segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A ecologia no Amor

Definitivamente não existe propriedade intelectual. Não temos ideias próprias formuladas por nossas mentes geniais, individuais. Isso não existe. Somos detetives, devemos ser observadores atentos para que possamos pescar a ideia que devemos expor. Pois elas simplesmente se constroem, nos chegam peças de quebra-cabeças, aparentemente desconectadas do todo, olhamos, analisamos, e colocamos no bolso. Lá pelas tantas, BAZINGA, essa peça encaixa-se num contexto mais amplo.

Depois de alguns anos, sete quase oito, conquistei com o Thiago um relacionamento que supera o ideal. Pensava eu em elaborar um texto sobre isso para entregar a ele no nosso aniversário de namoro. Mas, não me controlei, e já falei tudo. Quando começamos a namorar eu tinha 19 anos, ainda era muito imatura, meus sentimentos eram um turbilhão e eu não sabia lidar com eles ou sequer com meus pensamentos. Pois é, minha adolescência foi longa. Mas, eu idealizava me tornar uma pessoa mais centrada, e com isso conquistar um relacionamento mais harmonioso, sem conflitos.

Os anos foram passando, tempestade após tempestade (todas causadas por mim mesma) foram sendo enfrentadas. E cheguei a um insight dentro de um ônibus. Isso, esse relacionamento que estamos vivendo agora, é o meu ideal de relacionamento sonhado há alguns anos atrás. Não tenho aquele mal estar de antes, de pensar que é apenas uma fase e ficar tensa a espera da próxima crise, de olho nos sinais. Tenho a sensação de que é um estado conquistado, mas não eterno. Isso é, nosso relacionamento ainda vai melhorar e evoluir, só que o próximo estágio está além do que eu podia sequer imaginar meia década atrás.

A conquista desta estabilidade exigiu esforços conjuntos, ainda que individuais. Cada um teve que enfrentar seus próprios monstros. Superar seus paradigmas irreais, libertar-se do véu da ilusão, para então conseguir desfrutar plenamente da "sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida".

Sim, era nesse ponto que queria chegar. A mudança de paradigma e o bye-bye ilusão. Nosso relacionamento transcendeu a economia (competição, expansão, dominação) e alcançou padrões ecológicos (cooperação, conservação, parceria). Como eu disse, essa ideia não é minha, ela posou na minha cabeça, isso por causa desse trecho que eu li numa citação, num blog ambiental (da Carol Daemon):

"Numa parceria verdadeira, confiante, ambos os parceiros aprendem e mudam - eles COEVOLUEM"

Bem, na realidade trata-se de uma analise de sistemas ecológicos e como nossa sociedade deveria usar esse paradigma para superar a crise ambiental. Mas, já venho quebrando algumas repartições, e o que aprendo em leituras espirituais vejo em falhas governamentais, e o que aprendo academicamente sobre sustentabilidade aplico no relacionamento amoroso. Afinal, a busca pela sustentabilidade permeia toda nossa experiência enquanto ser humano. Se a aplicação de conceitos ecológicos podem salvar nossa espécie do colapso e encaminhá-la para a sustentabilidade, imagina o que não é capaz de fazer com nossas relações pessoais? Cooperação, feedback, adaptação são termos que devem sair dos livros e discursos para serem aplicados, pois nós somos a natureza que estudamos e lemos, estamos sujeitos às mesmas leis da natureza que uma árvore e seu sistema. Estamos em constante troca por meio das mais diversas relações. O que somos "nós" é função de nossas relações (o crédito dessa reflexão vai ao filme O Ponto de Mutação).

No pôr do Sol desse domingo, sentada em um banquinho no jardim, ouvindo o "tchá-tchá-tchá" da tesoura que ele corajosamente manejava nas minhas madeixas, sentindo a presença tranquila dos cachorros espatachados no chão, tive certeza de que o Amor e a Felicidade residem da harmonia, isso é na ausência de conflitos. E que esse estado é dinâmico, por isso não devemos nos apegar à estabilidade.

Esse equilíbrio dinâmico é semelhante ao de uma floresta tropical, em que as primeiras colonizadoras foram transformando o solo pobre em humos, possibilitando o crescimento de plantas mais exigentes, dando suporte ao trabalho de animais, tornando as relações mais complexas e transformando um ambiente inóspito em um paraíso cheio de vida. Essa floresta não está a salvo de distúrbios, e depende de sua resiliência, retornar ao seu estado de harmonia após esses distúrbios ou utilizá-los para seu aprimoramento.

Um comentário:

Nos eduquemos juntos.