sexta-feira, 28 de junho de 2013

Emancipação

A corrupção é de fato um dos piores mal do Brasil. Medidas desesperadas estão sendo tomadas para tentar barrá-la e fazer com que as migalhas cheguem em maior volume ao público. Mas, será mesmo que leis são capazes de mudar esse cenário? Será mesmo que verbas oriundas do petróleo são capazes de nos dar a tão pedida educação?

Num primeiro momento acreditei que sim. Mas fiquei pensando como seria a materialização desse repasse de verbas. Me lembrei da guria que fez uma página no face "diário de classe" que expunha o total descaso da administradora do colégio, dinheiro até tinha, o que não tinha era uma administração competente. Acho que são professores que administram escolas. Mas, como podemos deixar tal função para o licenciado em história por ser mais simpático e "informado"?!

Ao ler o texto Ao povo na rua, dinheiro me dei conta de que nossa educação já é falha por depender financeiramente do estado, e assim, servir inevitavelmente para reprodução dos seus interesses. Agora iremos, nas escolas, trabalhar para o interesse do estado e petrobrás. Aumentando a dependência dessa.

Mobilidade urbana idem. Estamos caminhado para aumentar a dependência da população pelo estado, e desse pelas grandes corporações. Oras, para mim isso é mais importante de se combater do que a corrupção. Essa "escravidão moderna" é que nos está saturando de verdade. Não o capital por si só, ou a corrupção do estado, mas nossa dependência (crescente) desses.

Seria necessário medidas emancipatórias. Você conhece algum pequeno empresário? Te digo, são verdadeiros heróis. No Brasil não há espaço para inovação, a alternativa mais fácil é se vender de assalariado para uma megacorporação, essa sim, tem facilidades de imposto, influência no estado, fazem e acontecem. Aí está o problema, aí nasce o corruptor que exatamente nesse instante está com um sorriso faceiro e vitorioso, não ter que pagar propina vai aliviar bastante seus gastos! E nós, população e estado, estamos caindo numa enorme cilada.
Medidas disfarçadas que no fundo só visam lucro monetário de pucos.

liberdade É certo e inegável que a corrupção é algo inaceitável. Mas, talvez tenha que ser combatida na causa, na raiz. No corruptor. Meu irmão tentou algumas vezes ser empresário, a primeira foi com uma empresa de ploter. Ele mal tinha dinheiro para pagar as máquinas, certamente não teria tanto dinheiro para corromper ninguém, de modo a ganhar uma licitação (como lhe foi proposto). Empresários locais, tendem a se interessar mais pelo desenvolvimento de sua cidade. Eles podem fazer empresas em sua própria residência. Isso significa muita coisa, uma das pautas das manifestações e do descontentamento geral é mobilidade urbana, isso porque os empregos estão centralizados e a população mais carente "periferizada", criando "pólos" de emprego, pequenas empresas domiciliares, isso diminui. Mas, então, talvez nosso foco tenha que ser a política do BNDES. Ou o modo de educação, que atualmente é voltado para reprodução do que está dado, inclusive na universidade. Quase não existe outra alternativa que não a de ter carteira assinada. Estamos todos a disposição da iniciativa privada de megacorporações.
Com falta de opção a única saída é vender-se.
igualdade O mesmo com os latifúndios. Caramba! Isso é um antro de corrupção, a bancada dos ruralistas. Essa concentração de terras beira o absurdo. Os impostos deveriam crescer exponencialmente. Não só sobre terras como sobre patrimônio. Se isso iria impedir o progresso tecnológico, eu acredito que não, mas as grandes empresas seriam mais parecidas com cooperativas e associações. Isso já existe, embora seja estrategicamente abafado, desincentivado e jogado pra segundo plano. Com uma educação voltada para a criação, cooperação, inovação, nuossa, aí sim, seria potencializar o que já existe de bom no ser humano.

fraternidade Atualmente parece que temos que fazer um esforço sobre-humano para mantermos nossas virtudes. Às vezes eu me vejo fazendo de tudo para me agarrar na pureza, na humildade, em reconhecer um irmão no ser humano ao lado, e me puxa pela perna com muita força, a ganância, o individualismo, a pressão para desconfiar no malandro ao lado, eu tenho que estar sempre muito atenta para identificar e combater essas tendências... Será que não devia ser o oposto? Os que tem essa tendência gananciosa, opressora, autoritária e individualista que deveriam se sentir socialmente pressionados a mudar? Pode soar meio moralista, talvez seja, minha ignorância sobre moral me leva a defender esses valores, mas não um moralismo conservador (eu acho), um moralismo que harmonize nossa vida social. E ao que me parece, solidariedade e humildade ajudam e muito no convívio social.

Minha alusão aos valores defendidos na revolução francesa não é uma tentativa de reproduzi-la, de importá-la. Até porque nem seria possível. Mas subir mais um degrau. De lá (tempo e lugar) pra cá muita coisa mudou, mesmo nosso entendimento de liberdade, igualdade e fraternidade. A aplicação desses conceitos continua bastante falha e incômoda. Acho que é esse incômodo que nos levou às ruas, pelo menos a mim. Ainda mais se contextualizarmos, com a crise na Europa, isso é, eles investiram na educação, mas nem por isso estão prósperos e felizes. Queremos abolição da escravidão moderna. Queremos a educação e trabalho libertários e emancipatórios, que dificilmente será comprada com dinheiro de petróleo.

Um dos homens mais revolucionários na minha opinião foi Gandhi. Ele trabalhou incessantemente pela emancipação da Índia, pois viu como a única forma de libertá-la da insistente opressão inglesa. As medidas adotadas por ele foram várias e que enfrentavam o governo, que defendia o interesse inglês. Usou da desobediência civil, ao usar sal marinho e assim não pagar o imposto obrigatório para o governo. Ficava horas fiando sua própria roupa, e difundia essa ideia, para libertar as pessoas de terem que pagar os preços absurdos por tecidos ingleses...
 
Emancipação

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