sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

informação deficitária

Antes (55 anos) e agora, no mesmo píer. 
Vídeos como este "Como nós destruímos o oceano" me deixam profundamente irritada. Trata-se de um ecologista (Jeremy Jackson, com diversos artigos científicos puplicados) de coral que alerta para o efeito sinérgico de nossas ações. A poluição, a sobrepesca, e a mudança climática interagem de tal forma, enfraquecendo tanto a saúde dos corais que estes não conseguem se recuperar de desastres naturais, perdem a resiliência. Ele afirma que estamos tornando nossos oceanos desertos e tóxicos, e o pior não sabemos lidar com isso, a ganância e o egoismo são as piores poluições.

Hoje uma matéria divulgada pelo UOL vem a corroborar que o peixes vão ficar menores, em consequência da sobrepesca e aquecimento global. Mas, eu noto que isso não é algo para daqui 50 anos. A foto ao lado é mostrada no vídeo e deixa claro que o problema é real e atual!

Na campanha do Greenpeace Detox, que é voltada para indústria da moda, vê-se uma alusão ao alienismo da sociedade em geral. O que é compreensível, uma vez que o preço de pescado não dá sinais de crise, foi sutil a mudança de espécies e a diminuição de seu tamanho nas peixarias (cada vez mais escassas). Agora cortamos os peixes em pedacinhos, bem pequeninhos, e pagamos caro em sushi sem imaginar crise alguma, ficamos felizes por termos a oportunidade de pagar por isso, enquanto muitos não tem... A mídia anuncia o benefício para a saúde de ingerir proteínas oriunda do pescado rico em ômega-3, a tal ponto que o indivíduo pensa estar fazendo um atitude absolutamente benéfica, sem questionar o egoísmo disso.

Além do mais, existe a aquacultura, que vem fornecer "pescados" eternamente, claro, apenas aos que puderem pagar. Muitos defendem com unhas e dentes essa nova atividade como a panaceia da questão pesqueira. A mim não agrada nenhum pouco. Pois, o pouco que conheço da sociedade atual isso será um cartão branco para diminuir ainda mais a preocupação com os estoques naturais e a saúde do oceano. Ainda mais, é uma atividade intrinsecamente concentradora de renda, embora venha havendo algumas iniciativas no sentido de capacitar comunidades carentes para cultivar seu próprio pescado, é inevitável que com o tempo um venha a comprar o espaço de outros e empregá-lo na sua própria fazenda. É impossível estudar a questão ambiental desagregada das variáveis social e econômica.

Tive a oportunidade de conhecer um pescador artesanal de minha cidade. Ele mora em uma casa simples e pequena. Muito embora sua rua termina em um píer para dentro da Lagoa. O píer está em ruínas, porque o último prefeito não era do mesmo partido que (acreditava) os moradores da vila.  Esse pescador disse que já tentou, por pressão dos pais, sair da pesca e trabalhou em empresas, mas quase enlouqueceu, descobriu que gostava mesmo é da sensação de liberdade de trabalhar na Lagoa. Em nossa conversa tranquila, que durou mais de 6 horas, ininterruptamente, ele diz que o que falta é orientação. Muitos dos pescadores nem sequer sabem ler. Eu imagino a dificuldade que eles tem em administrar o orçamento maluco deles, que em 3 meses recebem o que devem utilizar no ano todo, sem ter tido orientação alguma de economia, administração, finanças etc.

Enfim, apesar de estarmos na era da informação, parece ainda ser a falta de troca de informação e conhecimento entre dois setores isolados um sério problema. De um lado a sociedade civilizada ignora sérios problemas ambientais e sociais e a causa destes, de outro, a sociedade marginalizada não tem acesso aos mais sofisticados conhecimentos, já tão corriqueiros no dia-a-dia dos primeiros.

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