sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Vegeteriana

Me desculpe, uso esse espaço para abordar esse tema que, por incrível que pareça, é extremamente delicado. Eu não quero te convencer a mudar de hábito, tão pouco quero criticar os seus costumes, gostaria apenas de relatar minha experiência e incentivar vc a desenvolver os seus valores e princípios e assumi-los.

Eu demorei alguns anos para assumir meu vegetarianismo, muito embora sempre tenha demonstrado inclinação. Costumava soltar esse assunto no ar para estudar a reação das pessoas, nas primeiras vezes se punham ferozmente contrárias. Com o passar dos anos, minha pesquisa de opinião começou a receber alguns sinais favoráveis. Sabe, sou constantemente vítima da necessidade de aceitação, eu não sei se você é assim, eu costumo fingir que não, mas antes de adotar uma postura eu estudo e faço uma projeção da possível reação dos que me cercam.

Mas, mesmo com alguns se pondo contrários ao vegetarianismo, mesmo sendo confortável me manter no status quo, me setia incomodada ao pensar em matadouros e granjas, principalmente. Então passei a evitar frango, acho interessante que algumas pessoas começam por abdicar da carne vermelha, deve ser por sentirem mais desconforto em ingerirem um mamífero. Para mim o incomodo maior é com as granjas, a ideia de inserir hormônios e incentivarem os animais a comerem 24 hs por dia me arrepia. O outro passo foi deixar de comprar carne, mesmo a sessão do supermercado que expõe bifes em bandejinhas me deixava desconfortável, a sorte minha foi que meu namorado compreendeu. Acho que por minha mudança ter sido sutil ele pode acompanhar, entender e até concordar.

Por fim, ao pegar uma balsa pude ver de perto um caminhão que carregava gado vivo, era sujo, fedido e escuro, os animais não tinham muito espaço, mugiam desconfortáveis, dos olhos de uma vaca escorria uma lágrima. Eu tirei uma foto, para me obrigar a não esquecer a sensação que aquela cena me despertou. Esses animais, provavelmente seriam exportados, vivos, porque todos os seres humanos apreciam um churrasco, sentimos prazer com o cheiro de carne assada.



Não tenho o hábito de meditar, embora queira muito, às vezes consigo, numa dessas vezes senti minha alma me clamando: ASSUMA-SE. A partir de então, me tornei vegetariana. Somando-se a isso, dou-lhes um argumento lógico, tão importante ainda nos dias atuais, oras, sendo eu uma ambientalista o impacto da pecuária extensiva é indiscutível, a pesca vem tornando estéril nossos oceanos...

É interessante, mesmo tendo toda a consciência da minha opção, mesmo me sentindo segura e confortável com meu novo hábito, eu fujo como o diabo da cruz desse assunto, procuro passar desapercebida num jantar, me assusta as críticas ferozes que as pessoas costumam fazer. Eu não sei porque alguém criticaria tão arduamente um hábito alimentar que visa a paz e harmonia entre os seres vivos, a minha teoria é que isso reflete o desconforto em que se encontra a consciência de quem critica. É como se a minha presença provasse a possibilidade da mudança que ela aspira e teme, não sei... Parece que tentam, mesmo sem eu solicitar, argumentar a favor de seus hábitos, e o fazem me criticando.

Só queria dividir publicamente a aflição que eu costumo sentir ao me assumir vegetariana, e pedir para que antes de criticarem um meçam as palavras. Eu costumo criticar muitas posturas, o consumismo principalmente, e não me policio muito na hora de expressar minha postura, mas devemos nos lembrar que o respeito a diversidade humana e o esforço para a boa convivência é unicamente o que de verdade importa.

Convido-o a se questionar e reavaliar seus hábitos, pode ser um pouco desconfortável de início, mas tenho certeza que o questionamento constante e reavaliado nos leva a sermos pessoas mais verdadeiras, plenas e boas.

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