sexta-feira, 5 de julho de 2013

subjetividade objetiva

Quando ouvindo uma aula especial de Educação Ambiental crítica, algo me cativou. A conversa tem que ser objetiva, esse papo de querer "paz e amor" é chavão hippie da década de 70 e não convence. Tem-se que trazer esse desejo para uma discussão objetiva, dizia o professor. E assim ia a conversa que me deixava deveras encantada. Imaginei que assim, dotada de argumentos lógicos e racionais seria possível falar a mesma língua daqueles que estão pouco se importando com qualquer coisa além de seu patrimônio pessoal.

Fiquei com isso martelando na minha cabecinha, e sempre que sentia que meus argumentos começavam a descolar para a "subjetividade" me castrava rapidamente em perfeita obediência as palavras eloquentes do experiente e renomado professor.

Mas, algumas notícias me deixaram inquieta nessa nublada manhã invernal. O suicídio é a causa de quase metade das mortes entre jovens de 20 à 29 anos, na desenvolvida, rica e bem educada nação japonesa (link). E como a nação está lidando com esse dado? Money!

Técnicos associaram as mortes ao desemprego, ou medo de perder o emprego (!). O que é um motivo bastante frio e objetivo. E as medidas frias e objetivas adotadas para prevenção foram: controlar a taxa de desemprego, que atualmente é menor que 4,3% e fornecer "bolsas"-auxílio-tratamento-psiquiátrico.

E se você está pensando que esse "probleminha" é exclusividade única de países de alta latitude, distantes da alegria do clima tropical, saiba que na pátria amada Brasil a taxa de suicídio entra jovens e adolescentes cresceu 30% nos últimos 25 anos. E o país vem lidando muito bem com o assunto adotando uma excelente política de "fingir que nada aconteceu" evitando inclusive a utilização do termo que é alterado para "mortes por lesão autoprovocadas voluntariamente", isso porque, acredita-se que a simples menção na palavra suicídio pode incentivar a ação. Assim, o tema é um tabu, apesar de alguns especialista acreditarem que falar no assunto seria mais inteligente, pois auxilia na prevenção. Tamanha a ignorância.

Segundo a CVV numa sala com 30 pessoas 5 delas já pensaram em suicídio. E por que?

Os especialistas do Japão que me perdoem, mas acho que uma atitude assim não esteja simplesmente relacionado ao mercado de trabalho, por mais lógico e coerente que esse argumento possa parecer. A insatisfação com os padrões estabelecidos superam o limite da razão, esses números são estarrecedores e merecem atenção especial. Cada vítima deve ter tido lá suas razões, temos uma razão a cada 40 segundos. Eu penso que isso seja a prova objetiva da ausência do desenvolvimento de questões subjetivas.

Imagine se o simples medo de perder o emprego faria um jovem considerar melhor o sofrimento e a incerteza da morte. Isso é uma medida absurdamente extrema que deve ser olhada com especial atenção, e aqui nenhuma frieza vinda da analise objetiva de números e gráficos é capaz de entender e resolver o problema.

Acho que temas subjetivos e filosóficos devem ser considerados sim, sem medo, sem preconceito, com respeito e seriedade. Deve avançar na conversa da felicidade. O FIB no lugar do PIB. Até eu tenho medo de dizer, mas acredito que pessoas felizes trabalham melhor do que pessoas bem pagas. Quando a felicidade verdadeira for a aspiração master de todos os seres humanos, quando compreendermos o que é felicidade e comprovarmos que desviar verba da escola de jardim de infância da periferia não traz felicidade, talvez essas atitudes sejam desincentivadas. Mas enquanto não soubermos definir felicidade e enquanto o avançar dessa discussão seja relegado a poucos corajosos que taxamos de vagabundos e desocupados, estaremos sempre meio perdidões. É bem verdade que o risco de esse conceito ser utilizado num discurso vazio é grande, mas mesmo os atuais discursos objetivos, cheios de dados técnicos são conversa para boi dormir...

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