segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Geração Perdida

Nossa geração já tem um apelido! Que gracioso, somos denominados de "geração perdida", o perdida aqui no sentido de desperdiçada, menos mal.

É que, temos talento, desenvoltura e muito estudo, só não temos emprego, o Mercado de Trabalho está nos desperdiçando. E para alguns isso significa que nós não temos nada. A situação é tão caótica que 50% dos jovens (entre 20 e 30 anos) estão sem emprego na Espanha. O que é uma característica de todos os países, uma vez que a geração anterior está toda empregada pelos próximos 30 anos, e no Brasil somos em maior número, e ainda tem o desenvolvimento tecnológico, isso é temos menos vaga, mais máquina e mais gente... Isso para mim beira o maravilhoso (tentarei explicar melhor), mas nem todos os meus companheiros de jornada pensam assim. No link, que me lembrarei de por abaixo, vocês poderão ver uma das declarações que mais me chocou, a jovem diz que estudou, se esforçou, aprimorou e não está empregada, concluindo que isso tudo foi feito "para nada".

É bem verdade que nos venderam o estudo universitário como um passaporte da alegria para o Mercado de Trabalho, que por tanto tempo guiou nossas vidas e condutas. Eu estou nessa situação, fiquei extremamente frustrada de não entrar no Mercado de Trabalho (MT) tão logo consegui meu diploma, e o pior foi notar que nem sequer abriam vagas (todas exigiam experiência), e todos os meus colegas enfrentam a mesma situação, quer dizer que o problema não é minha falta de competência. Isso de início assusta, parece que não terei futuro, que não conquistarei uma vida digna, que não valho para nada, e que o estudo foi um tempo perdido... Mas agora, um tantinho mais madura, vejo com outros olhos!

Eu tive uma ótima oportunidade de escolher o meu curso de acordo com meu interesse, amei cada ano e cada fantástica descoberta sobre os oceanos. Agora estou fazendo mestrado, continuo aprimorando meu conhecimento e com tempo de me preocupar com minha conduta moral, aprimorar o meu caráter, cultivar um relacionamento saudável com os seres divinos que me rodeiam.  Consigo tempo, conversa e subsídio para formar um olhar crítico a respeito da sociedade e meu lugar nesta. Vocês conseguem acompanhar que maravilhosa oportunidade essa "geração perdida" está tendo? Na minha opinião, hoje está rolando uma revolução, profunda. Temos uma imensa liberdade, não precisamos (na marra) depender, nos vender, para o MT, podemos nos dedicar a construir um mundo melhor. Existem diversos subsídios para fomentar projetos de cunho socioambiental. Basicamente, o que vejo é um planeta implorando (isso é, dando todos os motivos e meios) para que nós não tentemos ser uma nova versão do velho. Temos que ser diferente, temos que parar de nos preocupar com o micro, com o nosso umbigo, com nossa família (de sangue) que ainda nem existe. Passar num concurso público visando apenas dar educação, conforto e todas as condições necessárias para o desenvolvimento de nossos filhos, já foi feito por nossos pais. Nós somos os filhos, e não recebemos tudo isso só para termos outros filhos e assim por diante, e diante, e diante... O que vamos fazer com todo suporte que nos foi dado e oferecido?



Bom, eu sugiro que você pense, reflita e encontre sua própria resposta. A meu turno eu estou realizando uma verdadeira revolução mental. Estou me livrando da dependência do MT, da busca pelo capital, cheguei bem a conclusão de que preciso muito mais de uma horta emancipatória do que de um carro zero, conclui que preciso fortificar o meu caráter e minha moral muito mais do que aprimorar o inglês. Que preciso buscar o bem-estar dos que me rodeiam, no meu bairro e cidade, do que o topo de uma carreira. Conclui que olhar nos olhos do catador de latinha e conversar com ele me satisfaz mais do que comprar uma bolsa de incríveis 200, 300 reais (quanto vale hoje uma bolsa com status? eu já nem consigo acompanhar esse conceito.).
Muitas pessoas que conheço chegaram a conclusão diferente, concluíram que seus pais alcançaram um nível social e cabe a elas subir para o próximo. Eu não sei bem onde essas pessoas querem chegar, e porque fazem isso, talvez elas desejem muito, muito, muito ter um iate, mas o que eu sei é que preciso respeitar essa decisão, se elas se sentem satisfeitas dessa forma isso é ótimo, se possuem um lugar no MT para se dedicarem em tempo integral, afim de satisfazer suas necessidades, isso é ótimo.
Mas, nós que estamos de fora estamos tendo a maravilhosa oportunidade de analisar criticamente se é isso que queremos, ou precisamos. E pensar maior, além da vida de uma única pessoa (a nossa), pensar nas diversas vidas em conjunto, pensar no planeta. Seria mesmo interessante para o mundo que você passeasse de iate? Isso não é terrivelmente pequeno, não fornece um prazer ridiculamente passageiro e volátil?

Vou ficando por aqui, dizendo que estou profundamente feliz em participar dessa mudança mundial, que chamamos de "crise", de "desemprego", de "desperdício". E dizendo, mesmo correndo o risco de parecer ridícula, que o mundo pós-crise que eu deslumbro é muito mais humano. Na minha opinião essa é a única (e maravilhosa) saída que vejo, rezo para que não inventemos artimanhas bizarras para continuarmos nesse velho sistema desgastado, rezo para que não resistamos a essa mudança fascinante que vem ocorrendo pacificamente, de mente em mente. Vejo o mundo dos jovens sustentáveis, nós simples e risonhos, que nos reunimos domingo a tarde para correr na praia ou passear de bicicleta, nós somos o simbolo máximo de progresso e desenvolvimento, temos que nos conscientizar disso e sentir o prazer de ser quem somos, sem resistência!

Espero que leiam essas matérias com outros olhos, sem medo ou desespero:

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