quarta-feira, 24 de julho de 2013

Péssimo e ultrapassado Paradigma

Algo me deixou bastante reflexiva na noite fria dessa segunda-feira.

Fui à pré-conferência do meio ambiente de minha cidade. O tema era Unidade de Conservação e uso do território. Não sei porque motivo sou bastante simpática a atual secretária de meio ambiente, acho que é porque trabalhei com o secretário adjunto e nutro bons sentimentos em relação à ele. mas

Logo na abertura do diálogo a secretária informou que este é um assunto de extrema importância, pois, sem o plano das unidades de conservação o município não pode receber a compensação dos grandes empreendimentos que estão a ocorrer na cidade...

Parece que recebi um certeiro e deprimente soco na boca do estômago.

Quer dizer que numa sala que reunia mais ou menos informalmente pessoas simpáticas a causa ambiental, a secretária do meio ambiente precisa desse argumento?
É só para isso que existimos? Garantir o interesse econômico? Todas nossas conversas e valores se pautam em quanto isso vai ser bom para os negócios. Esse é o único argumento lógico e plausível de qualquer discussão que se preste? Temos desesperadamente que aproveitar a oportunidade de recebermos a tal compensação?!

Bem, eu entendo que deve-se usar esse argumento numa conversa com um governador ignorante e alienado (ambientalmente falando). Mas, num evento de cunho ambiental?! Me parece um triste retrocesso. E me fez questionar a validade de tudo aquilo. Porque eu estava me sentindo tão idiota, e pq me parecia tudo tão inútil e desnecessário?! Acho que talvez seja porque quem tem o poder mesmo de decidir onde, como e porque serão as unidades de conservação e como será o uso do território não iria nem tomar conhecimento de tudo o que disséssemos. Ou porque é tudo inútil mesmo.

Cada vez mais tenho a sensação de que quanto mais se regula mais se atrapalha e se puxa pro lado do mais forte. E que se envolver nisso é alimentar esse processo. Afinal "a boa intenção é o pavimento da estrada para o inferno". Cada vez mais desacredito em toda e qualquer forma institucional de organizar uma sociedade. Não encontro em NENHUMA instituição algo que me faça acreditar.

Agências reguladoras, fiscais, investigação, ministério público, tantas e tantas coisas vamos criando para rotacionar envolta dos grandes empreendimentos. Os quais se tornaram nossa razão de existir. A razão do Estado e da população. Vivemos ao redor deles, para regulamentá-los, para controlá-los, para servirmos à eles e deles. Nisso se resume nossa rica existência. Os que não tem emprego morrem de fome, os que tem assistem sua degradação moral e espiritual porque são impelidos a trabalhar alucinadamente e acreditar que nisso reside toda sua dignidade, e há ainda o medo de não ter a sorte de ter esse emprego.

E não tem limites. Penso que agora que os ecossistemas marinhos estão detonados, isso é o estoque pesqueiro é cada vez menos viável, vai haver fim. Que nada, cria-se a aquacultura e privatiza-se os peixes. O mesmo com o sol, dado que a Espanha pretende multar os indivíduos que se aproveitarem do sol para diminuir sua conta elétrica. Quem se lembra que na Bolívia houve revolta quando o governo proibiu o uso de água da chuva? E quem sabe que o governo de São Paulo cobra a mais de quem usa água da chuva? É por causa do tratamento de esgoto! Mas, eu uso para regar o jardim... =/ Os solos ricos tem dono, aqueles que nunca pisaram em solo nenhum e estão se empenhando arduamente em deixá-los pobre. Tudo privatizado (mesmo que seja para o Estado, se não é público é privado) e quem não puder pagar vai ter o privilégio de viver de caridade, - ai que lindo, como são boas as almas que doam e não questionam, - ou farão o favor de morrer de fome. E claro, lembrando que os que morrem de fome, nesse minuto que eu escrevo, são vagabundos que só ficaram reclamando do sistema porque tem preguiça de trabalhar, e só reclamam porque tem inveja dos ricos... sim, eu li isso hoje...
Meus amigos, pelo amor de Cristo. olha e vê. que bosta de vida estamos levando? Queria que uma criatura me dissesse que está perfeitamente feliz fazendo o que faz e como faz! E vivendo na sociedade como está.

Não, não precisamos de unidades de conservação para ganharmos compensação das empresas. Precisamos porque se não passam por cima de tudo, aterram e impermeabilizam todos os banhados, e quando a cidade inundar varrendo barracos, virão oferecer um lindo sistema inovador de drenagem, com tecnologia alemã, para um problema que não teríamos! E esse sistema vai custar o dobro do preço devido desvios realizado por pessoas que são pagas para não desviar, e que são vigiadas por todo um intrincado esquema de agências e órgãos que buscam garantir que não se desvie e que haja processo caso desviem. E tudo isso com impostos?!

Para onde estamos caminhando? Para onde esse caminho está nos levando? Onde estão as árvores frutíferas que alimentam de graça, sem inflação?

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