quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O que aconteceu com o mundo?



Quando foi que se mudaram os conceitos de felicidade? E ninguém me avisou.
Parece piegas, mas realmente, eu vejo, o objetivo não é a felicidade, a plenitude, nem de longe. Ascenção profissional e econômica é o que importa, a qualquer custo.

Eu já desconfiava disso, mas não achava que era realmente sério, fui fazer o curso que gostava, sem ligar a mínima se teria lugar no mercado de trabalho, eu realmente não me importei com isso, por esse motivo não pestanejei em prestar pra oceanografia (logia seria o mais correto). E eu insisti, fiz dois anos de cursinho, para me meter numa cidadezinha fria, no fim do país. Porque eu sabia, não seria feliz num curso de administração, mesmo gostando de números e, provavelmente (analisando pela minha administração pessoal) sendo boa na coisa.

Claro, no meio do caminho tive crises, me perdi mesmo, e fiquei futucando meios de me tornar milionária dentro da profissão. E no fim, voltei a minha essência (não sem a ajuda do meu fiel companheiro) e percebi que não quero ser milionária, não quero o que não preciso, e não preciso ser milionária. Não preciso de empregadas, cozinheiras e babás, carros carésimos (muito embora, seria mais fácil dirigir). Isso me afastaria do imenso prazer que sinto ao andar descalça, acampar no mato. E eu não quero perder esse prazer, por mais legal que seja passear de iate, eu prefiro velejar.

Não via problema nenhum em desejar simplicidade, porém, percebi que tenho vergonha. Não me sinto a vontade em dizer isso pras pessoas, pra nenhuma delas. As mulheres que eu mais admiro (minha irmã e a Márcia, ela não gosta da palavra sogra) não suportariam ouvir isso, mesmo minha mãe não me daria permissão para querer uma coisa dessas, ela, que é a pessoa mais simples que eu conheço, quando se trata do futuro dos filhos se mostra um megalomaníaca de primeira.

Minhas amigas de curso (lembre-se oceanologia-grafia) querem se dar bem, claro, financeiramente. “Eu não me importo de continuar no Brasil, contanto que ganhe bem”, dizia uma, e eu, o que eu vou dizer? “Eu quero ir trabalhar de bicicleta!”, você consegue imaginar qual seria a reação? Eu preferi não dizer nada, é realmente muito chato ver seu sonho virar piada.

E mais chato ainda ver disseminado um conceito no qual eu não me encaixo e nem tão pouco concordo. Acordem, as pessoas não são o que elas tem, não olhem de cima pra baixo, quem não tem ambição econômica não é um perdedor, não é um medroso, é simplesmente uma pessoa que pensa diferente da massa e que almeja uma coisa diferente, apenas isso. É um homossexual da economia.

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