do dia 2 de abril.

    A formulação desse índice deve contar, ainda, com a colaboração de pesquisadores brasileiros e do exterior, além de empresas e movimentos sociais.

    A primeira fase incluirá a reunião de dados de pessoas de todas as classes sociais e regiões. Depois, serão feitas audiências públicas em dez cidades para divulgar as informações e reunir sugestões e críticas. Na terceira etapa, por fim, haverá a conclusão e apresentação do primeiro indicador.

    Com o WBB, a FGV e o Movimento Mais Feliz esperam favorecer a construção de políticas públicas e negócios ligados à promoção do bem-estar. Além disso, o objetivo é fazer com que as pessoas conheçam seu nível de satisfação com o governo sobre suas condições de vida."

    link: http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2013/03/14/92340-brasil-tera-primeiro-indicador-de-bem-estar-e-felicidade-ate-dezembro.html

    ResponderExcluir

Nos eduquemos juntos.