quinta-feira, 20 de junho de 2013

Da Copa eu abro mão

Esse momento político me deixa num êxtase que ando incapaz de elaborar qualquer texto. Meus nervos a flor da pele me levam a ler avidamente tudo o que está ocorrendo, e um turbilhão de pensamentos e sentimentos me envolvem, fazendo com que consiga no máximo participar de alguns comentários no face, e muuuuitas conversas pessoais!

Hoje haverá manifestação em Rio Grande com mais de 9.000 pessoas confirmadas pelo face. A cada minuto eu pensava em algo para escrever num cartaz. E confesso que passou de relance pela minha cabeça atear fogo na loja de um comerciante que monopoliza os aluguéis da cidade, com valores elevadíssimos e não dá nenhuma contra-partida. Calma, eu me acalmei e conclui que seria uma atitude totalmente estúpida. Enfim, acho que a marcha pacífica já é um grande ato por si. E conclui um cartaz assim:

"É tanta coisa que não cabe no cartaz"

Pois é exatamente isso. Alguns reclamam, essas reivindicações estão muito genéricas, é preciso pauta, e método científico para se alcançar qualquer resultado. Mas o que podemos fazer? As reivindicações pontuais que vem ocorrendo a décadas são sistematicamente ignoradas e abafadas? Sinto muito, mas se nossa indignação se acumulou, nada a fazer. Afinal é por isso que juntamos tantas pessoas, está tudo uma bagunça, em todas as instâncias governamentais pode-se achar sujeira. Começa no nosso pequeno universo universitário, que deveria ser um local público de intelectuais, na realidade é em alguns cursos um RH profissionalizante para empresas estrangeiras, zero capacitação para abrir e gerir empresas próprias (que aliás são supertaxadas, ao passo que megaempresas de capital estrangeiro são recebidas com tapete vermelho, e não é pela geração de empregos), zero inovação, quem não sabe de algum caso de concurso duvidoso?!

Putz grila, eu tinha vindo aqui falar da Copa. Mas, é tanta coisa...

Ok, vejam o que acabei de ler na Lei Geral da Copa, sim, foi aprovada ano passado e sim eu só li agora, e era de se esperar, afinal estava muito ocupada tentando evitar que mais pessoas morressem atropeladas na nossas estradas (que apresentam uma linda média de mais de um por mês, mas não se preocupe, a arrecadação da ECOSUL está ok, a empresa está dando lucro, é o que importa, e olha que linda, tem funcionário que ganha mais de 800 reais ao mês! yuhull). Enfim, observem o seguinte trecho:

Art. 37. É concedido aos jogadores, titulares ou reservas das seleções brasileiras
campeãs das copas mundiais masculinas da Fifa nos anos de 1958, 1962 e 1970:
I – prêmio em dinheiro; e
II – auxílio especial mensal para jogadores sem recursos ou com recursos limitados.
Art. 38. O prêmio será pago, uma única vez, no valor fixo de R$ 100.000,00 (cem mil reais) ao jogador.
Art. 39. Na ocorrência de óbito do jogador, os sucessores previstos na lei civil, indicados em alvará judicial expedido a requerimento dos interessados, independentemente de inventário ou arrolamento, poder-se-ão habilitar para receber os valores proporcionais a sua cota-parte.
Art. 40. Compete ao Ministério do Esporte proceder ao pagamento do prêmio.
Art. 41. O prêmio de que trata esta lei não é sujeito ao pagamento de Imposto de Renda ou contribuição previdenciária.

Calma aí, vamos ver se eu entendi, minha ignorância futebolística é espantosa, mas me parece que são 11 titulares e 11 reservas, 22 x 3 = 66. temos 6.600.000 reais de "prêmio", fora o tal auxílio mensal. e com o detalhe, livre de imposto...
A lei e repleta de motivos para indignação, responsabiliza a União contra danos à copa (das confederações e do mundo) e isenta a Fifa de despesas judiciais. Isso são apenas os artigos que a Procuradoria Geral da República questionou (só agora que o bicho tá pegando). Mas tem aqueles ainda, lembra que o pessoal da
Bahia reclamou por causa do acarajé?! O artigo continua na lei, dando exclusividade para a fifa num raio de 2 Km dos locais do evento...

Novamente, só sobre essa copa é tanto para se reclamar que num cabe nem no post, o que dirá no meu cartaz. E não "senso comum acrítico", não questionem "se já sabiam disso, pq só agora se manifestaram" pq não foi só agora! Deveriam se questionar "pq só agora a mídia não conseguiu abafar?". e eu respondo, pq as reivindicações transbordaram e se juntaram, afinal no fundo é uma coisa só: que o estado exerça sua função de regular o privado beneficiando o público, não o oposto.

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